Projeto do governo distribui 40 mil sementes frutíferas para agricultores familiares no Pará

Ação é destinada à produção de mudas para a recomposição florestal produtiva em áreas alteradas de propriedades rurais

04/07/2020 16h09 - Atualizada em 04/07/2020 16h36
Por Pryscila Margarido (IDEFLOR-BIO)

Engenheiro florestal do Ideflor-Bio, Cleberson Salomão, durante a entrega de sementes na comunidade Nazaré, em ParagominasAgricultores familiares de 14 municípios paraenses foram beneficiados com a entrega de cerca de 40 mil sementes de espécies frutíferas, como cupuaçu, pupunha e açaí, que serão destinadas à produção de mudas para a recomposição florestal produtiva em áreas alteradas de propriedades rurais no Pará. A iniciativa é mais uma ação do Projeto Prosaf, uma estratégia do Governo do Estado, criado e coordenado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio). A distribuição das sementes ocorreu no período entre 29 de junho a 3 de julho deste ano. 

Diretor de Desenvolvimento da Cadeia Florestal, Kleber Perotes explicou que essa etapa é uma continuidade do trabalho com os produtores já assistidos pelo projeto. Em outros momentos, eles passaram por capacitações em produção de mudas, instalação de viveiros, dias de campo, plantios e recebem esse acompanhamento técnico de forma regular. Há viveiros instalados através do Prosaf em todos os municípios atendidos nesta ação. 

“A entrega é feita nos viveiros, onde as mudas serão produzidas. Já o plantio será feito nas propriedades, na lógica da recuperação das áreas alteradas, na diversificação da base produtiva e na geração de emprego e renda, e ainda com alcance da redução do passivo ambiental. Essa etapa faz parte de um conjunto de estratégias de realização do projeto Prosaf. As sementes que estão sendo entregues são frutos da parceria do Instituto com a Embrapa Amazônia Oriental, sendo um excelente material de qualidade genética, imprescindível para que se obtenha uma muda de qualidade”, ponderou o diretor Kleber Perotes.

Comunidade João Batista, em Castanhal, também recebeu mudasMudas – A produção de mudas segue o ciclo de disponibilidade das sementes. Após a semeadura nos viveiros, é feito o acompanhamento técnico do processo de desenvolvimento das mudas. O plantio ocorre sempre no início do período chuvoso, a partir de dezembro, nas propriedades de cada agricultor atendido. Em média, o cupuaçu e a pupunha, a partir do terceiro a quarto ano do plantio, já entram em fase de produção. Posteriormente, essa produção estabiliza e as culturas entram em plena atividade com colheita anual, repetindo o ciclo até o declínio do vegetal.

A diversificação da base produtiva desses agricultores demonstra que a metodologia utilizada pelo Prosaf está funcionando e trazendo resultados, diante da melhoria da segurança alimentar e da geração de emprego e renda, conforme ressaltou a presidente do Ideflor-Bio, Karla Bengtson.

“Eles experimentaram o êxito do uso da metodologia e se sentem estimulados a ampliar as suas áreas de plantio na propriedade. É uma ação de Estado, onde o Ideflor-Bio é coordenador e conta com a parceria de outros entes estaduais como a Sedap, Emater-Pará, Semas e também as prefeituras e associações locais. Do ponto de vista da pesquisa, a parceria é com a Embrapa e Ceplac, que prestam apoio com capacitações, transferência de tecnologia e fornecimento de sementes”, detalhou Karla Bengtson.

Viveiro de Mudas - Com. João Batista - CastanhalExperiências

O agricultor familiar Marciano Ventorini, de 35 anos, da Comunidade de Boa Esperança, em Ulianópolis, já utiliza a metodologia do Prosaf há dois anos, quando iniciou o plantio em Sistemas Agroflorestais (SAF), em sua propriedade.

“A chegada do viveiro (instalado pelo Ideflor-Bio no município) e do projeto abriu esse formato de trabalho pra gente, trazendo novos conhecimentos. Temos cerca de meio hectare de terra com quase 500 plantas cultivadas. Já nos convenceu por ser algo que dá resultado. Esse ano, já plantamos arroz. Agora, no verão, vamos plantar melancia, feijão, que são de ciclos mais rápidos. Estamos contentes com os resultados e tentamos multiplicar essa iniciativa com os demais agricultores”, disse Marciano, que iniciou o plantio em SAF com a banana. A propriedade possui ainda 250 pés de cacau e 150 de açaí, além de espécies florestais.

Agricultor Antonio Arraes, 58 anos, da comunidade Paraíso, localizada em Dom EliseuTambém atendido pelo projeto há cerca de 3 anos, o agricultor Antônio Arraes, 58, da Comunidade Paraíso, em Dom Eliseu, acreditou na iniciativa e hoje celebra os excelentes resultados de seu trabalho.

“Começamos a trabalhar com o SAF, sempre com a orientação dos técnicos do Ideflor-Bio, e passamos a ter lucro desde o início. Plantamos o feijão carioquinha, melancia, abóbora, maxixe, quiabo, tiramos renda de tudo. Passamos a plantar a macaxeira, graviola, banana, abacaxi, açaí, cupuaçu, cacau e temos o paricá. Estou satisfeito e recomendo a quem quiser investir, porque dá certo. Aqui sempre temos algo para colher. Com a macaxeira, faço farinha e vendo a macaxeira na feira” - Antônio Arraes, agricultor.

A ação percorreu os municípios de Tomé Açu, Acará, Concórdia do Pará, Moju, Bujaru, Castanhal, Peixe-Boi, Bonito, São Miguel do Guamá, Irituia, Paragominas, Ulianópolis, Dom Eliseu e Santa Bárbara. E, durante a visita aos agricultores familiares, a equipe técnica do Instituto prestou consultoria sobre como conduzir de forma adequada o plantio das espécies em Sistemas Agroflorestais (SAF). 

“Além das espécies frutíferas, em alguns municípios, o Instituto também fez a distribuição de cerca de 10 mil sementes da espécie florestal maranhoto, também chamada de meracurara. Entregamos ainda 30 mil saquinhos para a produção de mudas em alguns viveiros, que já não tinham em estoque”, informou o engenheiro florestal do Ideflor-Bio, Cleberson da Silva Salomão, integrante da ação.