Assistência da Emater ajuda a transformar a vida de agricultores

Visitas técnicas, orientações e processos de mobilização para uma produção agrícola melhor e maior contribuem para o desenvolvimento econômico das famílias

30/06/2020 14h03 - Atualizada em 30/06/2020 15h28
Por Aline Miranda (EMATER)

Se uma política pública se efetiva por meio da história positiva de seus beneficiários, a Família Bandeira, de São João da Ponta, nordeste do estado, é um testemunho vivo dos benefícios dos serviços prestados pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater).

A variada produção dos Bandeira, que estão sem máscara por se materem em confinamento, é exemplo da boa contribuição da EmaterDesde 2009, o casal Reginaldo e Joana imigrou de Castanhal para o município vizinho junto com os filhos Ricardo e André e transformou sua propriedade na comunidade Campina em um exemplo de diversificação de atividades rurais e desenvolvimento sustentável. 

“É a nossa morada, nosso lugar de viver, de criar nossos filhos. Aqui temos condição e apoio para produzir alimentos em quantidade e qualidade suficientes para nosso consumo e para a venda, nosso sustento”, diz Reginaldo. 

A Unidade de Produção Familiar (UFPA) compreende 22 hectares e meio com ênfase na fruticultura consorciada, cultivando por exemplo açaí, banana, coco, cupuaçu, limão, maracujá, mamão, entre outros. Só de açaí são 800 touceiras; de maracujá, 400 plantas.

O principal da colheita é vendido em três frentes: para a Prefeitura de São João da Ponta pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), de forma direta na Feira do Produtor Rural em Castanhal e de forma indireta às Centrais de Abastecimento do Pará (Ceasa), na capital, Belém. 

Chefe do escritório local da Emater em São João da Ponta, o técnico agrícola Maurício Lima enumera a lista de vantagens de uma prática rural assistida.

“A Família Bandeira é uma experiência muito exitosa da Emater em São João da Ponta. Junto com eles, abordamos práticas que aliam, ao mesmo tempo, aspectos sociais, ambientais e produtivos. O resultado se traduz em lucro para a agricultura familiar, injeção de recursos na socioeconomia da comunidade e do município, preservação dos recursos naturais, segurança alimentar e geração de trabalho e renda”.

O acompanhamento da Emater se iniciou com a inserção dos Bandeira na comunidade, por meio de reuniões e incentivo à participação nas organizações sociais, como o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR). A assistência técnica da Emater tornou-se ainda mais ampla há três anos, quando a família passou a fazer parte do Projeto Piloto, da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), uma parceria bi-institucional.

 Com um aporte específico de recursos, o Projeto Piloto direciona ações com o objetivo de aumentar a capacidade produtiva e a dinâmica de comercialização. Com as visitas técnicas, processos de mobilização e de conscientização e até a composição de um croqui da propriedade, para facilitar a visualização territorial e embasar o plano de trabalho, os agricultores passaram a valorizar a questão do gênero, como o empoderamento de Joana dentro do arranjo doméstico e dentro do contexto do empreendimento; e  adotaram metodologias de gestão de negócios, bem como reduziram em cerca de 50% o uso de agrotóxicos.

“É possível observar que o Governo do Estado, via a atuação da Emater, tem contribuído na relação e mediação com os agricultores familiares. Existe uma comunicação fluida e sem barreiras quanto aos interesses e necessidades das famílias e dos mercados ativos e potenciais. É muito além de trocar conhecimento sobre como plantar, criar, cuidar de solo, cuidar de água. Trata-se do exercício de direitos sociais, do papel dos jovens e das mulheres nas tomadas de decisões, no desenvolvimento das comunidades rurais e do município como um todo”, completa Lima. 

A Emater também emitiu declarações de aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - Pronaf (daps) para o casal e de maneira individual para os dois filhos, elaborou o cadastro ambiental rural (car) da propriedade e formulou um dossiê que subsidiou o requerimento de regularização fundiária ante o Instituto de Terras do Pará (Iterpa). 

Alguns dos desafios ainda são a conclusão do processo de regularização fundiária, o acesso a crédito rural e a falta de uma Feira do Agricultor Familiar no próprio município. 

“A Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), pública, para nós, é importante demais. É um instrumento de cidadania. Um caminho de políticas públicas para saúde, educação, estradas”, resume Joana Bandeira.