Telemedicina integra currículo de futuros médicos formados pela Uepa

Tecnologia é bastante útil no Pará, com dimensões continentais e dificuldades de interiorizar as especialidades médicas

17/06/2020 18h05 - Atualizada em 17/06/2020 20h08
Por Daniel Leite Júnior (UEPA)

A Universidade do Estado do Pará (Uepa) introduziu o ensino de telemedicina no currículo do Curso de Medicina, neste primeiro semestre de 2020. A disciplina agora está presente no módulo de Gestão, Interação, Ensino, Saúde e Comunidade (Giesc), que ocorre do 1º ao 8º semestre, além do Internato e da Especialização em Atenção Primária de Saúde. A prática de telessaúde já existe na instituição desde 2015.

“A ideia surgiu da necessidade de trabalhar com os alunos as práticas de gestão em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS) e atualizar o eixo do Giesc, a partir das novas tecnologias disponíveis no SUS e autorizadas pelo Conselho Federal de Medicina. Deste modo, o professor Napoleão Braun, que coordena o Telessaúde da Uepa e o Giesc, nos sugeriu a introdução da temática como mais um ponto das práticas do curso”, afirmou a coordenadora do curso de Medicina da Uepa, professora Djenane Caetano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a importância da telemedicina desde a década de 1990 para atendimentos onde a distância é um elemento que impede serviços de saúde presenciais. O Conselho Federal de Medicina (CFM) define na Resolução nº 1.643/2002 que essa especialidade representa o exercício da profissão, por meio da utilização de metodologias interativas de comunicação, com o objetivo de assistência, educação e pesquisa em saúde.

No Pará, com dimensões continentais e dificuldades de interiorizar as especialidades médicas, a telemedicina se apresenta como uma tecnologia com vários recursos de grande capacidade de atuação, tais como: a teleeducação, telediagnóstico e teleconsultoria. Dessa forma, a prática promoverá a aproximação entre os profissionais da área, além de disponibilizar educação à distância e atendimentos remotos, evitando, portanto, deslocamentos desnecessários e diminuição de gastos em tratamentos fora de domicílio (TFD).

“Quando assumi a coordenação do Telessaúde, em março de 2018, pude perceber a necessidade de se introduzir as novas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no ensino da medicina e à serviço da comunidade. Portanto, no planejamento de dezembro de 2019, propusermos a introdução do ensino da telemedicina no curso da Uepa. Entendo que precisamos dar um passo ao futuro, acompanhando a evolução das novas tecnologias e aplicando-as ao uso com ética e responsabilidade” - Napoleão Braun, professor e coordenador do Telessaúde da Uepa.

Auxílio

Apesar da importância comprovada, a telemedicina sempre foi um tema polêmico. Porém, a pandemia do novo coronavírus trouxe novos paradigmas comportamentais no âmbito da vida pessoal e profissional da humanidade e, nesse contexto, as TICs ofereceram recursos que estão funcionando como ferramentas indispensáveis, tal como, o exercício do teleatendimento em diversas áreas de trabalho, e na consolidação do isolamento social para combater a expansão do contágio do vírus. Além disso, a Portaria nº 467/2020, do Ministério da Saúde, regulamenta atendimentos médicos à distância durante a pandemia da Covid-19. 

"Várias grandes universidades já adotam essa prática há anos e agora posso atestar, por experiência própria, o quanto é bom. Minha turma foi usada como teste e nós estamos todos muito satisfeitos, mas cada turma terá suas particularidades e a Uepa levou isso em consideração desde que começamos as aulas online, se articulando com o nosso Centro Acadêmico do curso para garantir, desta forma, que a telemedicina só seja implementada se todos os alunos forem abrangidos. Mesmo após a pandemia, ela trará o benefício de termos aula com professores de outros subgrupos do Internato, e oferece a comodidade de estarmos em casa”, ponderou a discente do 12º semestre do curso de Medicina da Uepa, Jade Iwasaka.