Serviço Social do Hospital Ophir Loyola completa 65 anos

Assistentes sociais comentam sobre a importância da profissão na garantia de direitos

15/05/2020 13h20 - Atualizada em 15/05/2020 14h02
Por Leila Cruz (HOL)

Equipe de Assistentes Sociais do Hospital Ophir LoyolaA partir de 1930, em meio ao caos do processo de industrialização e urbanização, surgiu o Serviço Social no Brasil. Anos mais tarde, na capital paraense, a iniciativa da estagiária Josefa Bertélia Monteiro Brito originaria esse tipo de assistência no Hospital Ophir Loyola, em 18 de maio de 1955. Ela dedicava-se ao estudo socioeconômico dos pacientes por meio da entrevista social. Após dois anos desse marco na instituição, a profissão foi regulamentada e reconhecida no país.

Na década de 1960, criou-se a Divisão de Serviço Social dentro do hospital, com apenas cinco assistentes sociais. Ao longo dos anos, a divisão estruturou-se e tornou-se referência estadual na intervenção profissional. E assim foram desenvolvidos convênios, programas e projetos. Coordenadora da Divisão, a assistente social Dalmira Simor, afirma que a equipe atua não somente na amenização dos problemas sociais, mas na democratização das informações e serviços a fim de garantir o direito do usuário, em conformidade com as necessidades existentes.

Em dezembro deste ano, Dalmira completará 19 anos como servidora no Ophir Loyola. O interesse pela profissão surgiu quando ela estava concluindo o então chamado segundo grau. Mas, o sentimento cresceu durante o estágio no hospital regional de Tucuruí, quando passou a conhecer e ver como estes profissionais trabalhavam e a atenção dispensada às situações que eram trazidas pelo usuário do serviço. 

Dalmira Simor, coordenadora da Divisão de Serviço Social do HOL“Ao longo da minha vida acadêmica, o meu foco sempre foi trabalhar nesta instituição de saúde. Aqui realizei estágio voluntário e apreendi muito com as assistentes sociais que me supervisionavam. Tenho um grande orgulho de fazer parte deste corpo técnico e da equipe que no decorrer de muitos anos foi se formando. Nós vestimos a camisa para realizar um trabalho com compromisso e respeito ao nosso usuário”, afirma Dalmira.

Mônica Sosinho atua na linha de frente do combate à Covid-19A empatia com a dor do outro e a vontade de contribuir de alguma forma com a sociedade levou Mônica Sosinho a escolher a profissão. Ela é reconhecida pela realização de programações na radioterapia direcionadas ao bem-estar e à autoestima de mulheres em enfrentamento do câncer. Atualmente, Mônica está na linha de frente do combate à Covid-19 e relata o amor que sente pela profissão e a alegria por poder ser um diferencial na vida de outra pessoa.

“Estamos vivendo dias difíceis, dias em que se fazer presente é de suma importância, dias em que podemos fazer algo pela dor do outro, dias em que ser assistente social faz toda a diferença. Garantir direitos ou simplesmente falar para o paciente ‘eu estou aqui’, ‘eu te entendo’, é ter empatia. E também dias em que deixei o nível superior de lado e desci as escadas para pegar coisas para os acompanhantes e ter a sensação de felicidade por fazer algo por alguém”, conta.

Cristiane Montoril fala da importância da profissão em tempo de pandemiaPara Cristiane Montoril, ajudar as pessoas a terem acessos aos direitos e lutar por quem é esquecido pela sociedade é valorizar o ser humano. “É um aprendizado diferente a cada dia, cresço como pessoa e coloco em prática a minha profissão em todos os aspectos. Tenho dez anos de serviço social, boa parte em empresas privadas, mas a complexidade vivenciada no HOL traz um sentimento único de realização profissional. Neste momento de pandemia, nós mostramos ainda mais a nossa essência e o quanto somos importantes, principalmente, na garantia do acesso à saúde”, frisa.

Atualmente, o hospital dispõe de 40 assistentes sociais distribuídos pelo ambulatório (emissão de carteirinha branca), assessoria, Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes, clínicas, CTI, hemodiálise, ouvidoria, quimioterapia, radioterapia, transplantes, visita domiciliar e demais atendimentos.

A categoria está inserida no contexto multidisciplinar, ofertando suporte aos pacientes internados ou em espera da terapêutica e encaminhamentos aos órgãos ou serviços requisitados pelos usuários. Articula ainda com a rede de serviços internos e externos a fim de garantir a resolutividade e a integralidade dos serviços prestados, qualificando e humanizando o atendimento.