Aplicativo é desenvolvido para monitorar viajantes e informar a população sobre coronavírus em Tucuruí

App é gratuito, acessível em celulares, tablets, notebooks ou PCs e não ocupa espaço na memória

12/05/2020 18h05 - Atualizada em 12/05/2020 18h57
Por Nailana Thiely (UEPA)

Aplicativo é destinado tanto aos viajantes, estejam eles doentes ou não, quanto aos profissionais e à população em geralUm sistema informatizado com o objetivo de informar a população e monitorar viajantes intermunicipais e interestaduais que transitam em Tucuruí foi uma das estratégias adotadas pela Prefeitura da cidade, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, para minimizar os riscos de proliferação da Covid-19. Pelo aplicativo TUC x Covid 19 é possível obter informações do Ministério da Saúde sobre o novo coronavírus, informações de ações da Prefeitura, bem como informar a procedência (no caso de ser paciente e/ou visitante) de pessoas que chegam à cidade e conseguir acompanhamento online adequado para a doença. 

O aplicativo está disponível no link https://dzsjq.glideapp.io/ e começou a ser desenvolvido em março pelo professor da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Leandro Costa, que também é aluno da Universidade no Mestrado Ensino em Saúde na Amazônia (ESA). Leandro Costa é, ainda, servidor efetivo da Prefeitura de Tucuruí e atua como enfermeiro da Vigilância em Saúde. O Mestrado ESA incentivou Leandro a analisar a situação de risco em que se encontra o município, pesquisar e desenvolver um aplicativo que foi colocado à disposição da Coordenação da Vigilância em Saúde de Tucuruí para aprovação e utilização sem nenhum custo. A Coordenação aprovou a tecnologia, que passou a ser adotada oficialmente pela Prefeitura. 

O monitoramento dos viajantes é realizado durante as abordagens nas barreiras sanitárias, implantadas nas entradas da cidade. O profissional coleta o nome completo e telefones para ligação ou WhatsApp. Em seguida, as informações são repassadas ao setor de Monitoramento da Vigilância em Saúde, responsável por entrar em contato com as pessoas, orientando-as a preencherem um formulário disponível no sistema. Este formulário inclui perguntas sobre a procedência, os sintomas da doença, o tempo de isolamento, o número de pessoas em contato direto, além de informações pessoais gerais do viajante.

A relevância foi identificada depois que a Vigilância em Saúde de Tucuruí percebeu que seria importante monitorar os viajantes que chegavam à cidade, uma vez que este município tem um grande fluxo migratório, recebendo várias pessoas do exterior, de outros estados e municípios. O primeiro caso da doença no município foi o de um paciente que chegou da Europa.  

Para o professor Leandro Costa, a partir desta constatação também percebeu-se a importância de tal monitoramento ser feito de forma remota, para minimizar os riscos de contaminação. “Se um viajante adoecesse poderíamos orientá-lo e encaminhá-lo ao teste rápido. Sendo que assim também poderíamos orientar um viajante que já estivesse doente, quando tomaríamos as medidas cabíveis para cada situação. Isso tem evitado idas desnecessárias à unidades de saúde. No contexto da pandemia, o aplicativo tem sido importante para saber o estado de saúde dos viajantes que, quando incluídos no sistema de monitoramento através do aplicativo, passam a ter à sua disposição, de forma online, as consultas de enfermagem, muito importantes para se saber se é provável ou não que o viajante esteja com Covid-19”, explicou.

O TUC x Covid 19 é um aplicativo do tipo PWA, formato escolhido por ser multiplataforma, acessível em celulares, tablets, notebooks ou PCs. Não importa se o sistema é iOS ou Android, e não precisa de espaço na memória do aparelho. Também não depende de Google Play Store ou Apple App Store para ser acessado, o que torna o acesso extremamente ampliado.  O aplicativo é destinado tanto aos viajantes, estejam eles doentes ou não, quanto aos profissionais e à população em geral, uma vez que também é uma tecnologia móvel informativa, baseada em dados que têm como fonte o próprio Ministério da Saúde.

“Quando o viajante ou um paciente preenche o formulário, a Vigilância em Saúde passa a ter uma ideia de como ele está e entra em contato. A partir daí inicia uma segunda etapa do monitoramento, com o uso de outro aplicativo que desenvolvi e mensagens de WhatsApp”, finaliza o professor Leandro Costa.

No período de 4 de março até esta terça-feira, 12 de maio, 1.453 viajantes foram contabilizados pelo sistema: 18 viajantes internacionais, 243 interestaduais, 1.192 intermunicipais. Desse total, ainda, 105 viajantes eram sintomáticos respiratórios, 950 foram monitorados pelo WhatsApp, 577 responderam ao formulário e 310 não possuíam WhatsApp.