Uepa produz protetores faciais com impressoras 3D para profissionais da saúde

05/05/2020 16h35 - Atualizada em 05/05/2020 16h58
Por Nailana Thiely (UEPA)

Segundo alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS), profissionais de saúde estão na linha de frente da resposta à pandemia de covid-19, expostos a grandes riscos de contaminação que incluem a exposição direta a patógenos. Com a progressão da doença e o consequente aumento da demanda por estes profissionais, a comunidade acadêmica da Universidade do Estado do Pará (Uepa) se mobilizou para realizar mais uma ação de combate ao novo coronavírus: produzir, em larga escala, protetores faciais com viseiras de acetato transparente, conhecidos como máscaras Face Shield, que serão distribuídas aos profissionais da área de saúde ligados à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), atuantes em todo o Pará.

O projeto é uma iniciativa da Rede de Incubadoras de Tecnologia (RITU) e dos cursos de bacharelado em Design e Engenharia de Produção, por meio do professor Rodrigo Rangel. São utilizadas a estrutura da Universidade e equipamentos para modelagem digital e impressoras 3D para a construção das estruturas das máscaras.  Há, ainda, uma parceria com a Gráfica Sagrada Família, para o corte das folhas de acetato, transformado-as em viseiras; e o Redes/Fiepa e a Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), que auxilia na divulgação da iniciativa e na busca por novos parceiros.

As máscaras Face Shield produzidas pela Uepa são compostas basicamente por três componentes:

1- Suportes, modelados pelos professores Alacy Rodrigues e Vinicius Lira, do Departamento de Desenho Industrial (DIND), produzidos em quatro impressoras 3D;

2- Viseiras, obtidas a partir de folhas de acetato;

3- Elásticos do tipo Aurata com furos, cortados e finalizados pela própria equipe de professores envolvidos, que também atuam na montagem das máscaras. Para a impressão dos suportes são utilizados filamentos de Polietileno Tereftalato de Etileno Glicol (PETG), de 175 mm; para as viseiras são empregadas folhas de acetato de 1620 mm x  620 mm x 0,25 mm (L x A x E) e para os elásticos, elástico tipo Aurata com furos de 18 mm.

Para Alacy Rodrigues, pesquisador em Design, a principal relevância da iniciativa é proteger profissionais de saúde e evitar óbitos causados pelo novo coronavírus. "Nesse momento é muito importante tomar decisões que possam contribuir de alguma forma para prevenir o avanço dessa pandemia. O principal objetivo é salvar vidas. É um momento de união de forças em atividades colaborativas. A escassez de oferta desses equipamentos fizeram com que uma equipe de colaboradores tomassem a iniciativa de usar a tecnologia digital de modelagem e impressora 3D para produção desses protetores a serem doados aos profissionais de saúde", ponderou.

Modelo de máscaras Face Shield produzidas na UepaA produção é feita de forma colaborativa e vem sendo planejada há pelo menos três semanas, a partir de reuniões entre Coordenação da RITU, direção do CCNT e Pró-Reitoria de Gestão e Planejamento (Progesp) da Uepa, quando o desafio da fabricação, a princípio, contava apenas com uma impressora 3D. A partir de esforços conjuntos com a Reitoria da Universidade foi possível adquirir mais insumos, necessários à montagem de mil máscaras Face Shield, além da aquisição de mais três impressoras 3D. Deste ponto, iniciou-se um planejamento de elaboração e desenvolvimento de um protótipo que fosse viável de ser produzido, considerando tempo e custos de realização, bem como a qualidade e ergonomia do produto. 

Demandas crescentes e novos projetos

A geração dos suportes teve início efetivo neste mês e a projeção é que ainda esta semana dezenas de máscaras fiquem prontas para serem doadas à Sespa. Segundo o coordenador da RITU, André Melo, a meta é a produção em larga escala, para auxílio no atendimento crescente de demandas dos profissionais da saúde por Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

“Estimamos produzir de 150 a 200 máscaras por semana. Atualmente, com a elevada demanda e baixa oferta por esse tipo de Equipamento de Proteção Individual, dada ainda a sua eficácia em termos redução dos riscos de contágio, a relevância dessa iniciativa deve ser avaliada em função da potencial redução de faltas e baixas por parte dos profissionais de saúde e, por isso, manutenção da capacidade máxima de atendimento à parte da população contagiada pelo vírus, com consequente redução de óbitos”, avaliou.

Além das Face Shields, o coordenador da RITU adiantou que há outras ações de enfrentamento ao coronavírus, como a geração de suportes ergonômicos para utilização em máscaras de tecido, e a formação de kits para montagem de respiradores do Breath4Life Project, projeto colaborativo para criação de ventilador mecânico de baixo custo e fácil replicação em impressão 3D pura ou híbrida com peças usinadas, para auxílio no transporte intra e extra hospitalar e uso em beira-leito de paciente no enfrentamento à pandemia.  

A prioridade, porém, é a produção de máscaras, pela infraestrutura atual disponível. “A única maneira de conseguirmos produzir mais itens, contribuindo ainda mais para a sociedade, seria agregar mais parceiros dispostos a doar equipamentos (impressoras 3D) e demais materiais de consumo necessários para a confecção dos outros itens, como rolos de filamentos PETG ou ABS”, acrescentou André Melo.

As parcerias podem ser efetuadas via fornecimento dos insumos necessários (folhas de acetato de 0,25 mm a 0,50 mm de espessura, carretéis de filamentos de ABS ou PETG, colas tipo bastão e elástico tipo Aurata com furos de 18 mm ou superior de espessura). Propostas podem ser endereçadas a André Melo, pelo e-mail acsmelo@uepa.br e WhatsApp (91) 98124-7664.