Estado quer união de poderes para intensificar o combate à covid-19

Em entrevista a um programa nacional, o governador Helder Barbalho também enumerou as ações já realizadas pelo Estado para ampliar o atendimento à população

30/04/2020 22h53 - Atualizada em 01/05/2020 09h20
Por Carol Menezes (SECOM)

Em entrevista à CNN Brasil na tarde desta quinta-feira (30), o governador Helder Barbalho voltou a pedir união entre os governantes, e afirmou que nenhum conflito político pode ter relevância diante de uma pandemia que já matou mais de 6 mil pessoas em todo o Brasil - 224 só no Pará, até hoje. O governador afirmou que as equipes de saúde estão prontas para a chegada dos respiradores enviados pelo Governo Federal, que vão ampliar a oferta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital de Campanha montado do Hangar, em Belém, onde está a maioria dos infectados pelo novo Coronavírus.O governador Helder Barbalho reiterou que nada é mais importante no momento atual que o combate à pandemiaHelder Barbalho disse que a tristeza pela confirmação do aumento no número de óbitos precisa ser transformada em uma solução construída de forma conjunta, visando à preservação da vida da população, e também da economia. "Tenho visto muita briga política neste momento. Acho que isto não contribui. Temos que ter a responsabilidade de encontrar soluções para o Brasil porque pessoas estão morrendo nas ruas. Temos que dar satisfação, achar solução", reforçou.

A entrevista foi concedida à tarde, quando o Estado tinha 91% dos leitos de UTI ocupados, e 55% dos leitos clínicos. O governador falou da expectativa pela chegada dos 400 respiradores, comprados na China com recursos do Tesouro estadual, e que chegam a Belém em dois lotes, a partir do dia 3 de maio. Atualmente, o Pará conta com 232 leitos de tratamento intensivo.

Helder Barbalho lamentou a falta de resposta por parte do Governo Federal em relação ao pedido de 567 respiradores, o que representa 4% dos mais de 14 mil aparelhos prometidos para todo o Brasil, e equivalente ao percentual de paraenses na população nacional. "Ficaram de nos mandar 60 ainda hoje. Apelei que chegássemos a pelo menos 100, para sair da taxa de mais de 90% de ocupação. Estamos mobilizados em agregar estrutura para aliviar o fluxo e garantir o atendimento", informou.

O Estado vem aumentando o número de leitos para pacientes de Covid-19Mais leitos e médicos - Além dos quatro hospitais de campanha – montados em Belém, Marabá, Santarém e Breves -, totalizando 720 leitos de média e alta complexidade exclusivos para pacientes de Covid-19; da mudança de perfil da Policlínica Metropolitana e do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), todos voltados aos pacientes com sintomas da doença, ele citou a inclusão do Hospital Galileu, em Ananindeua, também na Região Metropolitana, à lista das unidades de referenciadas, agregando mais 98 leitos clínicos e seis de UTI.

Dos 86 médicos cubanos que trabalharam no extinto Programa Mais Médicos, do Governo Federal, que o Estado contratou para reforçar o contingente de profissionais, 15 foram cedidos para atuar nos hospitais de Belém. "Foi o segundo hospital onde ampliamos o atendimento para a Covid-19 em 48 horas. Primeiro foi o Abelardo Santos, que já era referência para os casos graves, e que agora atende também a urgência e emergência. Tudo isso para dar vazão às demandas da população, principalmente de Belém, que encontra as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Unidades Básicas de Saúde (UBSs) sem condições de atendimento", detalhou.

Ainda segundo o governador paraense, "a Prefeitura Municipal de Belém chegou a tentar, judicialmente, impedir que o Abelardo Santos tivesse essa mudança de perfil e depois recuou, e por isso não vou entrar no mérito. O importante é que possamos agir".Unidades equipadas para consultas e exames ampliam atendimento à população

Helder Barbalho demonstrou preocupação em relação ao anúncio de que o plano do Governo Federal de ajuda aos estados, antes orçado em R$ 80 bilhões, caiu para R$ 60 bilhões. Segundo ele, é importante avaliar a proporcionalidade do que será destinado à saúde e o que irá para a economia, se o objetivo for mesmo compensar as perdas de arrecadação. "Vejo uma relação equivocada, e o momento pede equilíbrio, inteligência e responsabilidade política, que nos permita encontrar a melhor solução possível", ressaltou aos jornalistas da CNN Brasil.