Agricultores atendidos pela Emater fornecem 1,5 tonelada de alimentos sem agrotóxicos

Cesta básica in natura é composta por limão, castanha-do-pará, coco, cupuaçu, goma de tapioca e mamão e será destinada para famílias em situação de vulnerabilidade social

23/04/2020 13h15 - Atualizada em 23/04/2020 14h20
Por Aline Miranda (EMATER)

Em plena pandemia provocada pelo novo coronavírus, agricultores atendidos pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Portel, no Marajó, forneceram, esta semana, mais de uma tonelada e meia de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade social.

Ceca de 50 famílias cadastradas em dois Centros de Referência de Assistência Social (Cras) do município (Castanheira e Centro) receberão cestas básicas com limão, castanha-do-pará, coco, cupuaçu, goma de tapioca e mamão. Tudo in natura e cultivado sem agrotóxicos.

“Como é uma circunstância excepcional de pandemia, entregaremos nas próprias residências, para evitar aglomeração e para evitar o risco que o deslocamento das famílias poderia trazer”, explica a pedagoga Cleyciane Souza, coordenadora municipal do PAA e diretora de trabalho e renda da Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social (Setras).

Os fornecedores dos alimentos fazem parte de uma mesma família, composta de 14 adultos na agricultura, entre patriarca e matriarca, filhos e filhas, genros e noras: os Serrim, atendidos pela Emater há mais de dez anos e moradores da comunidade Prainha, na Estrada do Acutipereira. 

A notoriedade maior é da matriarca, Júlia Serrim: migrou da exploração ilegal de madeira para uma propriedade superprodutiva, que reúne agroindústria de beneficiamento de polpa de frutas, turismo rural, produção de farinha, fruticultura e mandiocultura.

Em 2017, foi empossada “Embaixadora da Região Norte” na campanha internacional de empoderamento das mulheres rurais rumo ao desenvolvimento sustentável (#mulheresrurais), organizada pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (ONU/FAO) e pela Reunião Especializada em Agricultura Familiar no Mercosul (Reaf).

“Somos uma mão de obra exclusivamente familiar que prova que a união faz a força e que a assistência técnica e extensão rural públicas fazem toda a diferença. Costumo dizer que o apoio da Emater é um caminho para que a agricultura familiar trabalhe menos, produza mais e ganhe mais, porque a Emater nos traz informação, crédito, tecnologia. Com os recursos do PAA, por exemplo, nosso plano é expandir e qualificar, com sistemas de irrigação" - Júlia Serrim, agricultora atendida pela Emater. 

De acordo com o chefe do escritório local da Emater em Portel, o técnico em agropecuária Jocimar Mendonça, a família Serrim é uma “referência”, um “modelo”. “Em um momento delicado para o mundo inteiro como este, percebemos a importância da produção de alimentos e podemos provar, como Emater e como governo do Estado, que é possível produzir bastante alimento natural, de qualidade, que traz saúde, em espaços da agricultura familiar, espaços pequenos, bastando a tecnologia e aliar o conhecimento tradicional e o extensionismo”, completa.

Para o supervisor regional da Emater no Marajó, o sociólogo Alcir Borges, “a história da Família Serrim é escrita por cada um dos seus membros no cotidiano do campo, nos afazeres domésticos, nas oportunidades de formação e, sobretudo, na perspectiva de dias melhores”, considera. 

Pelo PAA, o fornecimento é mensal, com variação de produtos, a depender da sazonalidade de safra e colheita. Pelo contrato no município, estão previstos produtos como açaí, frango caipira e polpa de frutas, por exemplo.