Entrega da Ponte União normaliza o fluxo na Alça Viária e beneficia a economia paraense

Na terceira série da reportagem, a produção de gado vivo, dendê e grãos, entre outras, volta a ser escoada pela nova estrutura construída em tempo recorde pelo governo do Estado

29/01/2020 20h12 - Atualizada em 30/01/2020 13h20
Por Jackie Carrera (SECOM)

Nova Ponte União vai facilitar exportação da produção paraense de gado em péO Pará é o 5º Estado em volume de exportação no ranking nacional, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio e Exterior. A maior parte de sua produção escoa pelas rodovias que integram as regiões, e pelos rios que cortam nossa geografia. Nesse cenário, as pontes fazem o elo necessário para que a economia siga fluindo bem, gerando emprego e renda para o Pará.

Em abril do ano passado, esse elo ficou comprometido após um acidente que fez desabar 268 metros da terceira ponte da Alça Viária sobre o rio Moju. Mas tudo irá normalizar nesta sexta feira (31), quando será entregue a Ponte União, restabelecendo o fluxo de veículos, cargas e pessoas nesse trecho.

O secretário de Desenvolvimento, Mineração e Energia do Estado do Pará, Iran Lima, reforça a importância da Alça Viária como complexo que permite o transporte dos principais produtos exportadores.

“O compromisso do nosso Estado em restabelecer a trafegabilidade na Alça Viária e a navegação do rio Moju demonstra a importância que o governo dá a essa obra, que é fundamental não só para o Baixo Tocantins, mas também para todas as regiões produtivas do Pará. O trecho dá acesso ao principal porto de exportação do Estado, Vila do Conde, em Barcarena. É por ali que passam os principais produtos, como gado vivo, dendê, soja e milho” - Iran Lima, titular da Sedeme.

Iran Lima, titular da Sedeme, destaca a importância da ponte para o desenvolvimento econômico do EstadoApós o acidente com a estrutura, o governo do Estado tomou medidas urgentes conseguindo minimizar os prejuízos na economia e demais transtornos para a população. “De forma eficiente, o Estado conseguiu intervir rápido, fazendo os acessos tanto de balsa quanto pela PA-252, estrada que foi recuperada para servir de rota alternativa. Agora, com a ponte retornando, o fluxo volta à normalidade”, afirma o secretário adjunto de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Lucas Vieira.

Lucas Vieira e Brenda Caldas, da SedapAgronegócio – O secretário também afirma que todo o setor produtivo está feliz com a entrega da estrutura em tão pouco tempo, sobretudo, os produtores de milho e soja do nordeste paraense (Dom Eliseu, Rondon do Pará, Paragominas, Ipixuna do Pará e Mãe do Rio). Para o mês de fevereiro, está prevista a chegada de navios estrangeiros, que irão carregar os produtos e levar para outros países.

“A ponte se rompeu no início de abril, então, na época, estávamos colhendo a safra de soja e de milho. Por isso, de alguma forma houve prejuízos. Agora, ela será entregue bem antes de começar a colheita da grande safra de grãos e isso vai beneficiar toda a cadeia” - Lucas Vieira, secretário adjunto da Sedap.

Segundo dados da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), divulgados dois dias antes do desabamento da ponte, 1,5 milhão de tonelada de grãos saiu do porto de Vila do Conde, de janeiro a março de 2019.

Pecuária – No Brasil, o Pará é o principal exportador de gado em pé (vivo). Em 2018, foram comercializados US$ 281.515.078 e, em 2019, o volume de exportação reduziu para quase 225 milhões de dólares (224.850.651). 

A diretora Agropecuária da Sedap, Brenda Caldas, explica que parte dessa cadeia ficou prejudicada porque dentro do Estado existem fazendas que ficam próximas da ponte que caiu (Santa Isabel do Pará, Tomé Açu e Mãe do Rio) e utilizavam a via como principal acesso ao porto exportador. Caldas ressalta que o restabelecimento da trafegabilidade normaliza o fluxo da produção na Alça Viária, impactando positivamente na exportação do gado vivo. 

“É preconizado pelo próprio Ministério da Agricultura o tempo de transporte do gado em pé, que deve ser o mais curto possível. Após o acidente, o tempo aumentou. As empresas tiveram que parar um pouco a produção até utilizar a PA-252. Agora em fevereiro, nós vamos ter navios que sairão com nossos produtos para países como Iraque, Líbano e Egito. Então, a trafegabilidade na Alça Viária tende a intensificar. A ponte vai facilitar o escoamento do nosso gado em pé” - Brenda Caldas, diretora da Sedap. 

Com a nova estrutura, cadeia produtiva do dendê volta a ser fortalecida e a produção intensificadaDendê – O Pará também é o principal produtor de dendê do País, com áreas de cultivo que totalizam 207 mil hectares e produção/ano de cerca de 500 mil toneladas de óleo de palma. Ao todo, são 17 usinas em funcionamento no Estado, distribuídas principalmente nas regiões do Baixo Tocantins, Guamá e Caeté. Essa atividade econômica está em pleno período de expansão. Boa parte da produção é exportada pelo porto de Vila do Conde e a Alça Viária é o caminho mais curto para chegar até lá.

f“O dendê não pode ficar muito tempo em trânsito porque pode perder a qualidade, assim como a soja também”, explica a engenheira agrônoma da Sedap, Márcia Tagore. 

A engenheira também ressalta que a entrega da ponte União gera otimismo para o setor, principalmente para os produtores de dendê da região tocantina. “A secretaria está propondo operações de crédito para melhorar e ampliar a produção no Estado e essa resposta rápida na entrega da ponte gera um resultado superpositivo à economia do Pará”, disse Marcia. 

O dendê, atualmente, gera mais de 20 mil empregos no Estado.