Crédito rural de R$ 2 mi deve dobrar a produção de açaí em Igarapé-Miri

Projetos para acesso aos recursos foram elaborados pelo escritório local da Emater no município

30/01/2020 09h44 - Atualizada em 30/01/2020 10h46
Por Aline Miranda (EMATER)

Produtores de açaí de Igarapé-Miri, na região Tocantins, podem receber este ano até R$ 2 milhões de crédito rural por meio de projetos elaborados pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), para aplicar em manejo da várzea.

Os recursos representam o dobro do volume de crédito rural contratado pela agricultura familiar do município no ano passado: um total de R$ 995 mil, somando custeio em investimento. Com as estratégias e ferramentas do manejo, em dois anos e meio, a produtividade dos açaizais ultrapassa um aumento de 50%.

Cerca de 900 famílias vivem do açaí e são regularmente atendidas pela Emater. Elas trabalham em cinco hectares em média, produzindo anualmente duas mil latas do fruto, o que representa algo em torno de 28 toneladas. A maior parte da colheita é vendida de forma direta para fábricas de polpa da região e uma pequena porcentagem para batedores do município.

De acordo com o chefe do escritório local da Emater em Igarapé-Miri, o técnico agrícola Marcelo Souza, “vale saber que o município já possui oito indústrias de beneficiamento de açaí, que absorvem boa parte da produção, em média 90%, além dos mercados institucionais que os produtores têm acessado, como PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar] e PAA [Programa de Aquisição de Alimentos]”, diz.

Os projetos individuais de crédito rural, de R$ 27 mil a R$ 50 mil, dizem respeito a manejo de açaí de várzea para as linhas Floresta e Cis do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com liberação do Banco da Amazônia e Banco do Estado do Pará (Banpará). Estão previstos, também, alguns projetos da linha Mais Alimentos, para açaí de terra firme com irrigação, com o apoio do Banco do Brasil.

Atualmente, a Emater em Igarapé-Miri atende, cadastradas, mais de 1 mil e 700 famílias, que vivem do extrativismo, da agropecuária e da pesca artesanal.