Governo e ONG internacional plantam 20 mil mudas de espécies nativas em Altamira

A recuperação de áreas já alteradas beneficia o meio ambiente e gera renda para produtores na área da Transamazônica

18/01/2020 20h05 - Atualizada em 20/01/2020 08h45
Por Bruna Brabo (SECOM)

A presidente do Ideflor-bio, Karla Bengtson (d), e Jon Chambers, CEO da ONG, plantaram mudas nativasVinte mil mudas nativas do bioma amazônico, entre as quais açaí, ipê, cacau, mogno e cumaru, foram plantadas, neste sábado (18), em uma área rural alterada, no oeste do Pará. A ação, resultado da parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio) e a ONG norte-americana 8 Billion Trees, vai reflorestar 20 hectares de área de influência da Rodovia Transamazônica (BR-230), próximo ao município de Altamira. Com o plantio – a primeira ação da organização internacional na Amazônia -, além da garantia da preservação da floresta e da mudança do cenário existente, cerca de 40 famílias de agricultores serão contempladas com a geração de emprego e renda.

"Essa ação vai mudar nossa realidade. Algumas famílias aqui não possuem condições de fazer um viveiro, com irrigação. Agora, com o apoio do Iderflor-bio, melhorou 100%. Nós temos uma boa muda, uma condição melhor de produção e o treinamento. Então, isso faz toda a diferença”, disse o agricultor Salmo Caetano.O produtor Salmo Caetano está confiante na produção assistida

Oriundo de uma família de produtores agrícolas, Salmo Caetano mora há quase 40 anos na comunidade Assurini, em Altamira. Assim como outros moradores da região, ele já estava descrente diante da falta de incentivo às cadeias produtivas. “Nossa capacidade de produção era pequena, limitada e vagarosa. Mas agora nós vamos produzir de maneira assistida e, com certeza, nossa renda e ganhos virão em menos tempo", ressaltou o produtor.Gerente Regional do Ideflor-bio em Marabá, Keylah Borges ressaltou a expectativa de produção de mudas para este ano

Amor pela região - A presidente do Iderflor-bio, Karla Bengtson, acompanhou o evento e reafirmou o compromisso do Governo em realizar ações de proteção ao meio ambiente. “Nós compreendemos que, com esse projeto, estamos reflorestando todas essas áreas que tiveram alteração. Trazer de volta para o nosso solo espécies nativas da Amazônia torna-se um ato de amor por essa região, de compromisso e respeito pela floresta em pé", ressaltou Karla Bengtson.Equipe do Ideflor-bio e da ONG norte-americana responsáveis pelo projeto de reflorestamento

Hoje, o Pará é responsável por 52% da produção brasileira de cacau e tem a maior produtividade do mundo, com 911 quilos por hectare, enquanto a média nacional é de 500 quilos por hectare na Bahia, segundo maior produtor nacional. O principal polo fica no oeste do Estado, com destaque para os municípios de Medicilândia, Uruará, Altamira, Placas, Brasil Novo, Novo Repartimento, Anapu, Pacajá, Vitória do Xingu e Rurópolis.

Compromisso – Por meio do Projeto Prosaf, que promove a recomposição florestal produtiva em áreas alteradas no Pará, o Ideflor-bio tem proporcionado desenvolvimento sustentável em todas as regiões paraenses. A ação já está beneficiando agricultores e seus familiares em 74 municípios paraenses.

A produção de mudas beneficia famílias de agricultores da regiãoEm Marabá, na região sudeste, o açaí se destaca na produção agrícola. "O açaí é o nosso carro-chefe, seguido pelo cupuaçu e agora, pelo cacau. Então, nos municípios onde se identificam solo e clima favoráveis para a implantação do cacau, a gente tá estimulando. Nós produzimos cerca de 400 mil mudas de cacau em 2019, e a nossa expectativa de plantação para este ano na região sudeste é de 450 mil mudas de cacau e 300 mil mudas de açaí”, informou a gerente Regional do Ideflor-bio em Marabá, Keylah Borges.

Recuperação ambiental – A 8 Billion Trees é uma organização não governamental (ONG) sediada em Las Vegas, nos Estados Unidos, que realiza um importante trabalho de recuperação de áreas alteradas em todo o mundo, por meio de investimentos financeiros feitos com doações de empresas e personalidades internacionais.Jon Chambers destacou que é preciso cuidar da floresta

A empresa já recuperou, sem contrapartida, diversas áreas, e escolheu Altamira para a primeira ação na Amazônia. Para o CEO da ONG, Jon Chambers, o tempo é de agir. "Nós precisamos vir para cá, começar a replantar as árvores para restaurar o meio ambiente, para devolver o habitat aos animais. Nós precisamos cuidar da floresta. Se cuidarmos dela, ela cuidará de nós", afirmou.

A iniciativa usou mudas de açaí, ipê, cacau, mogno e cumaru