Santa Casa implanta sistema para aumentar segurança na transfusão de sangue

Software garante rastreabilidade em todo o processo, desde o controle do estoque até a transfusão

15/01/2020 09h00 - Atualizada em 15/01/2020 11h35
Por Etiene Andrade (SANTA CASA)

Equipamento é usado atualmente também no HemopaRealizando em média 650 transfusões por mês, a Agência Transfusional da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará é a segunda maior em número de transfusões do Estado e será a primeira a contar com o Sistema Banco de Sangue (SBS), um software só usado atualmente pelo Hemopa no Pará e que vai trazer mais segurança a todos os processos, desde o controle do estoque até a transfusão.

Para a médica hemoterapeuta Silvia Teixeira, coordenadora da Agência, a implantação do sistema vai qualificar ainda mais o atendimento prestado aos pacientes. Segundo ela, atualmente, o processo é todo manual, desde a entrada e saída de sangue, passando pelos exames pré-transfusionais e o registro de todas as fases do processo.

“Com a informatização, o serviço vai conseguir garantir a rastreabilidade do produto, vai ter uma segurança maior e facilitar muito a nossa análise de estoque, além de termos alertas de segurança para que não saia nenhuma bolsa que não seja o tipo ABO/Rh (D) compatível para o paciente. Enfim, é uma forma de garantir o aumento da segurança do nosso processo” - Silvia Teixeira, coordenadora da Agência Transfusional da Santa Casa.

A Agência Transfusional estará com o sistema completamente em funcionamento já na próxima semana. Para isso, todos os servidores do setor estão sendo capacitados. “São técnicos, enfermeiros, médicos, farmacêutico, biomédicos e assistentes administrativos. Todos vão manusear o sistema e estão sendo treinados”, garante Silvia Teixeira.

Todos os servidores do Hospital estão sendo capacitados para utilização do novo sistemaA farmacêutica Márcia Basílio passou pelo treinamento e explica como a rastreabilidade vai melhorar a busca do histórico transfusional. “Vamos ter a oportunidade de rastrear tudo pelo sistema, com tudo vinculado: o paciente, a amostra do paciente e a bolsa que saiu pra ele. Então, no caso de uma reação transfusional, isso nos permitirá identificar imediatamente qual é o tipo de hemocomponente que foi transfundido, que está registrado na ficha do paciente, e definir, numa outra necessidade de transfusão, o melhor hemocomponente”, detalha Márcia.

Para o consultor do Sistema Banco de Sangue, André Macedo, outra vantagem do é o fato dele ser codificado num padrão internacional, chamado ISBT128, que permite identificar qualquer doação em qualquer parte do mundo, uma vez que a etiquetagem das bolsas segue uma composição padrão e os códigos dos hemocomponentes seguem uma tabela única padronizada.

“Esse padrão é reconhecido pelo ICCBBA, que é um órgão internacional, que certifica os serviços de hemoterapia ao redor do mundo todo, e já certificou, aqui no Estado, o Hemocentro do Pará, que também usa a mesma plataforma”, diz Macedo.

O SBS também disponibiliza os relatórios técnicos e gerenciais definidos pela Aanvisa. A previsão é que o SBS esteja em funcionamento na Agência Transfusional da Santa Casa até a próxima semana.