Agricultores de Bonito são capacitados em recuperação de nascentes

09/12/2019 11h53 - Atualizada em 09/12/2019 12h23
Por Pryscila Margarido (IDEFLOR-BIO)

Agricultores de três comunidades do município de Bonito, no nordeste paraense, participaram do “Curso de Recuperação de Nascentes”, realizado no período de 25 a 29 do mês passado. A iniciativa é do Projeto Prosaf/Renascente, coordenado pela Diretoria de Desenvolvimento da Cadeia Florestal – DDF do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), que tem como principal objetivo proteger a vegetação nativa.

Ao todo, 20 moradores das comunidades Ramal do Jari e Estiva foram capacitados em mais essa etapa do projeto, que terá continuidade em 2020. O objetivo é recuperar nascentes em propriedades rurais ao longo da bacia hidrográfica do rio Peixe-Boi, que abrange vários municípios da região, como Bonito, Capanema, Peixe Boi, Santarém Novo, Nova Timboteua e Primavera.

“Esses municípios enfrentam vários problemas, principalmente quanto à degradação das Áreas de Preservação Permanente (APP), influenciando diretamente a preservação de suas nascentes, matas ciliares e o rio Peixe Boi”, observou o técnico da DDF, Estevam Coqueiro.

Com duração de cinco dias, o curso foi divido nas etapas teórica e prática, sendo ministrado pela instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Kelly Keiko, juntamente com a equipe técnica do Ideflor-bio. Técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) também contribuíram com as atividades.

Capacitação – Na parte teórica, a capacitação abordou sobre a importância da água; a formação e os tipos de nascentes; legislação, além de mostrar os cinco passos do processo de recuperação das nascentes que, na prática, são: fazer a identificação das nascentes, cercar, limpar, controlar a erosão e replantar espécies nativas na área.

Na capacitação prática, os agricultores visitaram áreas de nascentes preservadas para fazer um contraponto, e nas áreas com nascentes e APP degradadas, os participantes puderam aplicar os princípios da recuperação e proteção.

“O intuito é conscientizar os participantes sobre a importância de preservação no contexto ambiental, econômico e social. A recuperação dessas áreas é de extrema importância para a manutenção dos ecossistemas terrestre e aquático, o que melhora a qualidade de vida do ser humano”, pontuou a presidente do Ideflor-bio, Karla Bengtson.

Projeto – Foi criado pelo Ideflor-bio com o objetivo de utilizar práticas de recuperação de áreas antropicamente alteradas e/ou degradadas, pela ação do homem, sobretudo nas Áreas de Preservação Permanente (APP), de Reserva Legal (RL), nascentes e demais áreas produtivas. Isso é feito através da recomposição florestal com a implantação de Sistemas Agroflorestais – SAF comerciais. As ações garantem segurança alimentar, geração de renda e a redução do passivo ambiental para a agricultura familiar.

A capacitação é parte integrante das ações previstas no projeto. A finalidade é atender a legislação vigente do Código Florestal, Lei Federal Nº 12.651, de 25 de maio de 2012, que estabelece normas para proteção da vegetação nativa.