Educação financeira é valorizada em escolas estaduais paraenses

Prática é adotada no Estado, que é primeiro a integrar o projeto-piloto que beneficiará 108 unidades de ensino no Brasil

10/12/2019 11h04 - Atualizada em 10/12/2019 12h43
Por Igor Oliveira (SECOM)

A professora Oneide Pojo, diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professora Lenira Teixeira Moura, pergunta ao pequeno Maurélio Brito quanto custa o doce que ele gosta. “Um real”, responde o menino, aluno do 1º ano da unidade de ensino. “Se você tem esse dinheiro, quanto doces consegue comprar?”, pergunta Oneide, apontando para a imagem de uma nota no livro do estudante. “Cinco!”, acerta Maurélio, enquanto reconhece o valor de cada cédula e moeda demonstradas no material didático.

Maurélio BritoA lição simples é base para os estudantes aprenderem, nos anos seguintes, noções de educação financeira durante o período escolar. “Quando os pais pedem ao filho para ir comprar alguma coisa na esquina, por exemplo, nem sempre têm noção de como a criança compreende o valor do dinheiro. Às vezes, ela entende que é apenas trocar um papel por outro de cor diferente”, explica Oneide. A coordenadora da escola, Keila Alcântara, complementa que ensinar desde cedo a aplicação da matemática ao reconhecimento do sistema monetário facilita o aprendizado do estudante diante de operações mais complexas, como calcular o desconto oferecido em uma venda.

A preocupação das professoras é alinhada ao objetivo do governo do Pará em ser o primeiro Estado a integrar o projeto-piloto de educação financeira que beneficiará 108 escolas municipais e estaduais em todo Brasil. A ação tem apoio do Ministério da Economia e Banco Central do Brasil (Bacen) e será implementada a partir do Termo de Cooperação Técnica assinado no dia 3 deste mês pelo governador Helder Barbalho e pela secretária de Estado de Educação, Leila Freire. O projeto integra a agenda do "Movimento Educa Pará: todos juntos pela garantia do direito de aprender".

O tema da educação financeira será introduzido no currículo escolar de alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e vai integrar a rotina das demais disciplinas do ensino médio. Para a professora do 5º ano, Rita Marques, a iniciativa é de grande valor por contemplar os anos finais do ensino fundamental. “O aluno costuma sentir muito as diferenças na passagem do 5º para o 6º ano. A quantidade de professores aumenta e a faixa etária – geralmente a partir dos 11 anos – já abrange crianças e adolescentes. Tudo isso interfere no aprendizado, inclusive na educação financeira”, observa. 

Estímulo – Devido às mudanças de ritmo decorrentes da passagem dos anos iniciais (1º ao 5º ano) para os anos finais (6º ao 9º ano) do ensino fundamental, é importante que os alunos trabalhem o reconhecimento de números e cálculos desde as primeiras séries. A professora Suelene Santos enfatiza que o foco é que os estudantes tenham contato com a matemática de modo que exercitem pensamentos rápidos e lógicos.

“A educação financeira é uma dimensão desse ensinamento. Nos primeiros anos, são noções básicas, como somar e subtrair. Depois, vem lições que envolvem divisão e porcentagem, que são aplicadas ao cálculo do preço de um produto, por exemplo”, professora Suelene Santos.

A professora destaca que muitas crianças observam a movimentação de dinheiro pelos pais e se interessam em aprender mais sobre notas e moedas. É o caso de Leandro Almeida, aluno do 5º ano da escola. “Aprendi a pesquisar antes os preços das coisas para aproveitar melhor o dinheiro. Vi um celular e pedi para minha mãe, que é vendedora, mas ela disse que estava caro. Fui ver em outros lugares e percebi que tinha razão. Ela me explicou sobre comprar à vista ou em parcelas, o que eu já tinha visto nas aulas”, conta o estudante, que revela querer saber ainda mais sobre finanças nos próximos anos.

Leandro AlmeidaA coordenadora Keila ressalta que o projeto de educação financeira assinado pelo governo vai estimular crianças e adolescentes a entenderem melhor a relação custo-benefício da compra de uma mercadoria. “É comum que muitos alunos queiram obter algum produto porque acham que assim serão aceitos pelos colegas. Se eles tiverem uma noção consistente das despesas da família, vai ser mais fácil de entender caso não possam fazer a compra naquele momento, além da importância de poupar para gastos futuros”, conclui.

Educa Pará – O projeto de educação financeira no ensino escolar integra o ‘Movimento Educa Pará: todos juntos pela garantia do direito de aprender’, que foi lançado em julho. A ação é desenvolvida por estados e municípios, governo, gestores e educadores para implementar a Agenda da Aprendizagem. A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) vem realizando encontros regionais para discutir e adotar estratégias pedagógicas que coloquem o aluno no centro do debate escolar; e lideranças escolares desenvolvam processos dinâmicos e inclusivos.