Sespa realiza ação alusiva ao Dia Mundial de Luta contra a Aids

Os serviços oferecidos na Praça da República integram a Campanha Dezembro Vermelho, de combate às ISTs

01/12/2019 17h27 - Atualizada em 01/12/2019 18h04
Por Mozart Lira (SESPA)

O uso do preservativo é a ênfase do trabalho de conscientização realizado pelo governo do EstadoPara levar serviços de saúde à população e alertar para a prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e Aids, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realizou neste domingo (1º) uma ação para oferecer testagens gratuitas para HIV, sífilis e hepatites B e C, na Praça da República, em Belém. A atividade iniciou as mobilizações pelo Dezembro Vermelho, mês de alerta e conscientização das ISTs e Aids. A campanha deste ano da Sespa é voltada ao público jovem, entre 15 e 29 anos, com ênfase na importância do uso do preservativo nas relações sexuais.

Alusiva também ao Dia Mundial de Luta contra a Aids – 1º de Dezembro, a campanha será intensificada em todo o Pará com a distribuição de 1 milhão de preservativos masculinos, 40 mil preservativos femininos e 40 mil sachês de gel lubrificante. A mobilização quer ir além de dezembro, e manter o alerta de prevenção, independentemente da ocorrência de mobilizações e períodos comemorativos, como Carnaval e férias de julho.Na ação conjunta 210 pessoas foram atendidas e 840 testes realizados

Só neste domingo, 210 pessoas foram atendidas e 840 testes realizados em uma ação conjunta, que envolveu técnicos da Sespa, da Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Uredipe) e do Laboratório Central do Estado (Lacen). Foram distribuídos na Praça da República 8 mil preservativos masculinos, 200 preservativos femininos e 400 sachês de gel lubrificante.

O atendimento foi feito com o suporte de uma Unidade Móvel da Sespa, onde profissionais de saúde atuaram no aconselhamento para o resultado dos testes. Nenhum caso de HIV foi detectado, mas quatro casos de sífilis e dois de hepatite C já foram encaminhados para tratamento.

Informação - “A campanha tem esse diferencial, e faremos com que seja contínua. Por isso, a Sespa veio à praça, cumprindo seu papel onde o povo está, para oferecer os testes e alertar a população que o fluxo desse atendimento começa na atenção básica e o tratamento está aí”, disse a coordenadora de IST/Aids da Sespa, Andréa Miranda. “Serão informados na campanha os principais sintomas das infecções, de acordo com cada caso. É Importante dizer que as ISTs aumentam em até 18 vezes a chance de a pessoa ser infectada pelo HIV e têm impacto direto na saúde reprodutiva e infantil, pois podem provocar infertilidade e complicações na gravidez e no parto, além de causar morte fetal e agravos na saúde da criança”, complementou.

A Sespa foi à Praça da República levar à população serviços e informações sobre ISTs e Aids

Ainda segundo Andréa Miranda, é importante que a população faça sua parte, se prevenindo ou tratando adequadamente, sem interrupções. De acordo com o protocolo mantido pelo Ministério da Saúde, a pessoa que passou por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido ou compartilhado seringas, deve fazer o teste para detecção do HIV, cujo diagnóstico é feito a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. No Brasil, os exames laboratoriais e os testes rápidos detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos.

Os testes rápidos detectam anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutosNa ação realizada na praça, a aeroviária Carla Almeida, 35 anos, aproveitou a oportunidade para fazer as testagens. "Meu cotidiano é corrido e não tenho tantas oportunidades de ir numa Unidade Básica de Saúde. Uma ação como essa ajuda muito quem trabalha a semana inteira. Gostei muito", declarou.

O universitário Eduardo Santos, 22 anos, também gostou da ação por ser no domingo, dia da sua folga. "Soube por postagens na internet e vim aqui. Durante a semana é mais complicado pra mim porque estudo e trabalho. Com o tempo livre, vim ver como estou de saúde", informou.

Diagnóstico e tratamento - No Pará, o princípio básico para o indivíduo saber se possui alguma IST é se dirigir a uma Unidade Básica de Saúde. Dependendo da rede de articulação do município, a pessoa pode fazer o teste gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em um dos 80 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs) e em 27 Serviços de Assistência Especializada (SAE) em HIV/Aids existentes no Pará, que são vinculados às Secretarias Municipais de Saúde. Os exames podem ser feitos de forma anônima. Nesses centros, além da coleta e da execução dos testes, há um processo de aconselhamento ao usuário, para facilitar a correta interpretação do resultado.

A ampliação desses serviços depende das gestões municipais e, nesse caso, o governo estadual, por meio da Sespa, trabalha como articulador e facilitador, além de discutir as estratégias usadas na prevenção da doença, por meio de treinamento de profissionais das unidades municipais que atuam diretamente com o paciente.Informação e orientação são essenciais na campanha de prevenção às ISTs

As estatísticas de HIV e Aids no Pará tendem a cair, se comparadas ao ano passado. De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, somente no ano passado 2.707 pessoas foram diagnosticadas com HIV, enquanto até 5 de novembro deste ano, outros 1.469 já haviam iniciado tratamento para controle do vírus. No ano passado, 1.348 pacientes manifestaram sintomas da Aids e, até novembro de 2019, outros 657 desenvolveram a doença.

Dado preocupante - Dados epidemiológicos divulgados pelo Ministério ainda demonstram que o uso do preservativo vem caindo com o passar do tempo, principalmente entre o público jovem, e doenças como sífilis ainda são recorrentes. Entre as faixas etárias com maior predominância de casos de HIV e Aids estão entre 20 e 34 anos, seguidas pela faixa entre 35 e 49 anos, e pela de 15 a 19 anos. Atualmente 20.547 pessoas fazem tratamento com antirretroviral para HIV e Aids no Pará. No ano passado, 681 pessoas morreram por Aids no Estado, e até 30 junho de 2019 ocorreram mais 312 mortes.

Em se tratando de sífilis, o mais recente Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, com dados nacionais da doença atualizados até junho deste ano, mostra tendência de queda no cenário no Pará, diante de três classificações: casos de sífilis adquirida, sífilis em gestantes e sífilis congênita – transmitida da mãe infectada para o bebê.Equipe da Sespa mobilizada para as ações do Dezembro Vermelho

Até 30 de junho deste ano, 1.137 novos casos de sífilis adquirida foram registrados no Pará, sendo que no ano passado chegaram a 2.625 confirmações. Entre gestantes, 962 novos casos foram registrados até junho deste ano, enquanto em 2018 o número de casos chegou a 2.039. Os números de sífilis congênita também convergem para queda: em 2018, nasceram 790 bebês com a doença, e até junho deste ano foram 356 casos de sífilis com transmissão de mãe para o bebê.