Polícia Civil investiga prática de golpe financeiro em aplicativo de mensagens

Operação já cumpriu oito mandados de prisão e nove mandados de busca e apreensão, sendo um deles efetuado no estado de São Paulo

29/11/2019 12h35 - Atualizada em 29/11/2019 14h33
Por Igor Oliveira (SECOM)

A Polícia Civil do Pará (PC-PA) iniciou, nesta sexta (29), uma operação para investigar e combater ocorrências de fraudes financeiras realizadas a partir da clonagem de chips de telefonia celular. A operação, denominada “Sim swap”, cumpriu oito mandados de prisão e nove mandados de busca e apreensão – sendo um deles efetuado no estado de São Paulo.

De acordo com a delegada Vanessa Lee Araújo, a quantidade de registros de ocorrência envolvendo a repetição de uma mesma identidade no aplicativo WhatsApp chamou a atenção da polícia. “Verificamos aumento dos números envolvendo clonagem desse aplicativo de mensagens e pudemos estabelecer vínculos entre alguns casos. A partir disso, iniciamos várias investigações sobre o delito”, explica a delegada.

A investigação colheu indícios do envolvimento de funcionários de lojas de aparelhos celulares, que tinham acesso direto aos chips das vítimas, e de empresas de telefonia celular situadas no Rio de Janeiro e em São Paulo – onde era possível o ingresso no sistema que permitia a clonagem da linha telefônica.

Foi constatado que os criminosos, ao terem acesso ao celular da vítima, trocavam a linha telefônica para um novo chip. Com isso, conseguiam controle do perfil de WhatsApp da pessoa. Então, assumindo a identidade da vítima, entravam em contato com amigos e familiares para pedir depósitos de dinheiro em contas indicadas por eles.

“Às vezes a justificativa apresentada era que o cartão de crédito estava cancelado ou já tinha alcançado o limite. As pessoas acreditavam que estavam falando com seus conhecidos e enviavam o dinheiro. A investigação preliminar aponta que, considerando a média de pedidos de transferência para os contatos disponíveis em cada chip duplicado, a quantia obtida por dia pelos criminosos pode chegar a R$ 50 mil, enganando várias vítimas ao longo de todo o território nacional”, destaca Vanessa. Todo o valor depositado era repartido entre os participantes do golpe.

O delegado Sérvulo Cabral observa que é preciso dar atenção às ocorrências de clonagem de whatsapp e ter cautela com pedidos inesperados feitos pelo aplicativo. “É importante que as pessoas, ao receberem mensagens supostamente de um amigo ou um parente solicitando transferência de valores, tentem antes entrar em contato por outro canal de comunicação e confirmar a identidade daquele contato”, recomenda.

A operação prossegue com a apuração das informações coletadas no inquérito policial e de outros boletins de ocorrência relacionados à investigação.