Governo do Pará assume compromisso de reduzir em 30% a mortalidade materna

08/11/2019 20h02 - Atualizada em 12/11/2019 09h21
Por Roberta Vilanova (SESPA)

Secretário de Saúde, Alberto Beltrame, debateu estratégias a serem seguidas pelo governo e prefeituras municipais do EstadoO Pará pretende reduzir a mortalidade materna em 30% no primeiro ano de implantação do Pacto pela Redução da Mortalidade Materna, informou o secretário de Estado de Saúde Púbica, Alberto Beltrame, nesta sexta-feira (8), no auditório do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém, onde foram apresentadas e debatidas as estratégias a serem seguidas para o cumprimento do Pacto, firmado entre o governo do Estado e prefeituras municipais do Pará. O evento reuniu gestores de saúde, servidores e representantes de universidades.

Com a assinatura do Pacto, os gestores municipais se comprometem a desenvolver ações para reduzir em 30% a mortalidade materna, como garantir às mulheres o acesso ao pré-natal qualificado, à assistência ao trabalho de parto, parto e pós-parto, e ao planejamento reprodutivo, além de garantir serviços já previstos na portaria do cofinanciamento da Atenção Primária em Saúde.

Além do secretário Alberto Beltrame, participaram da solenidade de abertura a representante da Organização Pan-Americana de Saúde, Socorro Gross; a secretária municipal de Saúde de Santarém e representante do Conselho de Secretários Municipais de Saúde, Dayane Lima; a diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde da Sespa, Sâmia Borges, e a secretária adjunta de Gestão de Políticas Públicas, Ivete Vaz.

Decisão - Alberto Beltrame lembrou que, em 2017, foram registradas 119 mortes maternas, o que significa uma a cada três dias. “Portanto, nós, como sociedade, precisamos encarar esse desafio, porque a decisão, que é o mais importante, já foi tomada pelo governador Helder Barbalho, que, diante desses números, assumiu o compromisso e propôs o Pacto pela Redução da Mortalidade Materna, envolvendo os municípios e toda a sociedade paraense nessa tarefa”, destacou.

Evento reuniu gestores de saúde e representantes de universidadesPara o secretário, toda a sociedade precisa estar unida em torno desse objetivo e mudar a realidade muito rapidamente, por meio da mobilização e cooperação das pessoas em torno de um objetivo comum: zerar a morte materna. “Esse é o objetivo final”, reiterou o titular da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

“Se conseguirmos 30%, são 30 mulheres a menos mortas desnecessariamente. Então, quanto mais rapidamente a gente agir, mas rapidamente teremos resultados e vamos mudar a realidade tão triste da morte materna no Pará”, afirmou o secretário, enfatizando, mais uma vez, que a morte de uma mãe é a mais devastadora, porque desestrutura toda a família.

Visibilidade - Alberto Beltrame também agradeceu a parceria da Opas/OMS, que além de trazer conhecimento, tecnologia, ações e estratégias, dá visibilidade aos resultados que o Pará tem que alcançar.

O secretário disse ainda que o combate à mortalidade materna terá reflexos na mortalidade infantil nas primeiras 24 horas após o nascimento. “Portanto, não pensem apenas na mãe; pensem na mãe e filho”, enfatizou o secretário, acrescentando que “nada pode nos impedir de fazer um avanço em direção à civilização. É a luta da civilização contra a barbárie. A barbárie é permitir mulheres grávidas morrerem. A civilização é fazer o que nós precisamos fazer para que isso não aconteça. Que as mulheres possam engravidar e gerar seus filhos em paz e segurança. Isso é o mínimo que uma sociedade precisa assegurar para os seus cidadãos”.

A diretora de Políticas de Atenção Integral à Saúde da Sespa, Sâmia Borges, informou os índices de mortalidade materna nos últimos três anos: 119 em 2017; 91 em 2018 (ainda não fechado) e 74 em 2019, até o momento. “Não são apenas números. São mulheres, são famílias e são crianças que deixaram de ficar com suas mães”, frisou a diretora.

Ela disse ainda que, durante o evento, a Sespa apresentaria as estratégias que o Estado conduzirá com os municípios, que por meio de trabalho em grupo seriam definidas as estratégias mais apropriadas para cada Região de Saúde do Pará.

Apoio dos municípios - A representante do Cosems, Dayne Lima, que é secretária de Saúde de Santarém, disse que o governo do Estado pode contar com o apoio dos municípios. “Você fortalecer e se dedicar a diminuir o índice de mortalidade materna é muita coragem e muita determinação. Não é para qualquer um”, afirmou, ressaltando que os municípios também se dispuseram a assinar o Pacto, por isso o governo estadual pode contar com a parceria dos gestores municipais nessa luta.

Socorro Gross, representante da Opas/OMS, lembrou que gravidez não é doença. “Gravidez significa o desenvolvimento de uma sociedade e de um País”, reiterou. Segundo ela, mudar a realidade da saúde da mulher e da criança é complexo quando não há união de todas as partes. Mas, afirmou, o Pará tomou a decisão certa, e isso significa uma grande mudança. “Nós temos convicção na Opas que o Pará vai mostrar ao Brasil e ao mundo que, quando há decisão da sociedade, uma realidade pode ser mudada em pouco tempo”, disse Socorro Gross.

Segundo ela, o Pará pode contar com o apoio da Opas/OMS, e o “Brasil tem que ser conhecido também pelo seu Sistema de Saúde, esse SUS integral, equitativo e universal, único no mundo”.

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