Aulões promovidos em escolas públicas auxiliam na preparação para o Enem

Estudantes da rede pública foram maioria entre os calouros do Processo Seletivo/2019 da UFPA

07/11/2019 14h13 - Atualizada em 07/11/2019 16h57
Por Leidemar Oliveira (SEDUC)

Historicamente, a escola pública sempre aprovou menos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do que as unidades da rede particular. Mas, essa realidade vem mudando. De acordo com a Universidade Federal do Pará (UFPA), alunos da rede pública de ensino foram maioria entre os calouros do Processo Seletivo/2019 da instituição. Estudar para o Enem e batalhar por uma vaga na universidade ainda é o sonho de milhares de estudantes com menor renda. Na periferia de Belém, eles são a quase totalidade entre os que buscam aprovação no Enem deste ano.

Hudson Alves, de 18 anos, sabe bem o que é estudar com dificuldades. Natural de Bragança, ele está morando em Belém, na casa de familiares, para concluir o ensino médio e tentar ingressar na universidade. É na Escola Estadual Renato Pinheiro Conduru, no conjunto Paraíso dos Pássaros, área periférica de Belém, que ele se prepara para a prova de domingo (10). 

Os aulões eram direcionados às turmas do 3º ano da escola e tratavam especificamente dos assuntos com maior incidência no Enem. “Nos aulões, fomos instruídos e direcionados a fazer uma boa prova e, de fato, caiu na prova tudo o que escola nos capacitou”, comenta. O futuro educador físico está confiante para a segunda etapa do exame. “Apesar de algumas dúvidas em exatas, continuo estudando e aprendendo. Farei uma boa prova, tenho certeza!”, enfatizou.

João Brito, de 47 anos, é aluno da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e voltou à escola, após 40 anos sem estudar. O auxiliar de cozinha hospitalar chega à escola Estadual Aldebaro Klautau, no bairro do Tapanã, à noite, após um dia inteiro de trabalho. Mas, é na sala de aula que ele acalenta o sonho de entrar para a universidade pública, por meio do Enem. “As dificuldades existem, mas aprendi com elas que a gente pode batalhar e conquistar. Se a gente quiser um trabalho melhor tem que estudar e essa será a minha próxima conquista”, garante.

O estudante Daniel Cordeiro, da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Brigadeiro Fontenelle, no bairro da Terra Firme, em Belém, garantiu a inscrição. O jovem de 20 anos, que concorre à vaga no curso de pedagogia, estabeleceu uma rotina intensa na preparação para a prova. Durante a manhã, ele vai para a escola, à tarde, trabalha como jovem aprendiz e à noite vai para o cursinho preparatório localizado no bairro. Daniel conta que foi com o incentivo de professores e da família que resolveu se inscrever. 

″Comecei a me interessar pelo Enem no ano passado. A escola vem incentivando todos nós a participar da prova e entrar na faculdade. A minha família também me incentivou bastante nessa decisão″, relata Daniel Cordeiro.

Daniel é morador do bairro da Terra Firme, um local conhecido de forma negativa pelo alto índice de criminalidade, principalmente entre os jovens. Neste ano, boa parte dos estudantes de escolas da periferia se inscreveu no exame. "Nós, jovens, pobres e da periferia, somos taxados de criminosos, sofremos preconceitos diariamente. E é ocupando as cadeiras das universidades que vamos mudar isso", afirma.