Feira fortalece posicionamento estratégico do Pará no mercado de turismo

18/10/2019 18h28 - Atualizada em 18/10/2019 19h02
Por Israel Pegado (SETUR)

Especialista em Turismo e Marketing de Destinos, Jeanine Pires ministrou a palestra magna da 9ª FitaComo se diferenciar enquanto destino turístico? Como inovar no setor? Como oferecer, de fato, produtos atraentes ao turista? Entre as autoridades públicas, empresários e profissionais presentes à noite de lançamento da 9ª edição da Feira Internacional de Turismo da Amazônia (Fita), na quinta-feira (17), no Hangar, em Belém, Jeanine Pires, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), responsável pela palestra magna do evento, apontou alguns caminhos e alternativas que podem contribuir com o posicionamento estratégico do Pará no mercado turístico nacional e internacional. A Feira vai ocorrer em abril de 2020, mas já vive sua primeira etapa, denominada Módulo do Conhecimento, com a presença de operadores de turismo, agentes de viagem e jornalistas do Brasil e do exterior.

“O primeiro motivo para se diferenciar é o local onde a Fita se realiza. Estamos (na Amazônia), e eu sempre digo, num produto estrela do Brasil. A região amazônica tem um valor muito especial, não só por aquilo que ela representa como produto turístico em si, mas pelo seu valor ambiental, social, cultural e por tudo que tem de brasilidade”, afirmou a especialista em Turismo e Marketing de Destinos.

De acordo com Jeanine Pires, a realização da Fita fortalece, sobretudo, o Estado do Pará, e também pequenas cidades e localidades com atividade turística. Entretanto, ela pondera a necessidade de atualização, de mudança na forma como se cuida do cliente, incluindo as mudanças tecnológicas. “É preciso mudar completamente o foco do negócio no Brasil, o que nós estamos demorando a fazer. O nosso foco tem que estar no turista, e não no nosso negócio. A experiência do turista é o que mais vale. É nele que devemos introduzir novas tecnologias. É com ele que temos que cuidar de personalizar o destino. É para o turista que nós vamos direcionar todas as atividades, para que a imersão que ele faz dentro do destino possa, de fato, ser uma experiência transformadora na vida dele”, explicou a especialista, ao abordar as mudanças que estão ocorrendo no mundo do turismo.

Bruno Wendling, do Mato Grosso do Sul, destacou a importância de trocar experiências com o ParáPara Bruno Wendling, que ocupa a presidência da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur) e do Fórum Nacional de Dirigentes do Turismo (Fornatur), é importante conhecer um evento já consolidado, entender como o Pará está pensando o mercado e trocar experiências.

Parceria regional - Ele também destacou a possibilidade de trabalho conjunto do Pará e Mato Grosso do Sul para potencializar a oferta de produtos ao mercado. “Por mais que a gente tenha diferenças de culturas regionais, temos alguns segmentos que são trabalhados de forma muito parecida. O Pará tem um belo bioma, que é a Amazônia, e o Mato Grosso do Sul tem um belo bioma, que é o Pantanal. Então, temos ações que podem convergir. É totalmente possível pensar em rotas turísticas integradas, que hoje é a dinâmica, principalmente do turismo internacional. É muito salutar porque diversifica a oferta e aumenta a competitividade num mercado mundial diverso. Quanto mais diversidade e produtos de qualidade únicos, com experiências únicas, exclusivas, maiores as chances de ofertar uma experiência de turismo inesquecível”, garantiu Bruno Wendling.

Segundo André Dias, secretário de Estado de Turismo do Pará, a Fita é um instrumento essencial para esse posicionamento estratégico do Estado. “A Feira é fundamental para que, primeiramente, a gente possa comercializar os produtos que compõem o nosso destino, tanto de Belém quanto do interior do Pará, junto aos considerados buyers (compradores do setor), e também para que os demais estados e países da Amazônia internacional possam promover e vender seus produtos turísticos e comercializar seus destinos para essa ampla rede de negócios e serviços que compõem a cadeia turística”, ressaltou o titular da Setur.Para o secretário de Turismo, André Dias (c), é fundamental comercializar os produtos que compõem o destino Pará

Jeanine Pires também destacou a situação atual que o País vive no cenário internacional e os reflexos para a Amazônia. “O Brasil vive um momento difícil no exterior, porque nós estamos há algum tempo sem um trabalho contínuo de marketing internacional. Há, na verdade, uma ausência de posicionamento. Alguns fatores que têm impactado negativamente a nossa imagem. E acho que a região amazônica é afetada neste sentido, pois o que acontece aqui reverbera, e é reproduzido no mundo inteiro pela importância que tem para a biodiversidade nacional, mas, sobretudo, mundial, e a nossa responsabilidade acaba aumentando. É preciso que, ao mesmo tempo, a gente mude a nossa realidade e comunique para o mundo aquilo que estamos fazendo. E esse é um trabalho árduo. Muitas vezes uma notícia negativa destrói dezenas de anos de trabalho. E você precisa recuperar isso, em especial, na área de relações públicas e de comunicação, pra esclarecer e, de fato, posicionar as nossas belezas, a nossa autenticidade e aquilo que o turista pode fazer em nosso País”, afirmou.

“O lançamento da Fita tem um papel muito grande, que é preparar as pessoas no sentido do conteúdo, daquilo que elas vão poder desenvolver juntas e trocar experiências durante a realização do evento”, concluiu Jeanine Pires.

Solenidade de abertura da 9ª Fita no Hangar - Centro de Convenções da Amazônia