Hospital do Marajó vai até a comunidade para alertar sobre suicídio

18/09/2019 12h43 - Atualizada em 18/09/2019 14h18
Por Jéssica Ayres (HRPM)

Mais de 150 estudantes participaram da palestra ministrada pela equipe da unidade de saúdeEm Breves, o Hospital Regional do Marajó (HRPM) está firmando parcerias junto às instituições de ensino locais para colaborar com orientações sobre a importância da manutenção da saúde mental. As ações fazem parte do Setembro Amarelo, mês que marca a luta mundial contra o suicídio e busca a prevenção de uma das principais doenças que acomete pessoas de todas as idades, no mundo todo: a depressão.

A Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio Santo Agostinho é uma das instituições engajadas na campanha. A psicóloga do Hospital Regional, Fabrina Galúcio, realizou na manhã de terça-feira (17), palestra sobre o tema para mais de 150 estudantes. A adolescente de 16 anos, Anelise Cristine da Silveira, que cursa o segundo ano do ensino médio, destacou a importância da ação.

“Muitas pessoas não tocam no assunto por achar que vão influenciar outras a cometer o suicídio, não entendem, acham que é bobeira. Por isso, é muito importante falar sobre isso. Muitas precisam de um tratamento adequado ou a doença vai afetar gravemente o ser humano”, acredita.

Para o vice diretor do colégio, Walterno Câmara, a primeira medida preventiva é a educação. Ele também ressalta a necessidade de perder o medo de falar sobre o assunto. “Nós temos muita carência na área e uma demanda muito grande de casos e situações que ocorrem na escola e que necessitam de acompanhamento de um profissional. Só o fato de termos essa palestra com os alunos, já temos um efeito muito positivo na vida deles. Se tivéssemos a presença diária, se pudéssemos ter um acompanhamento, um atendimento, acredito que seria melhor ainda. É necessário falarmos sobre o suicídio”, diz.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas. A prevenção é fundamental para reverter essa situação, garantindo ajuda e atenção adequada, fato que a estudante Creunice de Carvalho,17, concorda.

“A gente vê muitas pessoas, às vezes do nosso convívio, passando por situações que nem imaginamos. A pessoa tá pedindo ajuda e nós não conseguimos ver. Tem jovens que têm vergonha de falar, são tão extrovertidos, brincalhões e ninguém percebe que tá passando por uma barra. A gente precisa quebrar esse tabu, precisamos falar, debater, buscar formas de ajudar e prevenir”, destacou a jovem estudante.

Psicóloga do Hospital do Marajó, Fabrina GalúcioFabrina Galúcio destacou, durante toda sua palestra, a necessidade de cuidar da saúde mental. “É essencial cuidar da vida”, ressalta a psicóloga, que vem destacando isso pelas escolas do município, com o intuito de alcançar o maior número de jovens. A profissional destaca alguns pontos que devem ser levados em consideração. “Não existe saúde integral se não houver saúde mental estruturada. Infelizmente, tratar sobre o suicídio ainda é um tabu, mas é preciso persistir, compartilhar informações, esclarecer, estimular o diálogo, e quem sabe assim, salvar muitas vidas”, disse.

No começo do mês, profissionais da unidade de saúde estiveram também na Escola Estadual Elizete Nunes, onde foi ministra palestra sobre o movimento Setembro Amarelo para cerca de 40 alunos.

Público – Além das ações de educação em saúde junto à comunidade, o Hospital do Marajó também tem programação interna voltada aos colaboradores, usuários e seus acompanhantes, durante todo o mês, com realização de palestras sobre o tema, ministradas pela coordenadora de Recursos Humanos (RH), a psicóloga Jéssica Vieira. Ao final, os participantes são incentivados a deixar mensagens de motivação.

Agenda – Outros eventos já estão programados: na quinta-feira (19), é a vez dos alunos da Escola Estadual Maria Câmara Paes; dia 27 de setembro, a equipe do hospital estará no Centro Educacional de Desenvolvimento Profissional (Cedep) da Escola de Ensino Fundamental Bom Jesus, que promoverá a I Ação de Combate às Drogas, Suicídio e Depressão.

Dados – De acordo com a coordenação nacional do “Setembro Amarelo”, hoje, 32 brasileiros se suicidam diariamente. No mundo, ocorre uma morte a cada 40 segundos. Aproximadamente, 1 milhão de pessoas se mata a cada ano. Sabe-se que os números são muito maiores, pois a subnotificação é reconhecida. Além disso, os especialistas estimam que o total de tentativas supere o de suicídios em pelo menos dez vezes.

Serviço:
O Hospital Regional Público do Marajó é uma unidade do Governo do Pará que oferece atendimento ambulatorial de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, e está localizado na Avenida Rio Branco, 1.266, Centro, na sede municipal de Breves. Mais informações: (91) 3783-2140/ 2127.