Operação desarticula esquema de corrupção que vendia veículos roubados

29/08/2019 17h04 - Atualizada em 30/08/2019 09h58
Por Luiz Cláudio (PC)

delegado geral da Polícia Civil mostra o material apreendidoA Polícia Civil concedeu entrevista coletiva, nesta quinta-feira (29), no prédio da Delegacia-Geral, em Belém, sobre a operação “Tártaro”, que desarticulou um esquema de corrupção envolvendo servidores do Departamento de Trânsito do Estado (Detran), despachantes e pessoas investigadas pela venda de lacres e placas automotivas, para posterior revenda de veículos. Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e nove de prisões preventivas. Na ocasião, oito pessoas foram presas em Belém e região metropolitana.

Dentre os presos estão José Raimundo Borges Costa, Edson Sousa dos Santos, Valdecy Barros Almeida, Fábio Pereira de Freitas e Antônio José Maia Gonçalves, que são servidores do Detran; Clarence Neves Coelho, conhecido por “Bono”, e Patrício Siqueira Barros, conhecido “Geleia”, acusados de serem receptadores; e Jeová de Jesus Silva, que seria despachante.

A operação foi coordenada pelo Núcleo de Inteligência da Polícia Civil (NIP) e contou com 22 equipes formadas por cerca de 80 policiais civis. Participaram da ação as diretorias de Combate à Corrupção (Decor), Polícia Metropolitana (DPM), Polícia Especializada (DPE) e Grupo de Pronto-Emprego (GPE). A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) foi quem iniciou a investigação. A operação foi denominada “Tártaro” pelo fato da atividade ilícita já ocorrer no Detran desde as gestões anteriores.

“Nas investigações, foram constatadas as fraudes, entre elas, vendas de lacres e recebimento de propina nas vistorias veiculares. A parti daí, houve apuração, conseguindo chegar na autoria dos crimes, que, logo após, foram representados ao Poder Judiciário”, ressaltou, durante a entrevista, o delegado-geral Alberto Teixeira.

Lacres, selos, placas e outros materiais foram apreendidosO delegado da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), Artur Carlos Júnior, que comandou a investigação, explicou que, o setor de inteligência do Detran sinalizou para a equipe de polícia sobre os crimes suspeitos. O aviso coincidiu com as investigações que a DRCO já vinha fazendo há cerca de três anos.

Segundo o diretor de Polícia Especializada (DPE), delegado Sérvulo Cabral, os crimes envolvendo furto e roubo de veículos automotores sempre tem por trás uma atividade criminosa, para “esquentá-los”, fazendo com que voltem a circular normalmente no mercado.

“Por trás desse tipo de crime, sempre há uma rede criminosa que faz o carro ou a moto parecer supostamente legal. Isso possibilita que o veículo possa circular novamente. Ninguém furta ou rouba para acumular e manter para si certa quantidade de veículos, pois fatalmente a polícia chegará ao veículo roubado”, destacou. “A desarticulação desse esquema de corrupção faz com que o número de roubo e furtos de veículos caiam grandiosamente”, afirmou.

Diligências foram realizadas em residências de acusadosOs acusados responderão pelos crimes de peculato, furto, associação criminosa, receptação e inserção de dados falsos em sistema.