Portal do Conhecimento celebra cultura da paz nas ruas do Guamá

23/08/2019 15h51 - Atualizada em 23/08/2019 18h43
Por Ailson Braga (IOE)

Estudantes, professores e moradores foram às ruas do Guamá nesta sexta-feira (23) para celebrar as culturas da paz e do conhecimento em um cortejo que contou com música e bikes da diversidade homenageando escritores paraenses, com distribuição de livros para a comunidade. A Rua de Leitura marcou o lançamento oficial do projeto Portal do Conhecimento (antigo Livro Solidário), ação da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), dentro do Programa Territórios pela Paz (TerPaz), do Governo do Estado, envolvendo as escolas estaduais Governador Alexandre Zacharias de Assumpção e Barão de Igarapé-Miri, no bairro do Guamá. O Portal do Conhecimento trabalha uma política de acesso ao livro e à leitura por meio da doação de livros, mas também sensibiliza os estudantes para o contato com a literatura, aproximando os escritores do público estudantil.

Estudantes participaram do lançamento oficial do Projeto Portal do ConhecimentoAlém da programação cultural, a Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) ofereceu oficina de escovação para alunos da Escola Estadual Barão de Igarapé-Miri e o Instituto Embelezze promoveu cortes de cabelo para a comunidade em geral. O projeto faz parte da programação da Ioepa na 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, e, entre outras coisas, levará às escolas escritores que vêm a Belém para participar da Feira, aproveitando a presença desses autores no evento, em uma ação chamada Pan nas Escolas.

A Rua de Leitura teve espaço para valorização de quem faz arte no bairro. Uma exposição fotográfica mostrou o trabalho de mestres da cultura popular, grupos de música, de dança, de carimbó e de rap se apresentaram, para alegria de uma plateia jovem e animada. Além disso, a história do bairro foi contada por estudantes da Escola Estadual Zacharias de Assumpção em forma de uma maquete dentro do projeto Guamemória. O aluno Caio Vinícius Barbosa contou que o projeto Guamemória existe há quatro anos na “Zacharias de Assumpção” e que tem o objetivo de resgatar a memória do bairro, sua origem e falar da Belém do século do passado, especialmente a partir do século 19. “O Guamá surgiu a partir da ocupação da população negra que se instalou em volta do leprosário que havia às margens do Tucunduba e se desenvolveu com a chegada das pessoas empurradas pela especulação imobiliária, devido à valorização dos terrenos na área central da capital paraense no período da exploração do látex. Então houve a necessidade das pessoas pobres virem para as áreas periféricas”, explicou o estudante da “Zacharias de Assumpção”. 

Autoprotagonismo - Raimundo de Oliveira, coordenador do Espaço Cultural Nossa Biblioteca e professor de História da Escola Barão de Igarapé-Miri, destacou a importância da leitura na vida das pessoas. “O filho da doméstica só será doutor se ele tiver acesso ao livro. Sem isso ele nunca será. Lendo você cria esperança, cria a capacidade de dominar seu próprio destino. Assim, o nosso espaço quer dar empoderamento à comunidade, quer fornecer cultura e conhecimento aos nossos moradores. Temos que dar aos jovens o que eles querem, que é a música, a dança, o teatro, a leitura, porque o jovem é que tem o futuro nas mãos e ele precisa participar e entender que as pessoas precisam ter oportunidades para crescer e mudar o mundo”, opinou Raimundo de Oliveira. Ele avaliou a manifestação cultural da Ioepa como sendo um primeiro passo para a valorização da comunidade, mas alertou que muito ainda precisa ser feito dentro do TerPaz para que os bairros que farão parte dessa política mudem efetivamente . “É preciso ver as coisas boas de nosso bairro, de todos os bairros. Não vamos colocar o Guamá de forma negativa, mas valorizar o que esses locais têm de bom. E o jovem que desfruta da escola, por exemplo,deve entender que não pode destruir o patrimônio dele, que ele tem de ser o primeiro a defendê-lo. Isso passa por uma construção de uma autoestima, que o TerPaz deve trabalhar também”, argumentou o coordenador da Nossa Biblioteca.

Trabalho coletivo - Ellana Fiama, coordenadora do Portal do Conhecimento, viu a ação da Ioepa e seus parceiros como uma vitória da comunidade. “O que estamos vendo aqui, hoje, é o resultado de uma parceria; é a prova de que o trabalho coletivo funciona. O cortejo serviu para dar uma visibilidade à ação. A comunidade do Guamá respondeu bem ao nosso evento”, opinou a coordenadora do Portal do Conhecimento.

 Para ela, tudo o que foi planejado estava acontecendo a contento. Tanto o público estudantil como a comunidade foram contemplados. “A gente tem a satisfação de ver que esse dia que foi feito para promover a cidadania e a cultura está ocorrendo bem. E mostrar que aprender, que ler, que obter conhecimento são coisas dinâmicas; e que quando se fala em biblioteca não é aquela coisa fechada, mas uma forma alegre de aprender, de melhorar a vida” , disse Ellana Fiama.

Ela lembrou que o Portal do Conhecimento estará no estande da 23ª Feria do Livro com sarau lítero-musical, rodas de conversas, cafés filosóficos e oficinas. Haverá uma caixa para recebimento de doação de livros e outra do Pegue-Livro, que é dedicado à troca e circulação de obras literárias. Ellana Fiama destacou que a doação de livros pode ser feita por telefone (91) 4009-7847 e por e-mail (portaldoconhecimento@ioe.pa.gov.br). O estande da Imprensa Oficial tem como tema deste ano "Criança, paz e conhecimento".