Polícia Civil apresenta resultados da maior operação em combate à violência sexual contra crianças e adolescentes

08/08/2019 16h45 - Atualizada em 09/08/2019 00h32
Por Luiz Cláudio (PC)

 A Polícia Civil do Pará apresentou, nesta quinta-feira (08), em entrevista coletiva à imprensa, na Delegacia Geral, em Belém, os resultados finais da operação "Resgate Marajó" deflagrada na última segunda-feira(05), em municípios da região do Marajó Oriental, para cumprir mandados de prisão de pessoas investigadas por práticas de abuso sexual de crianças e adolescentes.

Ao todo, 20 prisões foram realizadas na operação que é considerada a maior da história do Estado do Pará, em relação a casos de abuso e exploração sexual, na região da Ilha do Marajó. 

 A ação foi realizada pelas delegacias vinculadas à superintendência do Marajó Oriental, sob coordenação da Diretoria de Polícia do Interior (DPI), sob comando do delegado titular José Humberto Melo Junior, titular da DPI. Durante a operação, fez-se necessário uma logística diferenciada, já que os deslocamentos ocorreram pelos rios da região. 

A Polícia Civil, através da operação “Resgate Marajó”, vem se sensibilizando com a região do Marajó Oriental, investigando os crimes de exploração sexual e estupro de vulneráveis. "Por meio de um trabalho estratégico, a Polícia Civil, vem reprimindo este tipo de crime na região, uma vez que a demanda tem sido muito grande", disse o delegado Rayrton Carneiro, diretor de Polícia do Interior.  

Para o Superintendente da Região do Marajó Oriental, delegado Rodrigo Amorim, a resposta da Polícia Civil para esse tipo de crime foi grandiosa e larga, além  de importante para as pessoas daquela região e a sociedade como um todo.

A participação do Ministério Publico foi de fundamental importância para a investigação policial e a elucidação dos crimes, assim como o apoio dos demais órgãos de proteção que participaram diretamente, como o Instituto Médico Legal (IML) do Centro de Perícias Renato Chaves, com as perícias técnicas, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), por meio das escutas e encaminhamentos das vítimas, e demais redes como um todo. 

“Esse tema jamais deve ser tratado como tema cultural, pois o combate ao abuso e à violência sexual no marajó tem sido tratado de uma forma sensível, combatido dia após dia, com um olhar diferenciado sobre essa questão da repressão contra esse tipo de crime, onde a maioria dos abusadores vem de dentro da família, explica”

A titular da Delegacia Especializada no Atendimento á Mulher (DEACA/DEAM) do município de Soure, delegada Thiciane Maia, explica, que embora toda regional tenha sido mobilizada para essa operação, é importante ressaltar que esse tipo de crime não é tão simples de se entender, e como o trabalho vem sendo investigado dentro de uma região, como a do Marajó Oriental, que tem um alto índice de vulnerabilidade social, de todos os tipos, o desafio aumenta devidos às peculiaridades da região, dentre eles os meios de deslocamentos e as localidades afastadas, o que exigiu todo um planejamento da equipe para chegar até os acusados, destaca.

Para a delegada, o estupro de vulnerável, necessariamente não precisar obter a conjunção carnal e atos libidinosos para ser detectada, pois o relato da criança, os detalhes em consonância com a pericia técnica, já revelam bastante em relação ao abuso sexual. “Muitas crianças desconhecem os atos sexuais, e por meio dos relatos e exames, nós adultos, conseguimos identificar o abuso claramente". 

Diante da situação o CREAS é acionado para auxiliar nesses casos, por meio de escuta especializada com as vítimas, encaminhamentos  para as vitimas virem até a capital paraense, para posteriormente realizarem os exames periciais. 

Durante as investigações a DEACA/DEAM e o CREAS realizaram uma campanha, onde houve uma semana de mobilização no combate ao Abuso e à  Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, finaliza.