No Pará, ação no aeroporto encerra evento nacional contra o tráfico de pessoas

01/08/2019 17h32 - Atualizada em 01/08/2019 18h30
Por Claudiane Santiago (SEJUDH)

A Semana de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas no Pará foi encerrada com uma ação educativa no Aeroporto Internacional de Belém nesta quinta-feira (31), realizada pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), por meio da Coordenadoria de Combate ao Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas (CTETP).

O Aeroporto Internacional de Belém recebeu as ações finais da campanha nacionalO Pará atua com instituições parceiras para conscientizar a população e, sobretudo, capacitar professores, comunidade escolar e servidores de outros órgãos para orientar a sociedade sobre o enfrentamento ao tráfico de pessoas no Estado, explicou o titular da CTETP, Renato Menezes. "O crime de tráfico de pessoas é recorrente, seja nacional ou mundialmente. A população precisa se conscientizar e entender como os criminosos agem, para que a partir disso sejam feitas as denúncias. Nós, que representamos o poder público local, estamos engajados contra esse crime que deixa danos físicos e psicológicos, muitas vezes irreparáveis, à vítima", acrescentou.

No aeroporto, a equipe técnica entregou materiais educativos às pessoas que passavam pelo local, a fim de esclarecer sobre tráfico humano, e como identificar e denunciar atividades ilícitas que envolvam a violação dos direitos humanos.

Para o superintendente do Aeroporto Internacional de Belém, Fábio Rodrigues, receber uma ação educativa com um tema tão importante é relevante para a sociedade, e para a equipe de funcionários. "Todos os funcionários do aeroporto são treinados para detectar qualquer possibilidade de crime e, posterior a isso, colaboramos com as entidades de Inteligência para que essa prática saia desse ambiente", ressaltou.A equipe da Sejudh distribuiu material educativo e orientou as pessoas

Relatório da ONU - De acordo com o Relatório Global sobre o Tráfico de Pessoas, publicado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC/ONU), em 2018, a maior parte das vítimas desse tipo é de mulheres adultas (49%) e crianças (30%). Os dados apontam que as vítimas de tráfico realizado para fins sexuais são, em sua maioria, mulheres e meninas, representando um percentual de 35% o para trabalho forçado.

O tráfico de pessoas é caracterizado pelo recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas utilizando ameaça, uso da força ou outras formas de coação, levando a vítima a uma situação de exploração sexual, trabalho equivalente à escravidão, extração de órgãos humanos, adoção ilegal, entre outros crimes.

A assessora de Campo da Agência da ONU para Refugiados em Belém, Janaína Galvão, frisou o nexo entre tráfico de pessoas e refúgio, já que pessoas refugiadas e apátridas estão em situação de especial vulnerabilidade e podem se tornar vítimas de tráfico. Além disso, pessoas vítimas de tráfico podem ter necessidade de proteção internacional. Por isso, o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) trabalha junto com autoridades locais para mostrar a importância de o marco jurídico e administrativo anti-tráfico estar atento à temática do refúgio.

Coração Azul - Quem passar em frente ao Theatro da Paz e ao Tribunal de Justiça do Estado verá os prédios iluminados na cor azul - símbolo da campanha nacional "Coração Azul". A iluminação ficará até sexta-feira (2), fechando simbolicamente a programação paraense, que foi marcada por várias ações ao longo da semana, incluindo seminários, rodas de diálogo e distribuição de materiais informativos.

Os jovens estão entre os alvos da campanha contra o tráfico de pessoasA programação estadual integra a 6ª Semana Nacional ao Tráfico de Pessoas, ação da "Campanha Coração Azul", realizada em todo o Brasil no período de 29 de julho a 2 de agosto, alusiva ao Dia Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, oficializada no dia 30 de Julho pela Lei n° 13.344/2016. O objetivo da campanha é conscientizar a população sobre a prática criminosa que ainda é bastante frequente no País.