Santa Casa capacita profissionais de saúde no Método Canguru

12/07/2019 13h18 - Atualizada em 12/07/2019 13h38
Por Etiene Andrade (SANTA CASA)

A Santa Casa capacitou, no período de 9 a 12 de julho, mais de 80 profissionais de saúde da própria maternidade e de outros quatro hospitais de Belém e Região Metropolitana em aulas teóricas e práticas sobre o Método Canguru.

Como parte do treinamento, foram realizadas palestras e debates sobre a Norma de Atenção Humanizada ao recém-nascido e os desafios para a implantação das etapas do método, além de uma oficina de cuidados simultâneos, que simulou o atendimento aos bebês de forma interdisciplinar. Entre as áreas de formação dos tutores estão enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, nutrição, psicologia e serviço social.

A Santa Casa é uma das pioneiras na introdução do Método Canguru em toda a região Norte e também é o hospital credenciado desde 2013 como referência para a capacitação de outras instituições de saúde.

De acordo com a pediatra Vilma Hutim, é responsabilidade da Santa Casa, como hospital de referência para o método, a capacitação de profissionais de outros hospitais em todo o Estado.

"Tudo começou com o programa Mãe Canguru, em 2002. Depois já trabalhávamos o Método Canguru, que consiste na humanização do atendimento ao recém-nascido de baixo peso, em suas três etapas, com impactos positivos e melhora da saúde dos bebês. Em 2013 fomos credenciados para capacitar hospitais de todo o Estado, com uma equipe multiprofissional", explicou a médica.

As três etapas definidas no manual técnico do Método Canguru disponibilizado pelo Ministério da Saúde são:

1ª Etapa: vai da fase prévia ao nascimento de um bebê prematuro ou de baixo peso, com a identificação das gestantes com risco desse acontecimento. Mãe e família recebem orientações e cuidados específicos e suporte psicológico. Com o nascimento do bebê e havendo necessidade de permanência na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e/ou Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (UCIN), especial atenção é dada no sentido de estimular a entrada dos pais nesses locais e de estabelecer contato pele a pele com o bebê, de forma gradual e crescente, de maneira segura e agradável para ambos. Trabalha-se o estímulo à lactação e à participação dos pais nos cuidados com o bebê. A posição canguru é proposta sempre que possível e é desejada.

2ª Etapa: exige estabilidade clínica da criança, ganho de peso regular, segurança materna, interesse e disponibilidade da mãe em permanecer com a criança o maior tempo desejado e possível. A posição canguru é realizada pelo período que ambos considerarem seguro e agradável.

3ª Etapa: se inicia com a alta hospitalar, e exige acompanhamento ambulatorial criterioso do bebê e de sua família. O Método Canguru, desde a primeira fase, é realizado por uma equipe multidisciplinar, capacitada na metodologia de atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso.

De acordo com o Ministério da Saúde, todas essas etapas prevêem que a equipe responsável pela assistência deverá ser habilitada para promover a aproximação, o mais precocemente possível, entre a mãe e o bebê, para fortalecer o vínculo afetivo com o objetivo maior de garantir a saúde da criança e a redução da mortalidade neonatal.

Leidiane Farias, de 29 anos, já sabe disso. Ela e seu bebê, que nasceu quando ela chegava a 29ª semana de gestação, estão há 37 dias internados na Santa Casa. A bebê vem ganhando peso, como esperado e ela se sente muito segura com a recuperação.

"Quando a pediatra da UTI veio me explicar que a minha bebê passaria para o contato pele a pele e que eu poderia ficar no hospital junto com ela eu fiquei emocionada. Estou muito feliz de ver a melhora dela, que saiu da sonda e hoje já mama no peito e pode ficar pertinho de mim. É muito bom saber que o meu calor pode ajudar o meu bebê a ganhar peso e se recuperar logo.", contou a mãe.

E assim como Leidiane, que é atendida na Santa Casa, outras mães poderão ver no futuro seus bebês beneficiados pelo método.

O médico Elder Ferreira que é residente de pediatria participou da oficina e acredita que vai usar os conhecimentos na assistência que vai prestar aos seus futuros pacientes.

"Tendo essa experiência, eu, que tinha apenas uma ideia do método, agora me sinto mais capacitado pro manejo dos pacientes prematuros e de baixo peso e vou poder compartilhar com a equipe no hospital em que venho atuando", concluiu.

Assim o método é compartilhado e contribui para a redução da mortalidade neonatal.