Tecnologias sociais marcam o terceiro dia da Semana Estadual de Ciência e Tecnologia

27/06/2019 09h36 - Atualizada em 27/06/2019 10h28
Por Jeniffer Galvão (SECTET)

Ao parabenizar a realização do evento, Roberta Moraes, depois de ouvir atentamente os palestrantes, não teve dúvidas em afirmar que "multiplicar essas estratégias é fundamental e para isso precisamos nos unir". O entusiasmo da servidora da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) é justificado pelas experiências relatadas por pesquisadores que trabalham com tecnologias sociais em comunidades paraenses e que foram o assunto da quinta mesa redonda da Semana Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento, promovida pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet).

"Tecnologias Sociais como Política Pública para o Desenvolvimento Sustentável do Estado do Pará" foi o tema da mesa redonda da quarta-feira (26), realizada no auditório do Espaço Empreendedor do PCT Guamá com a exposição de iniciativas que tiveram o apoio da Sectet. Os participantes tiveram a oportunidade de conhecer sobre o projeto "Encauchados de vegetais da Amazônia", apresentado por Francisco Simonek, do Poloprobio, que falou sobre a experiência da produção sustentável de borracha em seringais nativos de comunidades indígenas e tradicionais da Amazônia. "A tecnologia empregada elimina uma das etapas mais poluidoras da produção da borracha. Hoje produzimos em cooperativa artesanato, sandálias, entre outros", informou Simonek.

A segunda apresentação foi "Geração e disseminação de tecnologias sociais para fortalecimento da Agricultura Familiar paraense", realizada pelo coordenador do projeto desenvolvido em Paragominas, Antônio Augusto Franco, professor do Instituto Federal do Pará (IFPA). Uma das preocupações do projeto é com a mulher agricultora. "As mulheres da agricultura não têm uma vida fácil. Trabalham muito, feito máquinas. E não têm renda", ressaltou Franco.

Para mudar essa realidade, o projeto incentiva a produção de ovos. "A partir da criação de galinhas para a produção dos ovos, também trabalhamos a utilização dos excrementos desses animais para a produção de adubo orgânico", destacou o professor, mostrando a interligação da agricultura com a criação de pequenos animais que aumenta a possibilidade de renda das famílias.

O sistema de captação da água da chuva e o banheiro ribeirinho ecológico foram as tecnologias sociais mostradas pela professora da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Vânia Neu. O projeto foi desenvolvido na comunidade do Furo Grande, na Ilha das Onças, município de Barcarena. "A mulher é a provedora da água na família. É ela quem tem que dar conta de fazer comida, limpar a casa....E a água do rio não é mais apropriada", explicou a professora. Junto com a comunidade foram instalados sistemas de captação e tratamento da água da chuva com qualidade comprovada. Já o banheiro ecológico adapta a tradicional "casinha" dos ribeirinhos com um sistema seco de coleta das fezes humanas que utiliza a serragem para inibir o odor e eliminar os insetos. "O banheiro foi adaptado por um dos moradores que fez até uma suíte na casa dele", contou Neu, mostrando as imagens da instalação.

A quarta apresentação foi da professora do IFPA, Roberta Coelho, que mostrou iniciativas de fortalecimento da agricultura familiar na comunidade de Boa Vista, no Acará. Uma das ações é orientar a melhor forma de venda dos produtos. "Foi realizado um encontro com os produtores para falar sobre as estratégias de venda direta, eliminando o atravessador. Uma das ações escolhidas por eles foi a realização de uma feira livre", destacou Coelho. Fechando as apresentações, Diana Rodrigues, professora da Unama, falou sobre as políticas públicas voltadas para a tecnologia social. Ela informou que existem no Estado cerca de 70 tecnologias sociais sendo desenvolvidas, muitas delas implantadas em mais de um município.

Rodrigues identificou duas fases recentes do desenvolvimento das tecnologias sociais no Pará. Entre 2011 e 2014 houve uma grande articulação social em torno dessas iniciativas, mas não havia recursos, fomento público. "Entre 2015 e 2017 houve maior esforço de fomento, mas se viu um enfraquecimento da articulação social. É preciso juntar as duas coisas, o fomento com a articulação social", enfatizou.

Depois das apresentações, a mediadora da mesa, a professora da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Suezilde Ribeiro, abriu o momento de debates. Entre as intervenções da plateia, a antropóloga Kátia Santos, do IFPA, ressaltou que em vários momentos os palestrantes se referiram a preocupações com as mulheres. "Fiquei muito feliz em ver essa preocupação. É impactante que essas iniciativas tenham esse olhar para a mulher como protagonista".

Outro ponto que destacado por ela foi a instalação do banheiro ribeirinho ecológico dentro do quarto de um morador da Ilha das Onças. "A casa com a suíte, para mim, fechou!". Ainda foi feita a apresentação do projeto Casa de Várzea, da empresa Várzea Sustentabilidade, que criou um sistema que eleva a casa ribeirinha em tempos de cheia dos rios.

Homenagem – Fechando a programação da manhã da quarta-feira, foi prestada homenagem à professora doutora Sabina da Memória Cardoso de Andrade, que recebeu das mãos do diretor de Ciência e Tecnologia da Sectet, Demethrius Lucena, o certificado de Mulher Cientista como reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no IFPA em prol da ciência no estado. "Nesse tempo de turbulência, é muito bom ver que o governo do estado valoriza a mulher cientista e a pesquisa científica. Muito obrigada à todos e vamos continuar pesquisando!", incentivou a homenageada.

Robótica – A programação da tarde foi marcada por uma oficina de robótica ministrada por Marcos Gomes, da Robomind Pará. A utilização da robótica para facilitar o aprendizado escolar é o objetivo principal da iniciativa, como explicou Gomes aos participantes da oficina dando alguns exemplos de como as crianças e adolescentes podem ser incentivados a construir seu próprio conhecimento. Depois de uma rápida exposição, todos puderam aprender na prática como fazer seu próprio robô.

A Semana Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento é promovida pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet) em parceira coma Rede de Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) do Estado do Pará, a Universidade do Estado do Pará (Uepa), o Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá), o Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae no Pará), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural no Pará (Senar/PA), a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e o gabinete do deputado estadual Dirceu Ten Caten, autor da lei nº 8.841, de 8 de abril de 2019, que institui a Semana.