Ação encerra atividades de sensibilização sobre doença falciforme

19/06/2019 18h20 - Atualizada em 19/06/2019 19h13
Por Vera Rojas (HEMOPA)

No Pará, a cada 2.500 habitantes, uma pessoa tem Doença Falciforme. Para informar sobre a enfermidade, nesta quarta-feira (19), a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) realizou uma ação pelo Dia Mundial de Conscientização e Sensibilização das Pessoas com Doença Falciforme (DF). O evento ocorreu no auditório da instituição e contou com a participação de, aproximadamente, 100 pessoas entre usuários, acompanhantes e servidores.

A atividade, que encerrou a programação iniciada no último dia 17, foi aberta pela diretora Técnica do hemocentro, Luciana Maradei, que agradeceu e parabenizou sua equipe por cuidar dos 900 pacientes com DF assistidos pela Fundação, que é referência no diagnóstico e tratamento da doença. A enfermidade acomete cerca de 50 mil pessoas no Brasil.

"Hoje, estou muito contente porque sei que todos os pacientes assistidos pelo Hemopa têm todo o apoio e estrutura necessários para garantir qualidade de vida a todos vocês, assim como todos os pacientes com outras doenças hematológicas", comentou ao destacar a importância da adesão integral ao tratamento.

Segundo o Ministério da Saúde, a doença falciforme é a anemia mais prevalente, porque os glóbulos vermelhos do sangue (hemácias) ganham a forma de meia-lua ou foice em ocasiões de baixa de oxigênio, daí o nome falciforme. Essas células deformadas se tornam rígidas e propensas a se polimerizar, ou seja, formar grupos que aderem à camada celular interna dos vasos sanguíneos, o que dificulta a circulação do sangue.

A condição pode levar à oclusão de vasos sanguíneos. Além de causar episódios imprevisíveis de dor, aumenta muito as chances de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), doença renal crônica e embolia pulmonar, entre outras complicações.

Embora reconhecendo aos avanços já conquistados no tratamento da DF, a gerente do Serviço Social de Pacientes do Hemopa, a assistente social Cristina Mendes, ressaltou a necessidade de mais avanços e pesquisas na área. "Precisamos avançar, para que as pessoas com doença falciforme tenham uma longevidade, com qualidade de vida", pediu.

Transplante – Dados do MS afirmam que o único tratamento para curar a anemia falciforme é o transplante de medula óssea. No Brasil, o procedimento passou a ser coberto pelo SUS em 2015 e só podem ser realizados entre irmãos compatíveis.

A Fundação Hemopa tem um fluxo para realização de transplante de medula óssea para paciente com DF. Além dos protocolos do MS, a instituição oferece a terapia celular para osteonecrose, em parceria com o Hospital de Clinicas da Bahia. No Pará, há registro de cinco pacientes curados da doença falciforme, que passaram pelo transplante de medula.

A coordenadora de Atendimento Ambulatorial do Hemopa, a médica Saide Maria Sarmento Trindade, reforçou a necessidade de adesão plena ao tratamento, com participação ativa da família e/ou cuidadores da pessoa com doença falciforme. "É muito importante manter a regularidade das consultas, realização de todos os exames solicitados para melhorar a qualidade de vida", pontuou ao alertar a importância do uso da medicação de hidroxiureia, para quem tem indicação. O remédio é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Programação – O encerramento do evento contou com apoio do Grupo Lítero Musical da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e do teatro de bonecos do Laboratório Beneficente de Belém. Ao final, os participantes foram brindados com kit de higiene pessoal, lápis de cor e canecas.
Serviço: O Hemopa fica localizado na travessa Padre Eutíquio, 2.109. Atendimento ambulatorial de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h. Mais informações pelo Alô Hemopa: 0800 280 8118.