Ciclo de palestra debateu vida sexual na gravidez no Hospital do Marajó

14/06/2019 14h53 - Atualizada em 14/06/2019 17h14
Por Vera Rojas (HEMOPA)

Mães e futuras mães atendidas pela unidade tiraram dúvidas sobre o assuntoA vida sexual no período gestacional ainda é um tabu para muitas mulheres, homens e até para os profissionais da área da saúde. Para esclarecer possíveis dúvidas e tratar sobre o assunto, a equipe do Hospital Regional Público do Marajó (HRPM), em Breves, encerrou nesta sexta-feira (14), um ciclo de palestras junto às gestantes assistidas. A unidade possui várias especialidades, entre elas, obstetrícia e ginecologia, ofertando serviço de maternidade com atenção voltada para gravidez de alto risco.

De acordo com o enfermeiro Michel Batista, a vida sexual não precisa sofrer graves consequências durante a gravidez. Alguns pesquisadores defendem que manter relações sexuais nesse período faz bem, porque ajuda a controlar a ansiedade, melhora a autoestima e diminui a pressão arterial, que é um risco e fator desencadeante para a pré-eclâmpsia.

Segundo ele, uma pesquisa canadense realizada com 1.050 gestantes mostrou que 56% delas sentiram uma diminuição no desejo sexual. "Isso pode acontecer devido às flutuações hormonais", explicou. Já o Ministério da Saúde diz que manter relações sexuais durante a gravidez não parece estar associado a efeitos adversos.

Michel Batista destaca que a restrição à atividade sexual deve ser feita apenas a critério médico, por causa de patologias como placenta prévia ou alto risco de prematuridade. "Inicialmente, a atividade sexual está liberada durante toda a gestação, exceto em situações especiais, aí existe a necessidade. O contato íntimo não machuca o bebê, que está abrigado dentro do útero".

A opinião está em sintonia com a médica ginecologista/obstetra do HRPM, Sônia Rios, ao alertar que se a usuária estiver passando por complicações durante a gestação, a recomendação é que não mantenha relações sexuais. Entre esses fatores de riscos, ela destaca a ameaça de aborto espontâneo, pré-eclâmpsia, placenta prévia e, em alguns casos, a médica recomenda o uso de preservativo, pois o sêmen pode estimular, em algumas mulheres, contrações uterinas.

O HRPM é referência em atendimento à gravidez de alto risco e tem como uma de suas metas assegurar um parto mais seguro e um puerpério saudável, contando ainda com serviços voltados às mulheres, como o "Espaço para Gestantes", que acolhe as futuras mães.

Com 7 meses de gestação, Sariane Brasil conta que aproveita as consultas médicas para tirar as dúvidasA farmacêutica Sariane Rezende Brasil, 27, é uma das usuárias atendidas pelo hospital e conta que aproveita a oportunidade da consulta médica para tirar suas dúvidas. "Sempre pergunto. Só tenho um ovário, então, fiquei bem preocupada de prejudicar meu bebê quando engravidei, mas a doutora já me acalmou. Acho que a relação é melhor e contribui para o parto", disse a gestante de sete meses.

Dados de atendimentos – De janeiro a maio deste ano, a equipe do HRPM viabilizou o atendimento de 853 consultas em obstetrícia e realizou 167 partos de alto risco.

Serviço: O HRPM oferece atendimento de média e alta complexidade, e é referência em várias especialidades na assistência a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Dispõe de atendimento ambulatorial de segunda a sexta-feira, das 7h às 17 h. O hospital está localizado na Avenida Rio Branco, 1.266, Centro. Mais informações: (91) 3783-2140 / 3783-2127.