Hospital Regional de Santarém avança no desenvolvimento de pesquisas na Amazônia

11/06/2019 10h01 - Atualizada em 11/06/2019 10h39
Por Joab Ferreira (HRBA)

A equipe de pesquisadores do Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), localizado em Santarém, tem desenvolvido uma gama de estudos científicos a partir da implantação do Centro de Estudos e Pesquisas da unidade, em fevereiro deste ano. Uma das iniciativas tem por objetivo o desenvolvimento de vacinas para o tratamento de câncer de colo de útero, que é um dos mais frequentes na região amazônica.

Como forma de fortalecer a pesquisa na região, o HRBA promoveu, de sexta até esta segunda-feira (10), a 1ª Capacitação Teórica e Prática em Imunologia Básica e Avançada. O evento foi fruto da parceria entre o hospital e a Universidade de São Paulo (USP). O curso teve o objetivo de capacitar pesquisadores para a realização de técnicas em procedimentos imunológicos visando promover o desenvolvimento de pesquisas no contexto amazônico.

Os palestrantes convidados foram os pesquisadores da USP: Patrícia Bergami (pós-doutora em Imunologia) e José Barbuto (doutor em Imunologia). O evento contou com a participação de profissionais e estudantes da área da saúde e recebe apoio da Secretaria de Saúde Pública do Pará (Sespa) e da Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, gestora da unidade.

O diretor Hospitalar, Herbert Moreschi, comentou a importância da iniciativa. "Isso simboliza e tem um valor histórico muito grande para nós. Marca o início de vários projetos e a continuidade de muitas pesquisas que já estão sendo elaborados em parceria com a USP, mas também que vislumbra a realização de um grande projeto que é o desenvolvimento de vacinas para o tratamento do câncer de colo de útero que é um dos mais prevalentes na nossa região", afirma.

O pesquisador José Barbuto comenta sobre a oportunidade de compartilhar sua pesquisa na Amazônia. "É uma alegria apresentar um trabalho que estou desenvolvendo há anos e que agora pode continuar não só em São Paulo, onde eu trabalho, mas vem aqui para a Amazônia. Encontrar um parceiro que tem a necessidade e interesse em desenvolver pesquisa é muito bom, porque, assim, podemos traduzir essas pesquisas em bem e melhoria no atendimento à população", destaca Barbuto.

Patrícia Bergami ressalta a importância de descentralizar o conhecimento para beneficiar a população. "Nós temos de descentralizar a saúde, o conhecimento e a medicina transnacional para podermos facilitar o acesso ao paciente e à sua família a uma tecnologia de ponta na medicina. Então é isso que queremos, descentralizar e fazer com que essa tecnologia chegue à todos, em qualquer parte do país", afirma Bergami.

Os participantes aprovaram a iniciativa. "É de extrema importância, uma vez que a nossa região sempre foi esquecida, e agora estamos tendo a oportunidade de receber esses profissionais aqui. Precisamos desses conhecimentos que estão sendo repassados para que futuramente nós possamos intervir em algumas situações específicas da nossa região. A comunidade acadêmica de São Paulo, nas pessoas dos pesquisadores presentes da USP, só tem a nos enriquecer cada vez mais", ressalta a enfermeira e professora universitária Antônia Duarte.

A diretora do 9° Centro Regional da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), enfermeira Marcela Tolentino, comenta sobre a importância da pesquisa em imunologia. "É fundamental, para nossa região, que sejam realizadas essas pesquisas, com foco no tratamento do câncer. Isso é muito importante para inovar e aumentar a eficácia no combate a doença, principalmente ao câncer de colo de útero. Mas devemos sempre colocar em primeiro lugar a prevenção e a detecção precoce para que as pessoas não cheguem a precisar do tratamento. Com isso podemos oferecer um tratamento mais barato e eficaz", afirma Marcela.

Para Moreschi, investir em pesquisa científica é garantir uma saúde mais segura e de qualidade para as próximas gerações. "Vislumbramos um futuro muito próspero nesta região que é fértil e propícia para o desenvolvimento de pesquisas, e o HRBA será o pioneiro nessa atividade. O resultado disso é uma saúde resolutiva para a população do Oeste do Para", finaliza o diretor do HRBA.

Referência

No final de maio, o Hospital Regional esteve representado no maior congresso da América Latina na área farmacêutica: o XII Congresso Brasileiro de Farmácia Hospitalar e VIII Sul-Americano. A coordenadora de Farmácia do HRBA, Sândrea Corrêa, foi palestrante do Simpósio Racine de Farmácia Hospitalar sobre o tema Intervenção Farmacêutica com Foco em Medicamentos que Aumentam Risco de Queda e Implantação de Agendamento para Redução de Custos de Quimioterápicos.

A mesa-redonda teve o intuito de mostrar a atuação multiprofissional no desenvolvimento de boas práticas que proporcionam a Segurança do Paciente no Sistema Único de Saúde. Foram 937 trabalhos enviados para o congresso. Destes, 657 foram aprovados. O Pará foi responsável pelo envio de 56, sendo 10 de autoria do serviço de Farmácia do HRBA.

"Participar de um evento dessa magnitude ratifica que estamos trabalhando na construção de uma assistência farmacêutica pautada em métodos objetivos, qualidade e segurança do paciente. Ser a única palestrante paraense me deixou muito lisonjeada. Estar dentre os 10 melhores trabalhos então, só aumentou minha alegria em ter auxiliado no traçar de uma trajetória de mais de dois anos de batalha junto aos 14 farmacêuticos de minha equipe", diz Sândrea.

Hospital

O HRBA é um hospital público, pertencente ao Governo do Estado do Pará e gerenciado pela Pró-Saúde desde 2008. Em 2014, o HRBA foi certificado como Hospital Ensino. Atualmente, 59 residentes se especializam na Unidade. Em 2018, mais de 2.400 acadêmicos cumpriram o estágio curricular obrigatório no Hospital. Atualmente, o hospital possui 75 projetos de pesquisa em andamento. A intenção é que as produções sejam ampliadas nos próximos anos.