Pro Paz nos Bairros inicia atividades para quase 2 mil crianças e adolescentes

16/03/2015 20h22

Cerca de 2 mil jovens, de 8 a 18 anos, iniciaram nesta segunda-feira (16) as atividades deste ano em cinco polos do Pro Paz nos Bairros, em Belém e Marituba (Região Metropolitana). O projeto atende crianças e adolescentes com atividades nas áreas de esporte, lazer, arte e cultura, tendo como formato pedagógico a complementação escolar - no horário complementar ao da escola, que cria alternativas saudáveis e de continuidade educacional nos períodos ociosos. Desde 2011, quando foi criado, o projeto já atendeu 8.376 jovens, dos quais 2.348 somente em 2014.

Os polos estão localizados na Universidade Federal do Pará (UFPA); Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra); Estádio Olímpico do Pará (Mangueirão); Praça Dorothy Stang (bairro Sacramenta); Instituto de Ensino em Segurança Pública do Estado (Iesp), no município de Marituba. O projeto também contempla o Espaço Apoena, localizado na cidade de Ananindeua, que ainda não abriu suas inscrições porque passa por reestruturação na grade de atividades. Mas as matrículas serão abertas ainda neste mês. Os alunos que frequentam o projeto também recebem acompanhamento psicopedagógico, por meio de profissionais orientados para o atendimento de toda a família.

Hoje, o primeiro dia de atividades foi dedicado ao acolhimento dos jovens, a maioria acompanhada dos pais. Houve entrega de uniformes e apresentações artísticas. A cabeleireira Darcia Corrêa, 33 anos, foi uma das dezenas de mães que estiveram no polo da UFPA acompanhando os quatro filhos, beneficiados pelo projeto desde 2011.

Darcia possui uma história de superação envolvendo o Pro Paz. “Uma de minhas filhas, que frequenta esse polo desde 2011, foi diagnosticada com síndrome de Guillain-Barré (doença que ocorre quando o sistema imunológico do corpo ataca parte do sistema nervoso e ocasiona inflamação dos nervos, provocando fraqueza muscular), e foi aqui no Pro Paz da UFPA que ela se recuperou. Tive apoio dos professores e psicólogos, e após fazer exercícios com bolas, arcos e fisioterapia na piscina conseguimos tirar minha filha de uma cadeira de rodas. Por mim, meus quatro filhos só sairão daqui quando atingirem a idade permitida”, contou.

Integração - Para a pedagoga Gracilene Barreto, 43 anos, recém-chegada ao Polo UFPA, a integração entre a equipe como marca dos bons resultados apresentados pelo projeto. “Após fazer parte do quadro do Pro Paz, a expectativa é a melhor possível, pois é uma oportunidade única colocar em prática projetos há muito tempo sonhados. A multidisciplinaridade dos profissionais e a integração entre todas as atividades fazem desse projeto um marco no Pará, já que vem pra dentro das comunidades mais carentes e cumpre o papel de complementar a educação dos jovens para além de suas casas”, detalhou.

A menina Daphener Vidal, 13 anos, moradora do bairro da Terra Firme, que frequenta o Polo UFPA desde o ano passado, estava ansiosa pelo início das atividades. “Eu tava de férias, em casa, assistindo televisão e, às vezes, brincando na rua com os meus amigos. Não via a hora de voltar a nadar, brincar, estudar”, contou a menina, cuja atividade predileta é jogar futebol.

Já no Polo da Ufra, o professor Willians Rayol (mais conhecido como Mestre Jagunço, por conta da capoeira), se apresentou na abertura das atividades, na tarde desta segunda-feira. “Eu já trabalhei como arte-educador no Polo Mangueirão, e a ansiedade é imensa de conhecer os jovens daqui, pois já ouvi falar que são muito dedicados e adoram atividades que envolvam música. Aqui no Pro Paz a gente vai além do profissional e também vira aluno, pois aprendemos todos os dias com essa garotada, e acabamos nos tornando um pouco pai e amigo”, ressaltou.

A estudante Renata Rodrigues, 10 anos, que mora na Terra Firme e também é do Polo Ufra, disse que já participou de todas as modalidades, “mas são das aulas de percussão com o professor Eraldo que eu mais gosto. Aqui a gente não faz amizade só com outros alunos, mas com os professores, que também são como pais pra gente”.

No bairro da Sacramenta, a estudante Glaucilene dos Santos, 18 anos, acompanhou o irmão Matheus Henrique, 09 anos, no seu primeiro contato com o Pro Paz, e disse ter ficado surpresa com a organização e o acolhimento. “O Matheus estava muito ocioso. Só queria saber de televisão e videogame. Aí resolvemos trazê-lo aqui por gostar muito de natação. É um projeto lindo, e muito bom para as famílias, pois nos ajuda a integrar nossas crianças com outras em atividades que as auxiliam, inclusive, na formação do caráter”, acrescentou.

No Polo Mangueirão, o comerciante Averaldo Brabo, 33 anos, que tem três filhos matriculados no local, acompanhou a prova de uniformes das crianças. “Esse projeto é excelente e tende a melhorar ainda mais. Nós nos despreocupamos com as crianças na hora que precisamos trabalhar, pois sabemos que eles estão em boas mãos. Agradeço ao Governo do Pará e ao Pro Paz por nos proporcionar isso”, declarou.

Reconhecimento - Recentemente, o Pro Paz nos Bairros foi apresentado como modelo de projeto brasileiro durante o Congresso Luso-Afro-Brasileiro (XII Conlab), na Universidade Nova de Lisboa, em Portugal.

O evento reuniu cientistas sociais dos países de Língua Portuguesa, com o objetivo de promover uma reflexão científica em busca da institucionalização de parcerias no domínio da pesquisa em ciências sociais e humanas. Com a reunião, os estudiosos pretendem explorar projetos relevantes ao desenvolvimento da paz, da democracia e da inclusão, em um contexto global de profundas e rápidas transformações.

Por Redação - Agência PA (SECOM)