Produção regional é destaque no primeiro dia da Feira do Artesanato Mundial

22/08/2015 21h25
Por Redação - Agência PA (SECOM)

A professora Maria de Loudes e a nora dela Leidiane Souza ficaram encantadas com os produtos expostos no estande do Núcleo de Articulação e Cidadania (NAC) no primeiro dia da Feira do Artesanato Mundial (FAM). “Tudo me chamou atenção. Achei lindo os blocos de papel produzidos pelo Curro Velho e os vasos de argila. São peças rústicas, mas elegantes. Não resisti e comprei um vaso para colocar na mesa de casa com flores naturais. Vai ficar lindo”, disse Maria de Lourdes. Já Leidiane fez questão de comprar artesanato do Pará como estímulo para os artistas locais. “É uma forma de estimular o trabalho deles e valorizar a nossa cultura”.

Com o tema “Mãos que fazem arte pelo mundo”, o evento reúne cerca de 400 expositores do Pará, do Brasil e do mundo até o dia 30 de agosto. Ao longo da feira os visitantes poderão adquirir artigos de decoração, organização de ambientes, vestuário, acessórios de moda e de culinária. Pela primeira vez, a FAM, organizada pela Charph Eventos, traz a Belém estandes com objetos de porcelana japonesa, joias da Tailândia, acessórios gourmet de metal e vidro, além de quadros e relógios rústicos. Os produtos em exposição são comercializados a partir de R$5,00.

O mercado do artesanato no Pará cresceu 28% no último ano, segundo dados divulgados pelo Instituto de Gemas e Joias da Amazônia (Igama), que administra o Espaço São José Liberto, onde funciona a Casa do Artesão. Em 2015, só no primeiro quadrimestre do ano, o comércio de peças e artefatos já registra aumento de 20%. Em termos de comparação, o comércio varejista nacional, em que está incluído o setor de artesanato, registrou crescimento de 2,8%, em todo o ano de 2014.

“No setor não falamos em crise. Essa é uma oportunidade única de fazer negócios, conhecer e adquirir artesanato do mundo todo. Tem peças para todos os gostos e bolsos. Além disso, fazemos questão de mostrar o artesanato produzido nos projetos sociais do Governo. Fazemos nossa parte, pois acreditamos que podemos ajudar na visibilidade de ações tão importante para essas pessoas”, disse Charlton Gallisa, coordenador da FAM.

A estudante da oitava série da Escola Estadual Jarbas Passarinho, Anália Vitória, 13 anos, veio para a feira por conta de um trabalho extra classe solicitado pelo professor de educação artística, Jorge Zoroastro. “Vim por obrigação, mas chegando aqui gostei muito. Adorei o artesanato da Rússia e se não fosse esse trabalho eu nem tinha conhecido tanta coisa legal”, contou. A mãe de Anália, a assistente social Alessandra Botelho, não perdeu a chance de acompanhar a filha. “É muita coisa bonita reunida em um só lugar, coisas que não estamos acostumadas. Fico feliz em ver que o trabalho produzido pelos pequenos artesãos no Estado estão tendo destaque aqui”, relatou.

Produção - Há 20 anos, Hilson Rabelo e a esposa Eliane Rabelo trabalham como artesãos na confecção de papel feito com fibras da Amazônia. Eles transformam o tururi, o patichuli, o miriti e a folha de bananeira em cadernos, porta moedas e marcadores de páginas. “Eu trabalhava com tururi e o que sobrava acabava jogando fora. Depois de anos de trabalho e teste consegui transformar as fibras em papel e a próxima novidade será o papel da fibra da aninga”, contou Hilson.

Ele e outros 35 expositores, de mais de 20 municípios do Pará, estão no estande da Secretaria de Estado de Assitência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster). De acordo com Dione Matos, da coordenação de Empreendedorismo e Economia Solidária da Seaster, “no espaço o público pode adquirir peças de 18 tipologias de artesanato que mostram a diversidade cultural do Pará. Desde a cerâmica arqueológica do Marajó até o trabalho feito com cestas por artesãos de Capanema”.

No estande do NAC os visitantes podem conhecer e comprar os projetos desenvolvidos pelas secretarias parceiras do Núcleo como o trabalho de artesanato feito pelas detentas da Cooperativa de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe), a primeira do país formada exclusivamente por detentas; além das mudas de plantas desenvolvidas no projeto Cultivando Flores e Vidas, que capacita profissionalmente pessoas de comunidades carentes na área de jardinagem e envasados de plantas ornamentais da Emater.

O público pode adquirir a produção de móveis e objetos de decoração feitos pelos adolescentes custodiados pela Fasepa. Os sofás, poltronas e vasos decorativos de pneus fazem o maior sucesso. Os produtos artesanais confeccionados nas oficinas do Curro Velho, da Fundação Cultural do Pará, também estão à venda. No stand, os visitantes também podem fazer doações de livros para o projeto Livro Solidário, desenvolvido pela Imprensa Oficial em parceria com o NAC.

“Fazemos questão de participar todos os anos pois a FAM é uma ótima vitrine para mostrar o que o Estado está desenvolvendo. Temos aqui projetos sociais que resultam em belos trabalhos e que precisam ser conhecidos pelo público”, afirma Daniele Khayat, diretora geral do NAC.

Serviço - A Feira do Artesanato Mundial ocorre até o dia 30 de agosto, com visitação das 15h às 22h. O ingresso custa R$ 8 (com meia-entrada). De segunda à quinta, até 17h, a entrada é gratuita.