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Feira de etnobioeconomia valoriza saberes indígenas na abertura da III Semana dos Povos Indígenas em Belém

Com 50 estandes e participação de oito etno-regiões, espaço reúne artesanato, biojoias e gastronomia ancestral em programação gratuita aberta ao público até domingo (19)

Por Eva Pires (SEPI)
17/04/2026 17h09

A Feira de Etnobioeconomia e Gastronomia Ancestral abriu a programação desta sexta-feira (17), dentro da III Semana dos Povos Indígenas, realizada de 16 a 19 de abril, em Belém. Promovido pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), em parceria com a Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa) e com apoio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o evento ocorre das 8h às 12h e das 14h às 18h, com acesso gratuito ao público.

Instalada no térreo do espaço que recebe a programação, a feira reúne 50 estandes com representantes de oito etno-regiões do Pará, consolidando-se como um dos principais pontos de encontro entre povos indígenas e a sociedade. O espaço apresenta uma diversidade de produtos que vão do artesanato tradicional às biojoias, itens da gastronomia ancestral e serviços de pintura corporal, evidenciando a riqueza cultural e produtiva dos territórios indígenas.

A organização da feira envolveu um processo coletivo de mobilização entre equipes da Sepi e articuladores da Fepipa, que atuaram na seleção e no apoio aos expositores de cada etno-região. A gerente da Diretoria de Gestão de Políticas Indígenas da Sepi, Kalwene Ibiapina, explica que o objetivo é ampliar a visibilidade dos produtos e fortalecer a geração de renda nas comunidades. “O Governo do Estado sempre procura abrir esses espaços para os povos indígenas, para dar essa oportunidade de contribuição de renda e para que eles possam mostrar a sua arte, para que ela seja valorizada, reconhecida e difundida”, afirmou.

Segundo Kalwene, a feira também cumpre um papel educativo ao aproximar o público urbano da origem de diversos produtos utilizados no dia a dia. A iniciativa permite que visitantes conheçam de perto o trabalho desenvolvido nos territórios e compreendam a importância de valorizar essas produções, muitas vezes invisibilizadas.

Feira atrai visitantes e valoriza artesanato indígena 

Entre os estandes, a presença de jovens artesãos chama atenção pela diversidade de saberes e pela conexão entre tradição e futuro. A artesã Yakyrixi Xipaya, da etnia Xipaya, participa da feira com produtos como rapé e outros itens tradicionais, trazidos diretamente do território. Para ela, o espaço é fundamental para fortalecer a cultura e incentivar novas gerações. “Esse espaço é de muita importância para nós, jovens, trazendo conhecimento, buscando ainda mais e levando para os nossos territórios”, destacou.

O movimento já registrado no primeiro dia reforça o interesse do público pela feira. Visitantes circulam entre os estandes, conhecem os produtos e estabelecem um contato direto com os povos indígenas, valorizando as histórias e os significados por trás de cada peça.

A professora Joelma Alencar, que visitou a feira na abertura, ressaltou a diversidade e a profundidade cultural dos produtos expostos. “A feira está com uma diversidade incrível de produtos produzidos nos territórios, que são diferenciados porque trazem todo o significado e a ancestralidade de cada povo indígena”, afirmou. Ela também destacou a importância da iniciativa para aproximar a sociedade dessa realidade.

A artesã Jokrepoire Gavião participa da feira com a venda de peças produzidas em miçanga, como brincos e pulseiras, que carregam referências culturais do seu povo. Ela destaca a importância da iniciativa como forma de fortalecer a cultura indígena e também gerar renda. “É algo que nós indígenas usamos muito, né? Dá pra ver que é uma coisa que sai rápido e a gente já repõe pra poder refazer e ganhar mais”, afirma. Segundo ela, apesar de o movimento ter começado há pouco tempo, a expectativa é positiva, com boa saída dos produtos logo nas primeiras vendas.

Para além da comercialização, a Feira de Etnobioeconomia e Gastronomia Ancestral se firma como um espaço de troca de conhecimentos, valorização cultural e fortalecimento da identidade dos povos indígenas do Pará. Integrando a programação da III Semana dos Povos Indígenas, a iniciativa reafirma o compromisso do Estado com a promoção de políticas públicas voltadas aos territórios e à sóciobiodiversidade.

A programação segue até domingo (19), reunindo atividades culturais, institucionais e formativas, e reforçando Belém como um território de encontro entre saberes ancestrais e políticas públicas voltadas aos povos indígenas.