Escola na Cabanagem, que recebe ações do TerPaz, atinge nota positiva no Ideb

Gestores e alunos avaliam que a presença do Estado na escola, com ações de cidadania, melhoram a autoestima e o desempenho na aprendizagem

16/09/2020 18h56 - Atualizada em 17/09/2020 08h55
Por Carol Menezes (SECOM)

A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio José Valente, no bairro da Cabanagem, em Belém, saiu de 3,9, nota considerada baixa, para 5,0, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb 2019), principal indicador de qualidade no Brasil desde 2007. Inserida em um dos sete bairros assistidos pelo Programa Territórios pela Paz (TerPaz), do governo do Estado, a unidade teve sua rotina completamente modificada há mais de um ano, a partir do início das ações ligadas à política pública de combate à violência e inclusão social, decisivas para alcançar esse patamar no Ideb, conforme atestado pelo Ministério da Educação (MEC).Para a comunidade escolar, o TerPaz é a semente de um novo tempo

Iniciado no ano passado, o TerPaz significa um amplo esforço do Estado com foco na diminuição da violência e aumento do desenvolvimento social, a partir da articulação de ações de segurança pública e de cidadania em sete bairros da Região Metropolitana de Belém.

Ações educativas e de saúde são levadas à escolaA estudante Débora Esther, do 1º ano do Ensino Médio, é aluna da escola desde 2019, e vê mudança no perfil dos alunos em relação à autovalorização e valorização do ambiente de estudos. "Acho que chegamos até aqui, a essa nota 5,0, muito por conta dos projetos que o governo trouxe para nós. Tem o empenho de cada aluno, dos professores e da direção, mas tenho absoluta certeza que o TerPaz contribuiu muito com as atividades, com as palestras", garante a adolescente, confirmando que seus colegas estão visivelmente mais motivados atualmente. "Acho que a gente recuperou a nossa autoestima. Teve um curso que fiz aqui, pelo TerPaz, voltado à agricultura, que eu gostei muito. No terreno ao lado da escola a gente iniciou pequenas plantações de legumes e verduras, que depois foram usados na merenda escolar. Isso me despertou para a necessidade de valorizar o local onde eu estudo", conta Débora.

Desempenho - O Ideb é calculado a partir de dois componentes: a taxa de rendimento escolar (aprovação) e as médias de desempenho nos exames aplicados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao MEC. Os índices de aprovação são obtidos a partir do Censo Escolar, realizado anualmente. As médias de desempenho utilizadas são as da antiga Prova Brasil (que agora se chama Sistema de Avaliação da Educação Básica - Saeb) para escolas e municípios, e do Saeb para estados e o âmbito federal, realizados a cada dois anos.Emissão de documentos está entre os serviços oferecidos pelo Estado nos Territórios pela Paz

Marisa Lima, coordenadora da Rede Local do TerPaz na Cabanagem, lembra que a nota anterior da escola no Ideb, considerada baixa, foi o ponto principal do trabalho desde a implantação do programa no bairro. "Conversamos com a direção para tentar entender o que ocorria, e a verdade é que a não presença do Estado, até então, deixou aqueles alunos sem sonhos e expectativas. Estavam lá para cumprir a formalidade do ano letivo somente, muito embora seja uma escola que tem uma direção esforçada, professores comprometidos. Era uma autoestima muito baixa", diz a coordenadora.

Transformação - Ela acrescenta que o "TerPaz trouxe uma mudança no comportamento. Eles não se aceitavam pobres, pretos e periféricos, e passaram a se sentir importantes, a valorizar o processo de aprendizagem. Aliamos isso a um campanha de conscientização, e o resultado foi a presença de 100% dos estudantes ao processo de avaliação relacionado ao Ideb".O TerPaz também proporciona o acesso dos estudantes a espetáculos culturais

A professora Ivanilda Vieira, diretora da Escola José Valente, confirma que o TerPaz deu aos estudantes um novo olhar sobre os estudos e sobre eles próprios. "É impressionante a diferença que faz essa sensação de pertencimento à comunidade. Eu os vejo mais motivados, e isso também tem muito a ver com nosso quadro docente. A gente não se sente mais sozinho. Nasceu uma parceria muito boa e muito importante. A presença do Estado em uma escola da periferia faz muita diferença, e fez a diferença também para a autoestima desses jovens", reforça a diretora.