Semas entrega trituradores de vidro e bombonas para fortalecer economia circular e a conservação ambiental na APA Algodoal-Maiandeua
Equipamentos vão apoiar a destinação correta de resíduos sólidos nas vilas da ilha de Maiandeua, em Maracanã, e o acesso à cadeias formais de comercialização, com expectativa de triturar mais de 12 toneladas de vidro no primeiro ano
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) entregou, na terça-feira (23), dois trituradores de vidro e 105 bombonas para as comunidades que vivem na Área de Proteção Ambiental (APA) Algodoal-Maiandeua, na ilha de Maiandeua, no município de Maracanã.
Participaram da entrega o secretário adjunto da Semas, Rodolpho Zahluth Bastos, a secretária de Meio Ambiente de Maracanã, Josiane Carrera Silva, o secretário de Meio Ambiente de Igarapé-Açu, Francisco de Sousa, e Carol Magalhães, presidente do Instituto de Desenvolvimento Amazônia Sustentável (Ideassu).
A ação integra as estratégias do Governo do Pará para fomentar a economia circular e novos processos de descarbonização da economia no Estado, voltados à destinação adequada de resíduos e à preservação da biodiversidade em vilas como Fortalezinha, Mocooca, Nazaré, Camboinha e Algodoal, onde o acúmulo de garrafas, especialmente em períodos de grande fluxo de visitantes, impacta a paisagem, os recursos, o equilíbrio ambiental e os recursos naturais de uso comum das comunidades.
A entrega também faz parte de conjunto de ações do Programa Regulariza Pará, voltada ao fortalecimento das cooperativas de catadores de resíduos sólidos para ampliar a estrutura e capacidade de coleta, triagem, destinação correta, e geração de renda por meio de materiais recicláveis, em parceria com instituições e municípios. Os trituradores de vidro, chamados de moinhos-formiga, e as bombonas foram garantidos pelas empresas Lima Transporte e Latitude, somando apoio ao esforço conjunto para aprimorar a gestão de resíduos na APA.
Eficiência - Durante as festas de fim de ano, mais de duas toneladas de garrafas de vidro foram retiradas das praias e vilas da ilha. Com a iniciativa, a expectativa é triturar mais de 12 toneladas de vidro no território já no primeiro ano, reduzindo o volume do material e ampliando a eficiência da coleta e da logística de retirada do resíduo.
“É uma grande satisfação estar aqui na ilha de Maiandeua, e especialmente junto às comunidades das vilas de Algodoal e Fortalezinha, para entregar os trituradores de vidro, chamados de moinhos-formiga. Estamos no segundo dia de trabalho, inicialmente o preparativo para entrega das bombonas destinadas ao melhor condicionamento dos resíduos em cinco comunidades da ilha de Maiandeua, e hoje para a entrega dos moinhos-formiga, que servirão para o melhor condicionamento do vidro triturado a ser encaminhado para o sistema de logística reversa do vidro, garantindo destinação adequada e geração de renda. É um avanço muito grande, pois a trituração permite que 220 garrafas possam ser transportadas em uma só bombona, garantindo maior segurança para quem manuseia e sustentabilidade para ilha com a coleta e descarte mais eficiente deste material nocivo ao meio ambiente e às pessoas da comunidade”, afirmou Rodolpho Zahluth Bastos.
As 105 bombonas que permanecerão na ilha serão usadas tanto no armazenamento do vidro triturado quanto no acondicionamento de outros resíduos sólidos. Do total, 65 bombonas são de 50 litros, destinadas ao armazenamento do vidro triturado, e 40 bombonas são de 200 litros, voltadas ao armazenamento de outros tipos de resíduos.
A distribuição dos equipamentos e bombonas contempla diferentes vilas da APA Algodoal-Maiandeua. Fortalezinha recebeu um triturador de vidro, 30 bombonas de 50 litros e 15 bombonas de 200 litros. Já a vila de Algodoal recebeu um triturador de vidro, 35 bombonas de 50 litros e 10 bombonas de 200 litros. Também foram destinadas bombonas de 200 litros para outras comunidades: Camboinha (5), Nazaré (5) e Mocooca (5).
Para a secretária municipal de Meio Ambiente de Maracanã, Josieane Carrera Silva, os equipamentos atendem a uma demanda antiga dos moradores. “Era uma expectativa de alguns anos das comunidades. O vidro é um grande problema dentro da ilha. A Prefeitura sente-se feliz com o recebimento desses equipamentos do Governo do Pará, que contribuem para a manutenção e preservação do meio ambiente e sua biodiversidade na ilha e suas comunidades, dando a destinação correta do vidro”, destacou.
Morador da vila de Algodoal e dono de um bar, Raimundo Oziel de Oliveira, 60 anos, ressaltou o impacto prático da iniciativa no dia a dia da comunidade. “Isso é de grande importância pra gente, a demanda é muito grande. Como teria que ser levada essas garrafas inteiras, em sacos, pra Maracanã? Então, com essa máquina agora pra triturar fica mais fácil, mais prático. E vai diminuir o trabalho. Se a pessoa for fazer a coleta desse lixo, desse reciclado, ele triturado fica mais prático pra gente. Isso aí é gratificante pra gente. Nossa ilha está recebendo essa máquina pra fazer esse trabalho. Isso aí vai melhorar muito a qualidade do trabalho da pessoa pra fazer a reciclagem.”
Já Manoel Teixeira, morador da vila de Fortalezinha e membro do conselho da APA Algodoal-Maiandeua, reforçou que a entrega dos equipamentos precisa caminhar junto com ações educativas. “A chegada desse material é muito importante no processo de preservação da ilha. Mas é preciso realizar um trabalho importante de conscientização dos moradores para a separação desse lixo, mas principalmente dos turistas que vêm, que são os responsáveis pela maioria do descarte do lixo e vidro. Fortalezinha bonita é Fortalezinha sem vidro. Espero que a Prefeitura de Maracanã se aproxime da comunidade para o envolvimento de todos no projeto e promova também novas iniciativas que visem o bem-estar dos moradores da ilha”.
A presidente do Instituto de Desenvolvimento Amazônia Sustentável (Ideassu), Carol Magalhães, reforçou o caráter pioneiro da iniciativa e o impacto direto na operação da coleta e transporte. Ela explicou que o Instituto será responsável pela operação, manutenção e treinamento para uso do equipamento, e que o vidro triturado será armazenado em bombonas vedadas, garantindo mais segurança no transporte por barco. Segundo ela, o material seguirá para a Reciclaçu, cooperativa de reciclagem de Igarapé-Açu, dentro da proposta de logística reversa para que o vidro volte a ser reaproveitado, “virando garrafinhas novamente”. Para Carol Magalhães, a iniciativa pioneira na ilha de Maiandeua pode abrir caminho para a multiplicação do projeto em outras áreas insulares do Pará.
Ação conjunta - A entrega é resultado de uma ação conjunta entre o Governo do Pará, a Prefeitura de Maracanã, a Prefeitura de Igarapé-Açu e a sociedade civil, somando esforços para ampliar soluções de gestão de resíduos em territórios ambientalmente sensíveis e com grande fluxo turístico, além de estar alinhada à Política Estadual do Clima e à Política Nacional de Combate ao Lixo no Mar.

