Emater incentiva empreendedorismo rural em Limoeiro do Ajuru
Emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar pelo órgão abre portas para o crédito rural a beneficiados
Em Limoeiro do Ajuru, na região do Tocantins, neste começo de ano, muitos ovos na cabeça fizeram parte da comemoração da conquista pelo jovem Max Luís Trindade, de 18 anos, de uma vaga em Engenharia Civil na Universidade Federal do Pará (UFPA).
Curiosamente, os ovos também figuram em uma outra celebração na família, também agora: a mãe, Lucinéia Trindade, de 51 anos, acaba de receber crédito rural, via Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) emitido pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), para empreender no ramo de galinha caipira.
O recurso de R$ 15 mil do Programa de Microcrédito Produtivo Orientado (PMPO), pela Caixa Econômica Federal (CEF), está sendo aplicado em três etapas: instalação de transformador para eletricidade na propriedade, aquisição de 250 aves e construção de galinheiro, galpão e poço artesiano.
O objetivo é consumir o básico e vender o excedente de carne e ovo. “Sou uma mãe solteira de quatro filhos, cujos quatro pais sempre foram ausentes. Criei e continuo criando sozinha minha família. Grávida e abandonada, cheguei a dormir dentro de um cemitério, porque não tinha onde morar. Com a benção de Deus e com a ajuda da Emater, sou uma mulher que superou a miséria e está se tornando microempresária rural”, conclama sobre a Casa da Árvore, uma área no km 06 da BR-422 desmembrada de um terreno de herança e assim batizada por um dos seis netos, Jhon Aleff Sena, de seis anos, autista.
A Família Trindade é uma das mais de 120 famílias de Limoeiro de Ajuru, a maioria de ribeirinhos assentados da reforma agrária, beneficiadas com cafs emitidos pela Emater entre novembro e dezembro de 2025, com a finalidade imediata de projetos de crédito rural pela operadora CACTVS, credenciada pela CEF.
As atividades visadas são criação de galinha ou de porco integrada à criação de tambaqui e tilápia em cativeiro e pesca artesanal de camarão regional e de espécies como filhote e mapará nos rios Limoeiro, Pará e Tocantins e respectivos afluentes. A expectativa para 2026 é de pelo menos mais 300 CAFs.
Para o chefe do escritório local da Emater em Limoeiro do Ajuru, o técnico em agropecuária e engenheiro agrônomo Edir Antônio Queiroz, o papel da Emater perpassa prospecção de demandas e mobilização no município, no contexto da cadeia produtiva do açaí e na vivência nas ilhas: “A Emater leva políticas públicas, in loco e no significado concreto, e isso faz toda a diferença para comunidades que muitas vezes podem se desamparar em segurança alimentar e renda na entressafra do açaí e nos períodos de defeso do pescado. São muitas estratégias para que diversifiquemos as fontes de sustento e lucro. Em relação à CACTVS, são parcerias que estamos refinando e que, em breve, tendem a acelerar e se ampliar”, diz.
Texto: Aline Miranda
