Governo do Pará lança XXI Festival de Ópera do Theatro da Paz

"Ópera dos Terreiros" abre a temporada 2022 do Festival e Secult anuncia a criação da Academia de Ópera do Theatro da Paz

21/01/2022 11h58 - Atualizada em 21/01/2022 12h19

Um dos principais festivais de Ópera do país volta a ocupar o calendário cultural do Pará. A partir do dia 28 de janeiro começa a temporada 2022 do Festival de Ópera do Theatro da Paz, uma realização do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). A nova temporada traz diversas novidades e está orçada em aproximadamente R$1.800.000,00. 

Abrindo a programação, de 28 a 30 de janeiro, o público poderá conferir a "Ópera dos Terreiros". O espetáculo musical, dirigido por Aldo Brizzi e produzido pelo Núcleo de Ópera da Bahia, é uma obra inédita que retrata a história de amor entre um negro banto e uma negra nagô, " um Romeu e Julieta na história dos negros que vieram escravizados construir o Brasil". Trata-se de uma ópera tradicional, contemporânea e ancestral ao mesmo tempo, que mistura vozes ligadas à grande tradição lírica europeia com uma percussão polirrítmica ao vivo. Haverá participação do Coro Carlos Gomes.

Com o tema “O ar que respiramos: Vozes pela Amazônia”, o XXI Festival de Ópera do Theatro da Paz deste ano traz uma proposta desafiadora - a realização de um ecofestival, engajado na defesa do meio smbiente e da sustentabilidade.

"O ar que respiramos não é somente essencial à vida, como é a ferramenta primordial para o canto lírico. Vozes pela Amazônia faz referência a um movimento internacional em defesa da Amazônia, em que as vozes dos cantores líricos ao redor do mundo se unirão pela preservação da floresta, de seu ecossistema e dos povos tradicionais que defendem o equilíbrio ambiental e climático de nosso planeta”, destaca a secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal. 

Ao longo dos três últimos anos, o Festival de Ópera do Theatro da Paz manteve grande reconhecimento no cenário nacional e ampliou seu alcance internacional, não apenas pela qualidade das produções, como pelo formato inovador e criativo desenvolvido como uma resposta desafiadora durante a pandemia de covid-19, que afetou profundamente todo o setor cultural.

“O Festival trouxe um novo conceito de trabalho, com a proposta de expansão do formato 'festival' para 'temporada', no qual a programação se estende ao longo do ano; com investimento na capacitação de técnicos de teatro e artistas paraenses através de cursos virtuais e presenciais de formação em ópera; e com a criação do projeto de extensão Sons de Liberdade, realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP), nas unidades prisionais do estado”, detalha a secretária Ursula. 

Durante a pandemia, o Theatro da Paz foi o único teatro-monumento do país que não interrompeu suas atividades artísticas, sendo pioneiro em migrar para o formato virtual e demais plataformas tecnológicas.

“Com esta proposta, o Festival manteve sua notoriedade e ampliou o alcance de suas ações, o que despertou o interesse de entidades públicas e privadas em nível nacional e internacional, como o Palácio das Artes de Minas Gerais, Núcleo de Ópera da Bahia, Festival Amazonas de Ópera, Concurso Vincerò (Itália), Centre de Musique Baroque de Versailles - CMBV (França) e algumas embaixadas, a exemplo da austríaca, francesa, estadunidense e libanesa. Com o Palácio das Artes, há a proposta para realização da ópera inédita Aleijadinho, a se realizar em sistema de coprodução. O Núcleo de Ópera da Bahia apresentará a Ópera dos Terreiros, abrindo a temporada 2022 do Festival. Com o Festival Amazonas de Ópera, será lançado o Corredor Lírico do Norte, um projeto inovador de coprodução artística na região amazônica. Em nível internacional, haverá uma parceria com o CMBV e Vincerò, dentro do projeto de criação da Academia de Ópera do Theatro da Paz”, detalha o diretor do Theatro da Paz, Daniel Araújo. 

Academia de Ópera do Theatro da Paz

A grande novidade do XXI Festival de Ópera do Theatro da Paz será a criação da Academia de Ópera do Theatro da Paz, que permitirá aos cantores líricos a prática dos conhecimentos adquiridos nos últimos três anos de formação, dentro de um ambiente pedagógico sistematizado.

“Neste primeiro momento, a Academia atenderá 25 cantores e cantoras, realizando suas atividades de fevereiro a dezembro. Dentre os projetos da Academia para o ano de 2022 estão a produção da ópera barroca francesa Armide, de Jean-Baptiste Lully, com o CMBV e cursos e masterclasses com o Vincerò. A produção dos figurinos, objetos cênicos e cenários da ópera Armide, assim como de As Bodas de Fígaro, será realizada em parte pelas custodiadas e custodiados incluídos no projeto Sons de Liberdade, ação do Governo do Pará nesta parceria entre SECULT e SEAP”, afirma a secretária Ursula Vidal. 

O projeto Sons de Liberdade tem chamado atenção pela proposta inovadora de capacitação de mão-de-obra especializada para a produção de ópera, visando a reinserção dos egressos atendidos no mercado de trabalho da economia criativa. De acordo com o diretor do Theatro da Paz, Daniel Araújo, a Embaixada da Áustria acenou com o patrocínio de parte do orçamento deste projeto. As oficinas de capacitação deste projeto serão ministradas de fevereiro a novembro de 2022.

Vendas de ingressos e protocolos de prevenção à covid-19

Desde o final do ano passado o Theatro da Paz opera com a capacidade máxima de lotação, porém, com um rigoroso processo de controle sanitário, em cumprimento ao Decreto Estadual n° 2.044/2021, de 06 de dezembro de 2021. Para acesso aos espetáculos, além do uso obrigatório e permanente de máscara, são cobrados o documento de identificação e o comprovante de vacinação completo contra a covid-19. 

A venda de ingressos para a Ópera dos Terreiros inicia neste sábado (22), na bilheteria do Theatro da Paz. Cerca de 40% serão comercializados por meio do site: www.ticketfacil.com.br. 
Dúvidas e informações sobre venda de ingressos: 
Fone: (91) 4009-8758/ 8759/8756
E-mail: bilheteriatdapaz@gmail.com

Calendário de Óperas da temporada 2022

De 28 a 30 de janeiro - Ópera dos Terreiros, de Aldo Brizzi; 

De 26 a 28 e 30 de março - As Bodas de Fígaro, de W. A. Mozart;

De 01 a 03 e 04 de dezembro - Armide, de Jean-Baptiste Lully.

Texto: Josie Soeiro/ Ascom Secult 

Por Iego Rocha (SECULT)