Obras de reparos, reforma e revitalização do Theatro da Paz serão concluídas em seis meses

Em 2019, a Secult realizou obras de contenção das infiltrações no equipamento para amenizar a falta de manutenção adequada

27/11/2020 12h13 - Atualizada em 27/11/2020 13h34
Por Josie Soeiro (SECULT)

Com problemas estruturais decorrentes da ação do tempo e das chuvas, após décadas de abandono, Theatro da Paz será revitalizadoPara cuidar do patrimônio histórico, artístico e cultural do Estado, o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), iniciou esta semana as obras de reparos, reforma e revitalização de uma das maiores casas de espetáculos do país, o Theatro da Paz. O equipamento símbolo do período áureo do Ciclo da Borracha vinha passando por problemas estruturais decorrentes da ação do tempo e das chuvas constantes na região, após décadas de abandono. 

A Secult contratou, por meio de licitação pública, uma empresa especializada em serviços de restauro para a revitalização da fachada; pinturas internas e pinturas especiais; reforma de forro; reforma e limpeza de pisos; reforma das instalações elétricas; tratamento de esquadrias; revitalização total do Café da Paz. A lista dos serviços incluem ainda a reforma completa dos banheiros e vestiários; e reforma do sistema de proteção contra incêndio.  

“Já faz mais de uma década que não tínhamos nenhum tipo de manutenção ou reparo sendo feito aqui. A gente mora numa região com muita chuva. Começamos as obras no ano passado, de uma forma muito importante, porque havia infiltrações em muitos espaços. E se nós não corrigíssemos logo o foco dessas infiltrações, não adiantava prosseguir com o trabalho. Então, a secretaria começou os reparos pelo telhado, que foi refeito, reestruturado, com trocas de todas as calhas, tudo foi trocado. E estamos sem nenhuma infiltração desde o ano passado”, explica o diretor do Theatro da Paz, Daniel Araújo. 

"O Governo do Estado espera reabrir o nosso Theatro da Paz com todo o cuidado que ele merece", secretária de Cultura, Ursula Vidal O equipamento cultural tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1963, já passou por algumas reformas e reparos, com destaques para os anos de 1905, entre as décadas de 1960 e 1970, 2000-2002, 2010 e em 2019, quando a Secult iniciou as obras de contenção e reparo no forro do prédio.

“Uma das novidades nessa obra é a criação de serviços especiais, como as novas salas de ensaio, a manutenção das cadeiras de palinha e revisão nos forros especiais de ferro. Então, vai ser uma obra de revitalização do Theatro da Paz do jeito que ele merece”, garante o diretor de patrimônio da Secult, Helder Moreira. 

“O Governo do Estado tem sido incansável nesse cuidado e nessa responsabilidade com o nosso patrimônio arquitetônico e histórico. Depois da entrega da Casa das Onze Janelas e do início das obras do Palacete Facíola, nós iniciamos agora a obra de revitalização do Theatro da Paz. Esse teatro inteiro é um monumento, com peças muito preciosas feitas de ferro fundido inglês, mármore italiano, de bronze, com lustres franceses. No próprio hall de entrada, há muitas referências a esse universo imagético e simbólico amazônico. Nós temos uma mistura muito peculiar de materiais vindos da Europa, com características que são muito específicas da nossa região amazônica. Essa é realmente uma casa de espetáculos, uma edificação que merece de nós todo o carinho também pelo valor simbólico que ela tem para a população no Pará. Daqui a seis meses, o Governo do Estado espera reabrir o nosso Theatro da Paz com todo esse cuidado que ele merece e que a nossa população, que é dona desta casa, merece também”, destaca a secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal. 

HISTÓRIA

O Theatro da Paz foi inaugurado em 15 de fevereiro de 1878, portanto, são 142 anos de existência, desde o período áureo do Ciclo da Borracha. O engenheiro militar José Tibúrcio de Magalhães realizou o projeto arquitetônico inspirado no Teatro Scalla de Milão, na Itália. O equipamento foi a primeira casa de espetáculos construída na Amazônia, tem 1.100 lugares, além de uma acústica perfeita.

A construção secular se destaca ainda pelos lustres de cristal, piso em mosaico de madeiras nobres, afrescos nas paredes e teto, dezenas de obras de arte, gradis e outros elementos decorativos revestidos com folhas de ouro. Atualmente, é o maior teatro da Região Norte e um dos mais luxuosos do Brasil e é considerado um dos Teatros-Monumentos do País.