'Crias do Curro Velho' aceleram o ritmo da preparação para o desfile em fevereiro

Oficinas envolvem crianças, jovens e adultos na confecção de fantasias, alegorias e adereços para a apresentação nas ruas do Telégrafo

17/01/2020 19h07 - Atualizada em 17/01/2020 20h25
Por Dayane Baía (SECOM)

Ensaios diários preparam os brincantes para o desfile em fevereiro O desfile da Escola de Samba Crias do Curro Velho no Carnaval de 2020 ocorrerá no dia 15 de fevereiro, com o enredo “A Barca das Crias Valorizando sua Magia: 30 anos de fantasia”. Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Fundação Cultural do Pará (FCP), o evento encherá ruas próximas ao bairro do Telégrafo, berço das “Crias”, com o colorido das fantasias, alegorias e adereços, e principalmente com a alegria dos brincantes.

Participam crianças a partir de 6 anos, jovens e adultos. A Escola está estruturada com mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, bateria, ala inclusiva para pessoas com deficiência, ala circense, ala da juventude e ala dos B Boys, que acrescentarão ao desfile a linguagem hip hop.

O coordenador José Maria Zehma destacou o enredo de 30 anos do Curro VelhoDe acordo com José Maria Zehma, coordenador de oficinas do Núcleo Curro Velho, vinculado à FCP, os preparativos estão em ritmo intenso. “Estamos a pouco menos de um mês do nosso espetáculo. Temos ensaios e oficinas diariamente. Todo o Curro Velho está envolvido com essa festa. Pretendemos levar para a avenida 30 anos de existência do Curro Velho. Todos os enredos vão estar em um único samba. Esperamos fazer uma grande homenagem a todos aqueles que passaram por esse espaço”, afirmou o coordenador.

O trabalho nas oficinas conta com envolvimento da comunidade. Na finalização de adereços, entre os artesãos estão mãe e filhas que capricham na divisão de tarefas. “Minhas filhas são crias do Curro Velho. É muito bom para as crianças, porque incentiva”, disse Josy Nunes, que também atua como instrutora de cerâmica e conta com a ajuda da filha Amanda, 19 anos, na produção e comercialização. “É muito bacana. A gente aprende mais coisas fazendo várias oficinas. Gosto muito de arte”, acrescentou. Jennyfer Silva, 15 anos, concordou com a irmã. “Estou aqui desde que tinha 6 anos. Já fiz curso de tudo. Participar do Carnaval é muito bom. A gente sente aquela energia, dança, vê tudo arrumado”, ressaltou  a adolescente, que já foi passista e porta-bandeira.Jennyfer Silva, ’cria’ do Curro, trabalha com a mãe e a irmã para o desfile

O figurino do mestre-sala e porta-bandeira está sendo confeccionado com dedicação e discrição, para surpreender o público no dia do desfile. O figurinista Leonilton Santos é responsável pelos trajes, incluindo do porta-estandarte. “Estou tentando trazer a leitura da cultura local deles e mais a minha linha de trabalho, voltada para a roupa, contando a história baseada no enredo lá do começo”, contou.

Segundo o instrutor Jesus da Conceição, o trabalho segue as planilhas afixadas nas paredes, priorizando a organização imprescindível para a conclusão dentro do prazo. “Aqui são os adereços e as fases estagnado, em andamento e finalizado. Os peixes já foram entregues e os demais estão em andamento”, explicou Jesus.

Consenso - A execução ocorre em uma linha de produção que inclui os croquis do figurinista, com indicação de materiais recicláveis e industriais. “A gente discute, chega a um consenso e começa a fabricar os adereços. É muito gratificante trabalhar no carnaval do Curro Velho, pela estrutura, pela forma. Temos um espaço como esse. Você fica só com sua equipe sem interferências para trabalhar”, disse o instrutor.O instrutor Jesus da Conceição trabalha seguindo as planilhas

“Não vou dar ‘spoiler’, mas o que podemos dizer é que o enredo ‘A Barca das Crias, 30 anos de fantasia’ vai trazer para a avenida todo o imaginário e a poesia que o Curro Velho construiu ao longo de três décadas de existência. Para isso, também usamos da criatividade, pois 90% dos nossos carros alegóricos são feitos com material reutilizado. Vamos trazer não só a questão ambiental, mas toda a história do nosso carnaval, como as palafitas da Vila da Barca”, adiantou José Zehma.

Os ensaios são abertos ao público e ocorrem todas as tardes. O Curro Velho está recebendo material reciclável para a confecção de algumas peças, como jornais e tampas de garrafas pet.

Confecção das fantasias mobiliza o figurinista Leonilton Santos e costureiras

Serviço: O Núcleo Curro Velho, sede das "Crias", está localizado na Rua Professor Nelson Ribeiro, 287, bairro do Telégrafo.