Samba e jazz se encontram no Guamá para encerrar Preamar da Consciência Negra

Concerto reuniu músicos da Amazônia Jazz Band (AJB) e ritmistas da Associação Carnavalesca Bole-Bole

02/12/2019 09h38 - Atualizada em 02/12/2019 13h46
Por Úrsula Pereira (SECULT)

Encerrando a programação do Preamar da Consciência Negra em grande estilo, a Secretaria de Estado Cultura (Secult) organizou um momento inédito, unindo o erudito e o popular no coração do bairro do Guamá, um dos sete territórios atendidos com ações e políticas públicas desenvolvidas pelo Programa Territórios Pela Paz (TerPaz).

A programação ficou por conta da Amazônia Jazz Band (AJB), que apresentou um concerto com a participação de ritmistas da Associação Carnavalesca Bole-Bole, no sábado (30), na sede da Escola, em Belém. A abertura foi feita pela Banda de Fanfarra da Escola Barão de Igarapé Miri, descentralizando as ações de cultura dos espaços tradicionais da capital.

Para o maestro Nelson Neves, regente titular da AJB, a novidade traz uma experiência de diálogo com outros sons, a partir das comemorações do Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro. “O show reuniu ritmos brasileiros que lembram as nossas raízes africanas e também celebrou o blues e o funk, populares nos Estados Unidos, e que igualmente são uma herança africana”, diz o maestro. “O repertório ressaltou o trabalho de compositores negros, tais como Moacir Santos, Pixinguinha, Jorge Ben Jor, João Bosco, entre outros”, completa.

De acordo com Vetinho, presidente da Bole Bole, o encontro musical entre o samba e o jazz, além de uma oportunidade de colaboração cultural para os moradores do bairro do Guamá, trouxe uma nobre expectativa: a de encantar a juventude para uma nova perspectiva de vida, acreditando nas ações de arte e cultura como geradoras de novas oportunidades.

“Essa proposta mostrou ao povo guamaense que todas as formas de manifestações culturais podem estar ao nosso alcance. Esse despertar é o nosso anseio, por isso, mobilizamos principalmente alunos dos colégios de perto, para que a música sirva como incentivo à prática cultural. Precisamos aumentar a frequência dessas ações dentro do bairro”, afirmou.  

O mesmo ânimo é nutrido por Fabrício Meireles, conhecido como Mini, monitor da Banda de Fanfarra da Escola Barão de Igarapé Miri. “A AJB é conhecida e para nós é muito gratificante, principalmente para os alunos – crianças e jovens – que estão em busca de conhecimento. A gente gosta de criar os nossos próprios músicos e ritmistas, com alunos que não sabiam nem segurar uma baqueta, um prato e, com dedicação, conseguem se transformar em grandes músicos. Para nós, esse encontro significou visibilidade e acesso. Tenho certeza que eles saíram daqui transformados”, declara.

Claudia Cardoso, moradora do bairro também ficou surpresa e feliz com a ação. “O show foi maravilhoso e este momento é histórico para todos nós que moramos aqui no Guamá. Porém, aos jovens a mensagem que fica é ‘se esses músicos podem, nós também podemos’. Esse incentivo é fundamental na formação dos adultos de amanhã, porque o futuro é construído no hoje”, afirmou.

A Preamar da Consciência Negra se configurou como um mês de programação diversa e plural, que reconheceu e valorizou os saberes e fazeres do povo negro, que tanto contribuiu na construção da rica cultura paraense. A intenção da Secult foi celebrar a importância dessa cultura na formação do povo brasileiro e promover uma reflexão sobre a ancestralidade africana, fundamental para a identidade do país e do Pará.

De acordo com a secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal, o bairro do Guamá tem uma densidade cultural muito grande, com diferentes expressões artísticas, e a programação do Preamar da Consciência Negra não poderia encerrar em um lugar melhor.

"Nossa intenção foi promover esse encontro tão aguardado, festivo e potente de musicalidade entre a Amazônia Jazz Band e os 50 ritmistas da Escola de Samba Bole Bole, iniciado com a Banda de Fanfarra da Escola Barão de Igarapé Mirim, para valorizar os talentos da juventude que já vem desenvolvendo um trabalho de iniciação musical dentro da própria escola. Levar essa ação para quadra do Bole Bole tem um valor simbólico muito produtivo de mostrar que a cultura produzida no Pará precisa estar onde o povo está", afirmou.

Na oportunidade, a secretária comentou o resultado do 'Prêmio Preamar de Cultura Popular', um edital simplificado e oferecido aos fazedores de cultura – pessoa física – em atuação há pelo menos um ano. O prêmio descentraliza as atividades culturais para o interior do Estado, contemplando as regiões de integração e os sete territórios de vulnerabilidade social integrantes do programa TerPaz.

A ação foi uma realização do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), em parceria com a Academia Paraense de Música (APM), apoio do Theatro da Paz e Fundação Cultural do Pará (FCP).