Mulheres do Marajó aprendem a combater a violação de direitos

06/11/2019 22h46 - Atualizada em 07/11/2019 10h56
Por Claudiane Santiago (SEJUDH)

Em Breves, 80 mulheres participaram da oficina. Em Bagre, elas contaram histórias de vida para um público de cerca de 100 pessoasCom a proposta de fazer a população feminina conhecer mais sobre seus direitos para saber reivindicá-los, foi realizada nesta quarta-feira (06) a oficina “Direitos Humanos e Cidadania”, simultaneamente nos municípios de Breves e Bagre, no Arquipélago do Marajó. Foi a primeira etapa do Projeto “Mulheres Marajoaras, com elas e por elas”, implementado pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

Em Breves, cerca de 80 mulheres participaram da oficina, que mostrou como funciona a rede de atendimento ao público feminino, para combater violações de direitos humanos, sobretudo os instrumentos legais para denunciar e fazer valer os direitos da mulher. Por meio de poesias, letras de músicas e dramatização, as participantes expuseram seus conhecimentos sobre assédio sexual, violência moral e psicológica, violência doméstica, feminicídio e outros temas semelhantes.

Elas aprenderam como identificar cada caso e a função dos órgãos de proteção e defesa, em cada situação, para saber como agir diante das práticas criminosas. “Elas vieram em busca de conhecimento e, aqui, aprenderam um pouco mais como identificar e se proteger contra as violações de direitos. Elas saem daqui mais fortes e empoderadas”, disse a palestrante Ângela Jorge.

Em Bagre, várias mulheres contaram suas histórias de violência, para um público estimado em mais de 100 pessoas. Entre os relatos, uma jovem de 22 anos contou que não estuda porque o marido a impede. Uma senhora de 44 anos disse que voltou a viver após se separar do marido, que a espancava diariamente há vários anos. As duas foram acolhidas pelas mulheres presentes, que se comprometeram a manter o vínculo criado na oficina para se ajudarem mutuamente a partir de agora, a fim de que conquistem as mudanças de vida almejadas.

Após a troca de experiências, foram elaboradas propostas para fortalecer a rede de proteção nos dois municípios, entre as quais a reativação do Conselho da Mulher de Bagre, potencialização da Secretaria Municipal da Mulher, garantia do Sistema de Justiça e mais debates para inclusão na elaboração de políticas públicas.

“Os depoimentos delas e as possibilidades que temos de ajudá-las a superar as adversidades são imensas. Estamos iniciando o plantio das sementes. É gratificante ouvir delas que estão aprendendo com a gente a enxergar e apreender os seus direitos, identificando direitos humanos”, disse a palestrante Odilene Andrade.

Foram tratados temas como assédio sexual, violência moral e psicológica, violência doméstica e feminicídioRede de direitos - As oficinas desta quarta-feira (06) possibilitaram às mulheres de Breves e Bagre o despertar para novas atitudes diante das violações de direitos.  “Há mais de oito anos eu apanhava do meu marido, mas nunca fiz nada porque eu achava que era normal, que toda mulher uma vez na vida apanhava de homem. Hoje, eu aprendi sobre os meus direitos, e já sei pra quem recorrer se ele se atrever a tocar em mim de novo”, declarou uma das participantes.

Cada relato renovou a esperança de conhecer e saber que há uma rede de serviços para garantia e proteção dos direitos da mulher, afirmou Rayara Coutinho, 28 anos. “Aqui, a gente reviveu algumas situações que, infelizmente, ocorrem direto com a gente. Mas serviu também pra aprender como se defender e saber que aqui tem órgãos que podem proteger a gente, como o Conselho da Mulher e a Delegacia da Mulher. O que faltava era informação”, frisou a participante.

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