Fé e devoção marcam o Círio de Nazaré em Marabá

Procissão percorreu ruas da cidade e reuniu 200 mil romeiros de vários municípios da região

20/10/2019 12h27 - Atualizada em 20/10/2019 17h21
Por Jackie Carrera (SECOM)

Sob o sol escaldante, multidão cumpriu o percurso acompanhando a berlinda, que foi decorada com flores ornamentais da AmazôniaMajestosa e cercada de fiéis, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré percorreu, neste domingo (20), as ruas de Marabá, no sudeste paraense. Com um manto em alusão à fauna e flora da região, e transportada em uma berlinda decorada com flores ornamentais da Amazônia – em tons laranja e vermelho, a Imagem fez jus ao tema da 39ª edição da festa, intitulada "Rainha da Amazônia". A procissão terminou quase meio dia, no Santuário de Nazaré, onde uma missa foi celebrada.

Pelas ruas e rodovias de Marabá, muitos fiéis louvavam, pediam e agradeciam. Entre eles estava Maria Deuzuíta de Sousa, 69, que pelo quinto ano consecutivo cumpria a promessa de acompanhar a procissão, carregando uma maquete da própria residência na cabeça.

A devota Maria Deuzuíta agradecia a conquista da casa própria"Morei anos de favor e nunca tive uma casa própria. Pedi pra ela que conseguisse pelo menos um terreno pra construir minha casa e eu consegui. Fiz um barraco de madeira e agora já tem dois cômodos de alvenaria e uma parte sendo rebocada. Tenho certeza que vou concluir até o final do ano. Falta construir a sala e a cozinha", contou Maria, que mora com o marido, filha e netos no bairro Vale do Itacaíunas.

Essa mesma fé que realiza sonhos pode também fazer milagres, acredita a oleira Kátia Cilene. "Meu filho é portador do vírus HIV e eu faço promessa porque eu sei que Nossa Senhora vai curar ele. A fé alcança o impossível", louva a mãe.

Kátia segue a procissão há três anos e, neste Círio, mesmo debaixo de um sol escaldante, decidiu ir vestida com uma bata estilizada do filho, que é roqueiro. Preta com detalhes em vermelho, a vestimenta é feita de tecido grosso e pesado, mas ela não pensava em desistir. Carregando ainda um grande terço de madeira no pescoço, ela cumpria o percurso rezando. "Tá quente. Mas estou feliz. Eu vou seguir a procissão até o fim", afirmou a devota.

Assim como Kátia, a devoção por Nossa Senhora falou mais alto do que o sacrifício para o pedreiro Raimundo Francisco, que participa da procissão há 20 anos, descalço e puxando a corda. O gesto é em agradecimento por ter superado um grave acidente.

"Cai do alto de uma casa em que trabalhava. Desloquei um dos joelhos e pedi pra Nossa Senhora em nome de Deus pra me curar, me deixar voltar a trabalhar e me locomover. E eu estou aqui todo ano", afirmou o pedreiro.

Fiéis louvaram e agradeceram bençãos recebidas com a intercessão da Virgem de NazaréGrandiosidade – Segundo a diretoria da festa, cerca de 200 mil fieis participaram da romaria no sudeste paraense, reunindo pessoas de vários municípios da região. O Círio saiu do bairro Marabá Pioneira e seguiu em direção à Nova Marabá, onde fica o Santuário de Nossa Senhora de Nazaré.

O trajeto percorre as principais vias da cidade, passando pela área conhecida como Bambuzal e rodovia Transamazônica, cruzando Folhas como a 32, 26, 27, 31, 21, 28 e 16.

A procissão deste domingo iniciou com uma hora de atraso. A previsão era começar às 7h da Praça Duque de Caxias, na Marabá Pioneira, mas já passava das 8h quando a berlinda começou a seguir com os romeiros. "Um dos pneus da carruagem que leva a Imagem estourou por conta do peso da estrutura, que tem uma tonelada", disse Francisco Juarez Peireira, que trabalha como voluntário há 20 anos, prestando apoio à corda.

PM atuou no grande evento de forma integrada com outras forças de segurançaSegurança – A Polícia Militar atuou no Círio de Marabá de forma integrada com outras forças de segurança. Segundo o major Edson, o efetivo se concentrava em pontos estratégicos ao longo do percurso, com policiais a pé, em viaturas e motopatrulhamento. Um drone também auxiliou nos trabalhos. "A ideia é aumentar nosso raio de observação e não só atuar rápido em casos delituosos, mas também prestar auxílio aos fiéis. Se o drone visualizar uma pessoa desmaiando ou algum acidente, por exemplo, conseguimos acionar a ambulância", disse o major.

Para o policial, trabalhar no Círio é uma missão nobre e um momento bastante pessoal. "A fé muda muita coisa no nosso sentimento. Aproveitamos para agradecer e pedir proteção para o ano todo. Porque eu creio que nossa missão, por mais adversa que seja, sempre terá êxito se tivermos a proteção divina", revelou Edson.