Territórios pela Paz tem ações de educação e trabalho pela Susipe

20/06/2019 10h09 - Atualizada em 20/06/2019 10h10
Por Vanessa Van Rooijen (SUSIPE)

As ações da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe), que integram o programa estadual Territórios pela Paz, começaram com intensas atividades nesta semana. Por meio dos projetos "Conquistando a Liberdade" e "Papo di Rocha", promovidos pela Diretoria de Reinserção Social da Susipe (DRS), foi possível apresentar o pouco do que será desenvolvido nos bairros que receberão intervenção do programa.

O "Territórios pela Paz" é um programa do governo do Estado, aprovado a partir de um debate técnico, que resultou em um conjunto de ações que serão desenvolvidas pela secretaria e demais órgãos do Governo. A Susipe ficou encarregada de realizar três grandes ações: o "Conquistando a Liberdade", um projeto de remição de pena por meio do trabalho de manutenção e limpeza de escolas; a feira de produtos orgânicos, em que os legumes, frutas e artesanatos produzidos pelos internos são comercializados com preços até 20% mais baixos que nas feiras convencionais; e o projeto "Ruas da Liberdade", que ainda está em fase de estruturação, mas visa a pavimentação das ruas das comunidades periféricas de Belém com blocos de concreto produzidos pelos internos.

Antônio dos Santos participa do "Conquistando a Liberdade" desde 2015 e conta como o projeto ajuda quem quer mudar de vida. "Esse é um meio de mostrar que a gente quer mudança, todos que estão aqui querem uma mudança de vida. Graças à Deus a gente está tendo essa oportunidade de ir às ruas, ganhar espaço e poder voltar à comunidade. Quem vem com o pensamento de realmente conquistar a liberdade mostra para si próprio e para quem está de fora que é capaz. A gente fica feliz de mostrar que somos novas pessoas. Junto com esse projeto nos queremos fazer o melhor para contribuir para que a comunidade fique segura e livre de criminalidade", disse o reeducando.

Segundo Ed Wilson Nascimento, diretor de Reinserção Social da Susipe, 370 mil pessoas serão beneficiadas com o programa Territórios pela Paz. "O principal objetivo é a diminuição da criminalidade e a oferta de políticas públicas. Isso é algo fantástico. Eu tenho certeza que em um curto espaço de tempo o reflexo dessa atuação do governo aparecerá nos números, nas estatísticas e na melhoria de vida para cada uma das pessoas que será beneficiada com essas ações", explicou.

Papo di Rocha

Durante três dias, ações de limpeza e manutenção foram realizadas na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio José Valente Ribeiro, no bairro da Cabanagem, em Ananindeua - o primeiro a receber as ações do programa Territórios de Paz. Através do Conquistando a Liberdade, 15 internos da Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel (CPASI) proporcionaram um ambiente digno aos alunos. Ao final, foi a vez de conversar com os jovens da escola sobre os perigos que a vida de crimes oferece: o "Papo di Rocha.

O Papo di Rocha é um bate papo entre os alunos e os reeducandos. O interno Marcos Ribeiro falou sobre a entrada no mundo do crime, relatou para os alunos as dificuldades de viver no cárcere e aconselhou os jovens. Cerca de 200 alunos participaram da conversa e puderam fazer perguntas aos internos.

Nayara Ribeiro, 16 anos, é estudante do 2° ano do ensino médio. Para ela, ações como essa servem de alerta. "Muitos jovens não têm o conhecimento do que é a realidade dentro dos presídios brasileiros e isso é um incentivo para que eles não venham seguir o mesmo exemplo que esses presos", disse.

Ed Wilson, diretor da DRS, explica sobre a importância de levar o projeto para dentro das escolas. "O Conquistando a Liberdade é uma das ações prioritárias dentro da reinserção social porque ele estabelece um diálogo com a sociedade, prevenindo o crime. Quando nós relatamos a história do interno para a comunidade escolar dentro de um bairro considerado de altíssima incidência de crime, estamos prevenindo que esta siga o mesmo caminho. Os adolescentes e os jovens precisam compreender que o mundo do crime não leva a nada", afirmou o diretor.

Para a diretora da escola José Valente Ribeiro, Ivanilda Vieira, a atuação do governo por meio de ações como essa são necessárias. "As escolas de modo geral precisam dessa atuação, elas precisam ter o governo dentro da escola. O Território de Paz vai trazer essa atuação porque o governo não precisa procurar outros meios, ele tem as suas próprias secretarias e cada secretaria faz o seu melhor. Às vezes, muitas ações ficam escondidas, como por exemplo essa da Susipe, que é uma ação maravilhosa e contribui não só com a questão ambiental, mas também com os nossos alunos porque eles passam a olhar a vida de outra forma", contou a diretora.