Hospital Abelardo Santos orienta sobre cuidados essenciais para a saúde no verão
El Niño deve elevar ainda mais a temperatura e exigir atenção redobrada da população
O impacto do fenômeno climático El Niño promete tornar o verão amazônico ainda mais quente no Pará. Esse evento meteorológico, que aquece as águas do Oceano Pacífico e reduz o volume de chuvas na região Norte, eleva as temperaturas locais justamente no período das férias escolares de julho, quando cresce o fluxo de banhistas em praias e balneários.
A exposição prolongada ao sol sem proteção, a desidratação e os hábitos alimentares inadequados aumentam os riscos de complicações à saúde. Para reduzir esses impactos, o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, distrito de Belém, destaca orientações preventivas que associam cuidados com a pele, hidratação regular e consumo de refeições leves.
Cuidados com gestantes e crianças - O aumento das temperaturas exige atenção com a saúde de gestantes e crianças. Nas grávidas, as mudanças hormonais favorecem o surgimento do melasma, que consiste em manchas escuras no rosto causadas pelo aumento da melanina, o pigmento que dá cor à pele. A radiação solar direta acelera essa pigmentação, e o calor facilita a desidratação, o que pode provocar quedas de pressão e tonturas. A recomendação médica inclui o uso de chapéus de abas largas e protetor solar com cor, que atua como barreira física contra a luz.
Na infância, os cuidados mudam conforme a faixa etária. Bebês menores de seis meses não devem receber exposição solar direta e não podem utilizar protetor solar comum, de modo que a proteção deve ser feita com roupas leves e permanência em locais de sombra. Para as crianças maiores, a orientação inclui blusas com proteção UV, bonés e a oferta constante de água por parte dos pais, mesmo antes de surgir a manifestação de sede.
Horários críticos - Para evitar lesões na pele, a recomendação é priorizar a exposição solar antes das 10h e após as 16h, períodos em que a radiação ultravioleta é menos intensa. A médica Mayana Brito, coordenadora da Clínica Médica do HRAS, reforça a necessidade de utilizar barreiras físicas, como camisas com proteção UV, chapéus, óculos escuros e guarda-sóis, além de filtro solar com fator de proteção acima de FPS 50 para ambientes a céu aberto. É necessário reaplicar o produto periodicamente, pois a transpiração e os banhos reduzem a eficácia na pele. "A prevenção é a melhor forma de evitar queimaduras solares e reduzir o risco de envelhecimento precoce e câncer de pele, por isso o uso do protetor com FPS adequado e as barreiras físicas são indispensáveis", afirma a médica.
A especialista detalha os três níveis de gravidade das queimaduras. A de primeiro grau, considerada leve, manifesta-se por vermelhidão, ardência e pele quente, podendo descamar após alguns dias. Nos casos de segundo grau, classificados como moderados, surgem inchaço e pequenas bolhas, gerando dor intensa e maior risco de infecção. Já os quadros graves, de terceiro grau, caracterizam-se pelo aparecimento intenso de bolhas acompanhado de sintomas gerais, como febre, calafrios, mal-estar e queda da pressão arterial.
Quando buscar o hospital - Nos casos leves, recomenda-se resfriar a pele com compressas frias ou banho em água fresca, evitando o uso de gelo direto. Hidratantes ou loções calmantes indicadas por profissionais ajudam a aliviar o desconforto. Caso surjam bolhas, elas jamais devem ser rompidas, pois funcionam como uma proteção natural contra infecções.
A assistência médica imediata deve ser buscada quando houver queimaduras extensas, múltiplas bolhas grandes, ou se o paciente apresentar febre, calafrios, náuseas, vômitos e sinais de infecção, como secreção com pus ou mau cheiro. Queimaduras em crianças pequenas, idosos ou pessoas com doenças crônicas merecem atenção especializada imediata na unidade de saúde.
Hidratação e alimentação - O equilíbrio do organismo depende da ingestão de líquidos, mas o volume ideal varia conforme a idade, prática de atividade física e perda de suor. Juliana Leite, nutricionista que atua no HRAS, reforça que a escolha da bebida é fundamental para garantir o bem-estar no calor. "A água pura deve ser sempre a bebida preferencial. Nenhum outro líquido a substitui em uma hidratação adequada", afirma a nutricionista.
Outra orientação é optar por refeições leves e fracionadas. Frutas com alto teor de água, como melancia, melão e laranja, auxiliam na reposição hídrica, enquanto pratos gordurosos devem ser evitados devido ao maior esforço exigido do metabolismo durante a digestão.
Alerta para pacientes renais - O protocolo de hidratação exige atenção personalizada para quem tem doença renal crônica, condição em que os rins perdem progressivamente a capacidade de filtrar as impurezas do sangue. Ao contrário do público geral, a ingestão de água para esse grupo depende do estágio da doença, da presença de inchaços, do volume de urina que o corpo produz e se o paciente já realiza diálise, que é o procedimento mecânico de filtragem do sangue.
A nutricionista Juliana Leite esclarece que a restrição de líquidos não é uma regra universal. Ela explica que essa conduta deve ser avaliada individualmente e que muitos pacientes em acompanhamento conservador, que consiste no tratamento feito apenas com medicamentos e dieta, sem necessidade de máquina, não precisam limitar a água de forma rigorosa. Para os pacientes que possuem recomendação de controle, o monitoramento evita o acúmulo de fluidos que pode sobrecarregar o coração e os pulmões.
A rotina alimentar de quem tem a função renal comprometida também requer cuidados com minerais como sódio, fósforo e potássio. Alimentos comuns no verão, como água de coco, melancia e melão, são ricos em potássio e devem ser consumidos sob estrita orientação profissional. O excesso desse mineral no sangue pode desencadear arritmia cardíaca, que é um distúrbio que altera o ritmo natural e seguro dos batimentos do coração.
Referência em saúde pública - O HRAS é a maior unidade pública do Governo do Pará. Referência no atendimento à mulher, criança e população indígena, promoveu mais de um milhão de atendimentos em 2025.
A estrutura conta com pronto-socorro pediátrico, ginecológico e obstétrico 24 horas, 360 leitos distribuídos entre emergência, cirurgia, internação clínica, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidades de Cuidados Intermediários (UCIn), além de ser uma das principais maternidades do Estado, realizando mais de 5 mil partos anuais, e contar com um centro de terapia renal.
Texto: Ascom/HRAS

