Apresentação artística no CIIR fortalece acesso e protagonismo de pessoas com deficiência
'Corpovisual' destaca a inclusão, por meio da arte, para usuários, acompanhantes e colaboradores do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR)
O auditório do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) foi tomado por emoção, escuta e movimento durante a apresentação artística “Corpovisual: entre histórias, afetos e acesso”, realizada para usuários, acompanhantes e colaboradores da instituição, na tarde da quarta-feira (4).
A atividade foi seguida por uma roda de conversa que fortaleceu o processo criativo da Oficina Língua-Corpo, ação cultural viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
Mais do que um espetáculo, o encontro apresentou uma experiência de arte inclusiva, na qual acessibilidade e criação caminharam juntas desde a concepção até a cena. A apresentação reuniu pessoas surdas e ouvintes sinalizantes, com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) integrada ao acontecimento artístico, garantindo acesso comunicacional e fortalecendo a poética visual como linguagem central do trabalho.
Entre os colaboradores do CIIR que integraram a apresentação estiveram a professora de Teatro Paula Barros e a assistente administrativa do Núcleo de Educação Permanente (NEP) Gessica Pimentel, que atuou como intérprete de Libras durante a atividade. A presença de membros da comunidade surda e de ouvintes sinalizantes reforçou o caráter coletivo e inclusivo da proposta.
Experiência artística a partir do olhar do usuário
Usuário atendido pela Reabilitação do CIIR, Wirinelton da Silva, 32 anos, integrou a oficina e a apresentação como participante surdo. Ele compartilhou como o processo artístico contribuiu para seu desenvolvimento pessoal e expressivo, destacando a importância da vivência corporal e do incentivo recebido ao longo do percurso.
“Eu não era tão solto no começo. Esse processo foi como o desenvolvimento de um bebê, uma evolução aula após aula. Tive motivação, vontade e interesse de aprender. A arte me trouxe esse desejo de ocupar espaços e de mostrar que a pessoa surda é capaz”, afirmou Wirinelton. Para ele, a experiência também fortalece a identidade surda e inspira outras pessoas a se reconhecerem como protagonistas no campo artístico.
Arte como continuidade e pertencimento
A supervisora do setor de Arte e Cultura do CIIR, Denise Morais, parabenizou a equipe e destacou a relevância da iniciativa. Segundo ela, projetos como esse ampliam horizontes e criam possibilidades reais de continuidade para quem já percorreu processos formativos.
“Essa junção de processos é muito enriquecedora. A oferta de arte para pessoas com deficiência precisa ser ampliada, e é fundamental saber que existem grupos e espaços que pensam em acolher essas pessoas depois das oficinas, para que elas possam continuar experimentando a arte”, ressaltou Denise.
A apresentação contou ainda com a atuação da tradutora e intérprete de Libras do CIIR, Jéssica Leal, responsável pela interpretação para o público. Para ela, o projeto amplia a compreensão sobre o teatro com pessoas surdas ao priorizar a expressão corporal e a poética visual, indo além de narrativas tradicionais e evidenciando produções artísticas relevantes.
Acessibilidade e protagonismo como premissa
A apresentação teve como facilitadora a coordenadora do projeto Língua-Corpo, Danielle Ramos, que é pessoa com deficiência visual monocular e “artista do corpo e da palavra”, como assim se denomina. Ela explica que o trabalho apresentado nasceu do próprio processo vivido na oficina. As cenas foram construídas a partir das histórias de vida dos participantes, compartilhadas de forma íntima e transformadas em material criativo coletivo.
“O que a gente apresentou hoje nasceu das histórias de cada participante. Histórias de desafios, lutas, conquistas e afetos que se transformaram em material poético, corporal e coletivo”, explicou Danielle. Ela também ressaltou que os intérpretes de Libras estiveram presentes em todas as etapas do processo, acessibilizando a comunicação e compondo a cena.
O evento reafirmou que a arte, quando pensada a partir do acesso, amplia vozes, conecta histórias e transforma realidades. No CIIR, o corpo se tornou linguagem, a Libras ganhou centralidade e a arte inclusiva mostrou sua potência como ferramenta de expressão, pertencimento e cidadania.
Referência para PcD - O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é referência no Pará em assistência de média e alta complexidade à Pessoa com Deficiência (PcD) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).
Serviço: O CIIR é um órgão do Governo do Pará, administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Funciona na rodovia Arthur Bernardes, nº 1000, bairro Val-de-Cans, em Belém.
Texto de Tarcísio Barbosa / Ascom CIIR
