Servidores do Estado são capacitados em resíduos sólidos e desenvolvimento industrial no Japão

11/09/2019 12h02 - Atualizada em 11/09/2019 14h38
Por Cintia Magno (SEPLAN)

Com o objetivo de enriquecer os conhecimentos prévios com as experiências de outros países, a fim de que possam contribuir com políticas públicas sustentáveis para o Pará, dois servidores do Estado realizam treinamento nas áreas de gestão de resíduos sólidos e de desenvolvimento industrial no Japão. Os cursos são disponibilizados pela Japan International Cooperation Agency (Jica) em parceria com o governo do Estado, por meio da Secretaria de Planejamento (Seplan).

Voltado para o desenvolvimento de conhecimentos relacionados à gestão eficiente dos resíduos sólidos, o treinamento pelo qual passa o fiscal de equipamentos turísticos da Secretaria de Turismo (Setur), Daniel Neri Pantoja, teve início ainda no dia 20 de agosto deste ano. Porém, antes que seguisse para a cidade de Kobe, no Japão, a capacitação adotou iniciativas positivas mantidas aqui mesmo, no Brasil.

“O treinamento iniciou em Brasília (DF), onde participamos de palestras e conhecemos grande parte do processo de reciclagem de resíduos sólidos mantido pela autarquia que é referência no Brasil nesse tipo de operação”, conta Daniel. “As palestras e as visitas seguiram até o dia 21 de agosto, quando embarcamos para São Paulo (SP), onde também conhecemos as instalações (da autarquia responsável pelo tratamento dos resíduos da cidade de São Paulo), procedimentos de reciclagem, compostagem, e palestras com funcionários especialistas”.

Desde o dia 24 de agosto, a capacitação ocorre no Japão. Além de aulas de história, cultura, economia e língua japonesa, as atividades envolvem visitas técnicas a projetos que demonstram as evoluções conquistadas pelo país, em relação à correta destinação do lixo produzido. “Já fomos à universidades locais, tivemos palestras sobre meio ambiente, economia e a estrutura de governo japonês", exemplifica Daniel. “Cada participante também já apresentou seu relatório inicial, colocando as dificuldades de sua cidade, e estamos fazendo uma análise dos principais problemas dentro de cada realidade para chegarmos às melhores soluções”.

Além de Daniel, outros dois brasileiros, três moçambicanos, um angolano e um cursista natural de São Tomé e Príncipe integram a turma. Nesta fase do treinamento, todos se encontram na cidade de Kyoto, onde ocorrerá a maior parte da capacitação. “O curso ainda está no início aqui no Japão, entretanto, estou impressionado com o funcionamento da cidade e a educação japonesa”, apontou o servidor, certo de que a experiência poderá contribuir em muito para o estado do Pará. “Aqui, quando as pessoas percebem que tem algum lixo, por exemplo, uma garrafa no chão, eles levam consigo, tudo uma questão de educação”.

Desenvolvimento – As experiências e práticas desenvolvidas no país também são o cerne do curso Desenvolvimento Industrial Regional Considerando Recursos Locais, do qual participa o diretor da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet), Demethrius Pereira Lucena de Oliveira. “A experiência tem sido de crescimento para o nosso Estado. É com grande satisfação que percebo que muita coisa que estamos vendo aqui será útil para o desenvolvimento do Pará”, aponta. 

Demethrius  conta que o treinamento teve início no dia 31 de agosto deste ano, em Kiushu, porém, várias outras cidades japonesas ainda serão visitadas ao longo do curso. “Funciona como uma consultoria especializada e, em todos os momentos, trabalhamos com dados reais e problemas que enfrentamos como, por exemplo, a necessidade de desenvolvimento das cadeias produtivas de frutas, hortaliças e pescado”. 

A partir do treinamento prático sobre como as indústrias locais do Japão funcionam, a expectativa é de que sejam identificadas maneiras de adotar estratégias que possam atender às necessidades do Pará. “Formamos um grupo comigo, único representante do Brasil, e dois representantes da Argentina, para tratar do apoio ao desenvolvimento da cadeia produtiva do pescado e resolvemos escolher como tema a produção paraense”, aponta Demethrius. “O nosso plano de ação vem precedido de um plano de negócios e estamos utilizando as ferramentas de planejamento estratégico mais avançadas para desenvolvê-lo. Mas é só um exemplo de vários outros que poderemos executar a partir do conhecimento agregado pelo curso”. 

Seleção – Para que pudessem participar dos treinamentos, tanto Daniel Pantoja, quanto Demethrius Lucena passaram por processo seletivo que atendeu a critérios estabelecidos pela própria Jica. A Seplan foi a encarregada de receber os documentos dos interessados, pelo estado do Pará, e encaminhá-los à cooperativa japonesa, responsável pela seleção nacional dos candidatos e divulgação do resultado final.