Projeto da Emater e Ceasa de reciclagem trará economia de R$ 700 mil por ano para o Governo do Estado

11/09/2019 11h42 - Atualizada em 11/09/2019 14h11
Por Aline Miranda (EMATER)

Lançado oficialmente esta semana em fase piloto, o projeto da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) que transforma o lixo da feira das Centrais de Abastecimento do Pará (Ceasa) em compostagem orgânica, via parceria interinstitucional, prevê uma economia anual de R$ 700 mil para o Governo do Estado - dinheiro atualmente gasto para acomodamento, transporte e despejo de um volume mensal de mais de 500 toneladas de resíduos de frutas, verduras e legumes no aterro sanitário em Marituba, na região metropolitana de Belém.

O tratamento físico-químico se dá com base na mistura programada dos resíduos com palhada triturada, doada pelas Centrais Elétricas do Pará (Celpa), oriunda das podas rotineiras de árvores.

O produto gerado, adubo de alto poder biológico na mesma medida quantitativa do lixo originário, mais de 6 mil toneladas por ano, ainda representará um ativo de cerca de R$ 900 mil. Cinquenta por cento do produto será doado para agricultores familiares e, a outra metade, comercializada, com receita reinvestida pela Ceasa no próprio Projeto.

A iniciativa tem o apoio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Sedap), Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), entre outras entidades.

A fase piloto, uma estufa de 120 m², durará 70 dias na área da Ceasa em frente as Ruínas do Murucutu, para fins de experimentação de tecnologias pioneiras: “Nosso processo é uma adaptação da metodologia convencional, a partir das nossas necessidades e nossas possibilidades. Ajustamos a proporção entre material externo e material interno, na relação carbono-nitrogênio, resultando em menos carbono e nenhum chorume, nenhum mau cheiro e nenhum fluido contaminante”, explica o cientista responsável pelo Projeto, o engenheiro agrônomo da Emater Antônio Carlos Lima, chefe do escritório local de Ananindeua.  

A implantação definitiva será em um hectare e meio, também dentro da Ceasa, na área próxima à Casa de Força.

Para o diretor técnico da Ceasa, Eduardo Pio X, o Projeto pode servir de referência nacional para outras Ceasas e de padrão para prefeituras paraenses: “É um pioneirismo no contexto do desenvolvimento sustentável e de política pública para o meio ambiente, um Projeto global e de gestão. Em todas as suas frentes, há aproveitamento e otimização de recursos, com repercussão não só ambiental, mas socioeconômica e até cultural”, resume.

A presidente da Emater, Cleide Amorim, destaca como a integração de órgãos do Governo do Estado e gestão compartilhada são meios e soluções para a administração pública, sobretudo em questões delicadas, como o tratamento de lixo e a sobrecarga no único aterro sanitário da região metropolitana de Belém: “A Amazônia hoje é um contexto no qual conseguimos provar produtividade e avanço tecnológico, dentro da premissa de exploração racional e respeito às premências e tradições das populações. O Pará é um pólo fundamental. Estamos corrigindo uma anomalia e contribuindo para a superação de uma problemática, que afeta todos”, diz.