Projeto pioneiro na socioeducação envolve universitários e internos da Fasepa

13/08/2019 20h04 - Atualizada em 14/08/2019 10h46
Por Franklin Salvador (FASEPA)

Com o objetivo de proporcionar um diálogo direto com adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, a comunidade acadêmica é convidada a participar de uma iniciativa pioneira no Brasil, o Grupo de Diálogo Universidade, Comunidade e Adolescente (Gduca), lançado na manhã de terça-feira (13), no auditório David Mufarrej, na Universidade da Amazônia (Unama), campus Alcindo Cacela, em Belém. Servidores da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), profissionais e estudantes das áreas de Direito, Psicologia, Serviço Social e Pedagogia participaram da palestra de lançamento, cujo tema foi "A Construção da Identidade Impostora e a Impostura do Adolescente em Conflito com a Lei".

O projeto resulta de uma parceria entre a Fasepa e a FORTIORI Consultoria em Psicologia, por meio de um termo de cooperação técnica. O projeto-piloto terá duração de 12 meses, com encontros que reunirão 30 estudantes voluntários, 30 socioeducandos (de 12 a 21 anos) e coordenadores, dentro de duas unidades socioeducativas, para dialogarem sobre diferentes temáticas, com certificação após o último encontro.

Para o ministrante da palestra, Altiere Ponciano - psicólogo, diretor executivo da FORTIORI e coordenador do Gduca, "o conflito de ter ou não ter, de ser ou não ser, de pertencer ou não pertencer, esse conflito histórico é a base do entendimento para o diálogo horizontal". Segundo ele, os efeitos da "prisionização" atingem não só os internos, mas também quem trabalha no dia a dia no contexto de privação de liberdade. "Se a gente entende esse sujeito em conflito com a sua própria identidade, e eu também tenho conflito com a minha própria identidade, isso é perfeito para o diálogo horizontal. Nós não estamos nem acima e nem abaixo", esclareceu o psicólogo.

Política federativa - Essa busca pelo diálogo é o caminho para que a socioeducação se consolide em um nível mais próximo do ideal, como preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), ressaltou o presidente da Fasepa, Miguel Fortunato. "A socioeducação remete sempre a uma discussão profunda e de multidisciplinaridade. Não há nenhum contexto profissional que possa vencê-la (socioeducação) isoladamente. É fundamental que a gente tenha essa compreensão que a política do atendimento socioeducativo é uma política federativa, e que precisa se incorporar à rede da União, Estados e Municípios", destacou Miguel Fortunato, sobre a a importância da articulação entre os diferentes entes que compõem a rede intersetorial socioeducativa.

A iniciativa chamou a atenção de universitários que participaram do evento, como Carolina Oliveira, pós-graduanda em Serviço Social. "Eu estagiei no Centro Socioeducativo Masculino (CSEM) durante um ano e meio. O meu TCC foi sobre socioeducação. É um tema que eu gosto muito. Desde o começo da graduação sempre quis falar sobre isso, e me inserir nesse meio. Achei muito interessante esse tipo de projeto com grupo de estudos no sistema socioeducativo. Quero participar", contou Carolina Oliveira.

O projeto foi baseado em um grupo de extensão da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (FDUSP), o GDUCC (Grupo de Diálogo Universidade-Cárcere-Comunidade), idealizado e coordenado pelos professores Alvino Augusto de Sá e Sérgio Salomão Schecaira. Foi iniciado com internos adultos de presídios da cidade de São Paulo e Guarulhos. Atualmente, é realizado em sete estados do Brasil.

Serviço: A divulgação do edital será nesta quarta-feira (14), nos sites fortioriconsultoria.com.br e www.fasepa.pa.gov.br. Os encontros serão iniciados no próximo dia 2 de setembro.